<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966</id><updated>2011-08-01T10:28:11.325-07:00</updated><title type='text'>A Volta do Eu Sozinho.</title><subtitle type='html'>Sou como o marido dela, a culminância da insolência.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>68</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-6090735936085631556</id><published>2007-03-03T19:20:00.000-08:00</published><updated>2007-03-03T19:21:32.471-08:00</updated><title type='text'>Uma História (Parte oito).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando atingimos o estado de Santa Catarina, o sol brilhava forte e sentimos o poder magistral dos deuses tutelares das intempestividades acolchoando nossas tristezas, fracassos e temores. Tínhamos um ao outro e aventura pela frente. Luciana riscou um fósforo e acendeu seu cigarro. Deu três tragadas profundas, abaixou o vidro e tirou a cabeça pela janela para gritar “viva os dias” e se afogar na própria fumaça dispersada pelo vento. Chegamos a Garopaba num final de tarde. Encontramos uma pousadinha marota perto do mar, numa área afastada e concordamos em procurar o Sr. Flatulência somente no outro dia. O pôr-do-sol tinha sido belo demais para pensarmos em pendências. Jantamos frutos do mar com uma boa garrafa de vinho e fizemos l’amour até desmaiar com os olhos virados-trincados. Acordamos com o sol queimando nossos rostos pela cortina que deixáramos mal fechada. Pegamos o pedacinho de papel em que o endereço do homem estava escrito e pedimos informação à recepcionista. Eram onze horas da manhã quando tocamos o interfone da casa do italiano e sua mulher nos atendeu. Dissemos que tínhamos um assunto delicado para ser tratado com o homem da casa. Entramos e ela nos serviu chá com biscoitinhos enquanto o balofo tomava banho. Quando o monte de pelancas desceu as escadas e seus olhos cruzaram os de Luciana, ela começou a chorar. O italiano correu em socorrê-la totalmente afetuoso. Começaram a se beijar. Eu e a esposa do gordo nos entreolhamos estupefatos enquanto os malditos de despiam, ali, na sala de visitas da casa às onze de uma manhã de sábado. Fizeram o que tinha de ser feito num acesso inviolável de desespero. Um amor inquebrantável, inatingível, impossível de ser compreendido. Quando terminaram, continuaram nos ignorando e se perguntavam por onde tinham andado, o que tinham feito. Sacudi Luciana e pedi-lhe explicações. O gordo me deu um soco que inchou a bochecha. Tentei retribuir-lhe na pança, mas não teve efeito. Então eu disse para agirmos com sensatez. Luciana, quer ficar aqui com este gordo seboso e esquecer tudo o que aconteceu entre nós?, perguntei. Sim. Andate voi due bastardi!, exclamou o pança. Peguei sua mulher, que por sinal era bacana e chorava oceanos e sumimos de lá. Então no carro lhe disse, não se preocupe, belezura, tudo se acertará. Passamos por um boteco enquanto eu me empenhava em saber o que fazer naquele momento delicado, uma mulher se desmanchava ao meu lado. Achei que seria uma boa idéia. Poderíamos comer um pf (prato-feito) e tomar cervejas. Isso aliviaria. Não há nada melhor do que comer comida de boteco bebendo cerveja quando você não tem inspiração para como escrever as linhas dos seus dias. Geralda, a ex-mulher do Gríngola over-quilo topou na hora abrindo um daqueles sorrisos pós-soluço que desmantelam qualquer homem com um pingo de sensibilidade. Havia figuras interessantes no bar. Um homem sempre ao balcão com sua Heineken verde, um garçom com cara de bunda e moças fabulosas desfilando charme e talento pelo salão do bar carregando bandejas. Lindas. Pedi uma verdinha também, pois o simples vislumbre me secou a goela. Geralda pediu o mesmo, soltando risinhos espontâneos e lindos. Olhava-me de rabo-de-olho timidamente, toda desenxabida, sem saber o que fazer, falar, pensar. Bom, pelo menos já parou de chorar, não é gracinha, eu disse a ela. É, o senhor é muito gentil, ela me disse e pude então perceber que se tratava de uma ninfetinha de no máximo vinte. Pode ficar descansada, doçura, vou cuidar muito bem de você. O que quer comer? Pedi dois pratos daquilo que ela tinha escolhido para uma garçonete pernudona daquelas enquanto bebericávamos nossas verdes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-6090735936085631556?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/6090735936085631556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=6090735936085631556' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/6090735936085631556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/6090735936085631556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/03/uma-histria-parte-oito.html' title='Uma História (Parte oito).'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-8568643745092449156</id><published>2007-02-25T17:25:00.001-08:00</published><updated>2007-02-25T17:27:11.314-08:00</updated><title type='text'>Uma História (Parte sete).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estávamos em um salão na noite seguinte dançando as valsas do Nelson Gonçalves. Um bar incrível, clube Laço de Ouro na cidade de Vaitapaílândia. Começou a tocar Ênio Morricone em dueto com Mina, aquela cantorazinha italiana sem-vergonha. Luciana mudou de humor da água para o vinho e abandonou o recinto. Corri por uns dois quarteirões de rua de terra atrás dela até encontrá-la caída no chão com o vestido todo empoeirado. Tinha tropeçado. Pediu-me que a levasse ao sul, tinha um problema para resolver. Concordei, desde que me explicasse tudo durante a viagem. Fomos ao hotel, apanhamos nossas coisas e saímos na mesma noite. Varamos a madrugada viajando em direção ao sul e Luciana me contou que tinha sido casada com um italiano, sobrinho-neto do homem, do Ênio, e que sabia todas as suas músicas de cor porque passara dez anos de sua vida com elas lhe esquentando os ouvidos. Onde, em que parte do sul, estava o tal italiano? O que ela tinha que resolver com ele? Foram questões que só me vieram à mente quando Luciana adormeceu ouvindo Schumann. Por volta do meio-dia paramos para o almoço e Luciana me disse: uma cidadezinha praiana próxima à Florianópolis. Tinha que pegar a sua divisão de bens que não tinha sido integralmente entregue quando se separaram, o italiano ficara de vender dois apartamentos e isso levaria meses. Luciana, impaciente, sumira antes de qualquer perspectiva de negócio. Tudo bem, eu disse a ela, mas não acha que agora seja muito tarde para reaver este dinheiro? Absolutamente que não, assegurou-me ela, o italiano nunca a procurara porque não sabia do seu paradeiro, e ainda acrescentou que, apesar de se tratar de um homem gordo, flatulento, que arrotava à mesa e tirava tatus monstruosos do nariz, ele era um bom sujeito. O que mais me impressionou foi o poder da música, o tocante azul e poderoso da caixa acústica. Uma simples composição de notas fez minha mulher agir loucamente e lembrar de uma partilha de bens há mais de três anos esquecida. Não fosse o Ênio, nada disto teria acontecido e teríamos continuado nossa jornada ao Mato Grosso, quando então estávamos no estado de São Paulo perto do Paraná, dormindo num motel de luxo torrando todas nossas reservas, pois confiávamos piamente na honestidade do italiano flatulento que nos entregaria de bandeja, assim que chegássemos, uma boa quantia em dinheiro vivo referente à metade do valor apurado na venda dos imóveis. Era lindo como críamos nisso, e nada mais permeava nossas consciências.&lt;br /&gt;(continua).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-8568643745092449156?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/8568643745092449156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=8568643745092449156' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/8568643745092449156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/8568643745092449156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/02/uma-histria-parte-seis_25.html' title='Uma História (Parte sete).'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-1288881653946954079</id><published>2007-02-13T17:43:00.000-08:00</published><updated>2007-02-13T17:45:18.967-08:00</updated><title type='text'>Uma História (Parte seis).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sou um sujeito tímido, embora imoral. Não expresso minha imoralidade assim, escancaradamente. Mas também não posso afirmar que sou um ser expressivo. Caminho pelos ventos e desço abóbadas do celeiro de cristal. Como ia dizendo, continuei viagem com Luciana pelo sertão. Parávamos em lugares bastante incomuns, garanto. Com isto, a viajante começou a apresentar-me uma silhueta até então desconhecida. Era certamente uma mulher bacana, sim, ela era. Sabia um pouco do mundo e dos princípios universais. Encontros com moribundos e bêbados fracassados de beira de estrada lhe inspiravam belas anedotas e ótimas citações de Dostoievski. Era culta, disse-me que passou a infância lendo o que mais lhe parecesse estranho na biblioteca do pai em Poços de Caldas. Crescera com educação autônoma. Lecionada somente pelo pai e pela mãe, obteve uma liminar na justiça que a garantiu cursar a universidade sem certificados prévios: passou em quinto lugar no vestibular para Direito na Usp. Após seis meses, desencantou-se com os métodos amarrados da universidade brasileira e resolver saber das Leis por si só. Jurista autodidata, ensinou-me muitas coisas no caminho. Detalhes e aprendizados que não vêm ao caso mencionar, mas que me mancharam para sempre. Chegamos a uma cidade em Goiás, no sul do estado. Era uma sexta-feira e havia cartazes por toda a cidade anunciando o show de uma dupla sertaneja no salão perto da igreja. A muvuca mais esperada do ano, segundo o recepcionista da Pensão Morais onde nos hospedamos bem no centro da cidade. Luciana então me era fascinante. Eu a assistia tomar banhos de trinta, quarenta minutos vivendo um êxtase absoluto, plural em quantidade de sentidos aguçados. Os mais variados panos de fundo, os banheiros das pensões por onde vínhamos nos hospedando, e ela, com seu corpo esplêndido, perpetuando em minha mente os mais doces movimentos higiênicos. Nesta certa sexta-feira, ao sair do banho para irmos ao show, fitou-me nas bolas dos olhos e assim eu soube que ela não passava da mulher da minha vida, mais uma vez, para sempre, como sempre acontecia. O peito bumbou acelerado. A garganta travou e secou, as mãos e o rosto empalideceram e os pêlos da canela se eriçaram. Chegamos ao show e um dos cantores era muito alto, o outro muito baixo. Luciana me fazia dançar com ela, fazia com que eu gostasse das músicas, mandava-me buscar cerveja e acompanhá-la à porta do toalete. Conhecemos um sujeito chamado Morcego, que nos abordara querendo saber de onde vínhamos, atraído por nosso jeito de gesticular e trajar incomuns na cidade. Explicamos para ele com bastante franqueza parte dos fatos. Aprendi que a sinceridade, embora pareça assustadora para estranhos, não passa de um meio de se separar o joio do trigo. Pessoas bacanas, sensatas e decentes, acreditam na verdade independente da cabulosidade em que se caracterizam. Mas isso não importa. Morcego era professor de História para alunos de quinta à oitava série e tinha aquele quê ligeiramente petulante de quem se julga mais inteligente que os demais. Apesar da vaidade desnecessária para com gente como Nós, irrelevamos e o incluímos em nosso círculo. No dia seguinte sua esposa nos cozinhava um almoço feito de galinhada com pequi. Sem muita resistência, aceitamos seu convite e nos transferimos da pensão para sua casa, onde havia um quarto muito bem decorado e que nos protegeria dos revezes por aproximadamente dois meses. Mas isto não importa agora, deixo pra depois. Luciana neste dia me disse que precisava ensinar a idéia da leveza carnal, material e corporal. Segundo ela, homens sem crenças sublimes e místicas, mesmo que dentro de limites naturais, não conservam a virtude primordial em seu gérmen-espírito e por isso serão atormentados pela dor do descaso e da humilhação para sempre. Como eu estava altamente apaixonado por aquela Vaca, perdão pelo termo mas o compreenderão em breve, caí na onda de peixinho. Nada mais eficiente do que aprender algo que a amada ensina, mas não por “vontade de querer” arrecadar o conhecimento, e sim para se exibir para aquela que dá beijinhos molhados de boca cheia no seu coração. Entendo perfeitamente a mente das mulheres, exceto das que amo e das idiotas. Segundo a idéia que obtive dela, somos todos instrumentos sensoriais de uma super-alma. Servimos apenas para estimularmos as sensações da super-alma, ou super-corpo, até atingirmos o nível dois, quando finalmente conseguimos nos desprender desse poder para então nos tornarmos uma alma independente e que gerará, em seguida, os seus agentes sensoriais. Basicamente, somos cílios de um corpo completo. E a parte da autonomia da alma inferior é algo ainda discutível*. Devo contar agora o porquê da nossa expulsão da casa do Morcego após dois meses de hospedagem gratuita e desinteressada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* N. do A. (Teoria baseada por Túlio Nogueira em leituras desnecessárias e sonâmbulas da madrugada de um estudante forense).&lt;br /&gt;(continua).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-1288881653946954079?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/1288881653946954079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=1288881653946954079' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/1288881653946954079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/1288881653946954079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/02/uma-histria-parte-seis.html' title='Uma História (Parte seis).'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-7276765397276367785</id><published>2007-02-04T20:55:00.000-08:00</published><updated>2007-02-04T21:04:46.024-08:00</updated><title type='text'>Uma História (Parte cinco).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por volta das três da tarde, já estávamos na trilha que corta a reserva. Uma linda floresta, bichos e pássaros por todo lado. Deveríamos ir a um pedaço da reserva que era próximo ao mar, acamparíamos na praia. Arrumamos tudo e, ao anoitecer, resolvi dar um passeio em volta do acampamento só para averiguar a região. O &lt;em&gt;Dundee&lt;/em&gt; certamente aproveitaria a situação para dar em cima da minha mulher, e ela permitiria. As mulheres quando amam fazem de tudo para ter o objeto amado, depois que o conseguem, deixam de desejá-lo com aquele ardor. É como se a facilidade não lhes fosse interessante ou excitante. Quando ela teve de ir ao Uruguai me resgatar, eu era o homem da sua vida. Agora que estávamos morando juntos, ela dava mole pro &lt;em&gt;Dundee&lt;/em&gt;. Homens são objetos nas mãos das mulheres. Brinquedos novos que naturalmente ficam velhos e devem ser repostos, substituídos ou ao menos terem o refil trocado. Quando retornei ao acampamento, os dois tinham sumido. Não me importei, pois conhecendo muito bem aquela mulher leviana, eu sabia o que deveria estar acontecendo. Preparei meu jantar e fui me deitar. O combinado era de que na primeira manhã sairíamos em excursão. Acordei às oito com o guarda florestal me gritando de fora da barraca. As roupas de Ashley tinham sido encontradas perto de um pântano. Mais adiante um pouco, uma perna com bota de alpinista arrojado também fora vista presa a uns galhos ciliares; era o que restava do &lt;em&gt;Dundee&lt;/em&gt;. O policial me disse que sentia muito, mas certamente haviam violado os limites que separam o homem da besta que habita aquelas terras. Assinei os papéis e fui embora para a cidade, soberbamente frustrado por não ter feito o safári. Na verdade, nem liguei muito para a perda da Ashley, o casamento já não ia lá essas coisas. E o &lt;em&gt;Dundee&lt;/em&gt;, não fosse seu desejo mortal por minha mulher, seria um grande amigo no futuro. Peguei o primeiro avião para casa assim que pude. Resolvi fazer uma surpresa para Mamãe e fui de táxi. Só então soube que o michê a tentara assassinar para resgatar o seguro de vida que ela lhe fizera. Só se salvou quando revelou que o seguro só seria pago caso sua morte fosse natural. O michê fugiu desapontado. Sem saber o que fazer, mamãe conseguiu convencer-me a ficar em casa por uns tempos. Como eu tinha muitos amigos, consegui logo um emprego no hospital e em duas semanas de trabalho já tinha amado quase todas as enfermeiras. Elas me mandavam flores, chocolate, convites para restaurantes finos e todas as demais coisas que eu deveria fazer, mas que não fazia por pura imperícia e descaso. Uma delas chegou até mesmo a me propor casamento. Disse-lhe que o telefone em casa tocava e que eu devia atendê-lo. Todos os dias eu trabalhava durante o dia e amava uma linda mulher à noite. Quase um ano se passou assim e tive de repensar minha vida. Acabei concluindo que aquilo não era pra mim, não, não era. Conversei com Mamãe e ela cedeu atestando minha sabedoria. Adquiri um carro com preparo para estradas em más condições e saí pelo país sem data para voltar. Meu plano era ir para o interior do Mato Grosso ver a miséria sobrepujar a razão do povo que vive como zumbis da lascívia. Um pouco antes, quando ainda passava por Minas Gerais, resolvi dar carona a uma moça que me abordara num posto de gasolina. Ela tinha seios salientes e abundantes, rosto angelical e um palavreado doce, fino, embora vestisse roupas demasiado vulgares. Uma calça jeans rasgada que marcava listras nas coxas perfeitas, uma blusa curta com decote injusto. Claro que eu a daria carona, ela também estava indo para o Mato Grosso e procurava meios para qualquer parte no oeste. O defeito de Luciana era não saber como parar de falar. Contou-me toda a monótona vida que levara durante quase toda a viagem. Paramos em uma cidadezinha para dormir e, após nos hospedarmos no mesmo quarto de hotel, fomos ao centro em busca de um restaurante. Uma conhecida sua jantava na mesma pizzaria aonde fomos e quando se viram, entregaram-se a todo tipo de cortesia desmedida. Após a janta, acabamos indo à casa da amiga, pois haveria uma festa nesta noite. Comecei a beber uma cerveja pensando que dormiria com as duas. Eu estava faceiro como porco de brinco na exposição ou jabuti de oitenta anos. Mais tarde um pouco, chegaram os convidados. A maioria era homossexual, homens e mulheres desviados, talvez mais por falta do que fazer do que por gosto. Corri e perguntei a Luciana se ela também era adoradora do Bacco Rosa. Respondeu que não, mas que não sabia da amiga. Havia muita cerveja e vinho e todos se embriagaram absurdamente. Por volta das três da manhã, já tendo desistido de seguir viagem cedo, um sujeito cujo nome era Clodoaldo iniciou o bacanal beijando Alice, que beijou Joana, que passou a bola para Marcos, que lambeu o céu da boca de Júlio, que veio para mim e então beijei Célia. Pensei que deveria tentar outra mulher, Luciana seria minha numa ocasião bastante breve. Tão rapidamente quanto à mente do homem se torna herege, corpos rolavam na sala inundada de imundície. A vileza reinou e todos se apertavam, lambiam, despiam, comiam. Puxei Célia para um quarto de porta aberta e nos tranquei. Enquanto ela protestava alegando que queria participar da orgia, eu a agradava com meus maiores e incontestáveis préstimos. Em alguns segundos ela estava entregue e resoluta e não me deixar. Os outros participantes não tardaram em sentir nossa falta e vieram ao nosso encalço. Bateram na porta e não me alterei, estávamos quase lá. Seria uma coisa incrível, comunhão indescritível dos prazeres absolutos da terra. Célia, como total estranha, total entregue, e eu total empenhado em fazer daquela noite uma das mais fantásticas de todas. Os invejosos não se cansaram e abriram a porta com uma chave reserva, pegaram-nos no mais sublime transe. Não podíamos nos mover, nem pensar, nem respirar. Estávamos grudados como cachorros e com os olhos virados como indivíduos hipnotizados. Precisaram nos bater e muito para nos acordar. Quando voltei à consciência, os malditos devassados me olhavam com ódio terrível e me expulsaram da casa sem direito a defesa. Luciana veio comigo, não queria perder a carona por causa de um bando de depravados impudicos. Mais tarde, no hotel, ela acabou me confessando que participara daquilo só para me agradar. Dormimos entrelaçados, depois de prodigalizarmos o desprezo que tínhamos para a depravação gratuita com um amor sereno e bem orquestrado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-7276765397276367785?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/7276765397276367785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=7276765397276367785' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/7276765397276367785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/7276765397276367785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/02/uma-histria-parte-cinco.html' title='Uma História (Parte cinco).'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-195306262520507907</id><published>2007-01-31T18:46:00.001-08:00</published><updated>2007-01-31T18:46:58.693-08:00</updated><title type='text'>Uma História (Parte quatro).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chegamos a Canberra num belo dia de fim de inverno. Em poucos dias veríamos o despertar da primavera e eu estava exultante com esta perspectiva. Ashley me apresentou ao pai, secretário do governo, como noivo. Eu soube conquistar o sogro e a sogra. Após a primeira semana, empenharam-se em conseguir-me emprego num hospital da cidade. Ashley arrumou um apartamento a duas quadras do hospital onde comecei como clínico geral atendendo seis horas por dia. Ela era somente uma estudante integral de direito. Tínhamos as noites e as taças de vinho australiano somente para nós. Todas as manhãs eu acordava, ia até o café da esquina e comia rosquinhas doces, pão com manteiga e tomava uma xícara de café preto forte. Depois voltava ao apartamento levando o que minha esposa havia me pedido. Ela era bastante preguiçosa e só se levantava às oito. O gosto de ver a cara das pessoas, os dias, o relógio a me despertar, logo começou a me causar náuseas. De repente, eu vi um mês passar como se fosse uma semana, três dias como se fossem oito horas. Tudo se confundia em minha cabeça e a noção de tempo se distorcia. Passei a ser relapso comigo mesmo, com os pacientes e com todos. Um dia eu voltava do hospital e avistei um orelhão do outro lado da rua, pensei que deveria telefonar a mamãe. Quando fui atravessar a avenida, avidamente, um carro quase me atropelou. O homem encostou, desceu e gritou-me se eu era um suicida maluco. Respondi com a cabeça que não e lhe disse que queria apenas telefonar a minha mãe, com quem eu não falava havia muitos meses. Então ele me chamou pro canto e indagou baixo ao meu ouvido se eu não gostaria de tomar uma cerveja com ele. Topei na hora, afinal eu não tinha amigos. O homem contou-me que era guia turístico e que levava as pessoas por passeios pelo interior do país para ver os cangurus, crocodilos e essas coisas. Achei-o parecido com o Crocodilo Dundee, até uma faca dentada ele tinha. Sua história era bastante intrigante. Tinha se casado com uma nepalesa com quem teve seis filhos. Ela foi sua assistente de passeio até escorregar do barranco e ser deglutida pelo crocodilo. Dois de seus filhos mais tarde teriam a mesma sorte. Ele se casaria novamente com uma australiana urbana que o expulsaria de casa após quatro meses de convivência só porque ela não podia suportar a mania dele de limpar os dentes com o facão à Crocodilo Dundee após as refeições. No meio da história, descobri que ele tinha oito ornitorrincos de estimação dos quais não se separava sob hipótese nenhuma, e presumi que este teria sido o real motivo da separação. Terminamos nossa cervejinha por volta das três e meia da manhã com a garçonete nos expulsando e um safári australiano agendado e confirmado para o próximo mês, por oferecimento dele, afinal, já éramos grandes amigos. Levou-me para casa e teve de me ajudar a subir as escadas. Ashley estava a minha espera. Conta ele, que minha mulher lhe fora muito amistosa dizendo gentilezas de agradecimento. No entanto, lembro-me de acordar às onze horas da manhã do dia seguinte com curativos por todo o rosto e a cabeça sendo chutada num tambor de óleo diesel. Até hoje penso que houve uma conspiração entre Ashley e o Crocodilo Dundee. Devem ter me surrado, feito amor selvagem até o dia amanhecer, e combinado de nunca me contar de quem eu realmente apanhara. Nos outros dias, o simples pensamento de andar pelas mesmas ruas, ver o mesmo babaca do café com os gracejos matinais imbecis, ir ao hospital atender àquelas pessoas com dificuldades de se socializar e que somatizam transformando a coisa em úlceras gástricas, quedas incuráveis de cabelo, caspas, feridas bucais e amidalites infinitas, causava-me um enjôo terrível. Faltei a semana toda ao trabalho e prometi a Ashley que voltaria somente depois do safári com o Crocodilo Dundee. Aí sim a vida foi boa. Eu só assistia à televisão, apostava nos cavalos pelo telefone e comia salgadinhos de requeijão com cerveja. Num desses dias de ócio profundo, vi no noticiário que tinham descoberto uma fraude de bilhões na previdência brasileira, e que era o maior desvio de verbas públicas já ocorrido no mundo. Pensei, puxa vida, já faz quase um ano que não falo com Mamãe. E disquei a ela imediatamente. Conversamos as mais doces besteiras por quase cinco horas e finalmente entendi o quanto eu amava aquela velha pilantra. Disse-lhe que estava bem. Com dinheiro, uma mulher, um apartamento e uma salamandra amarela. E ela me contou que havia se casado com um michê de vinte anos. Achei ótimo. Sabe, coisas como esta são boas para os dois lados. O menino teria a vida confortável e prazerosa que nunca teve e em troca Mamãe viveria uma terceira idade de sexo caudaloso. Enfim o dia do safári chegou e fomos nos encontrar num restaurante na saída da cidade. O Dundee tinha uma camionete poderosa e deixamos nosso carrinho no estacionamento. Logo ele me perguntou se eu o aceitava dormindo na mesma barraca. Disse que sim, por que não, pensei. Papo foi, papo veio, e novamente Dundee tocou no assunto dizendo que não estava seguro do meu pleno entendimento sobre a questão. Ele não queria só dormir na barraca conosco, mas também dormir comigo e com ela. Bem, disse eu, pode comê-la se quiser, Sr. Dundee, mas deixe-me fora disso. Ele retrucou alegando que ainda não tinha formulado um bom jeito de me convencer, mas que o faria em breve e me persuadiria. E eu respondi, contanto que não me espanquem novamente, topo tudo. Meu interesse é ver os cangurus, as hienas, os crocodilos e os ornitorrincos selvagens.&lt;br /&gt;(continua). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-195306262520507907?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/195306262520507907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=195306262520507907' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/195306262520507907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/195306262520507907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/01/uma-histria-parte-quatro.html' title='Uma História (Parte quatro).'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-3666303812105067028</id><published>2007-01-30T14:15:00.000-08:00</published><updated>2007-01-30T14:53:57.805-08:00</updated><title type='text'>Uma História (Parte três).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em montevidéu, adoeci. E a balconista do albergue para estudantes onde eu tinha me hospedado cuidou muito bem de mim. Trazia-me chá, sopa, deu-me um quarto limpo e exclusivo. Todos os quartos eram muito sujos e cheios. Todos os dias viajantes chegavam e partiam. E eu, na verdade, já chegara doente da viagem de barco. Tinha tomado muita friagem. Rebeca logo se mostrou apaixonada por mim. Pude notar assim que recobrei a consciência. Passei uma semana, já convalescido, sem sair do albergue. Rebeca tinha tomado todas as minhas coisas: dinheiro, roupas, cartões, passaporte. Eu passava o dia todo no computador teclando com gente do mundo pela internet. Rebeca me dava o que podia, calor, comida, carinho, e em contrapartida vinha deitar-se comigo todas as noites após o expediente. Cheguei a mandar alguns e-mails para Mamãe e para alguns amigos contando o que ocorria, mas ninguém acreditou. E ainda me respondiam com piadinhas verdadeiramente engraçadas. Rebeca era uma espécie de funcionária-residente do albergue, também dona, embora ocasionalmente tivesse de prestar contas a um tal de Carlito. Quando eu a perguntava da real natureza dessa relação, ela se esquivava, fazia cara de choro, e me convencia a deixar a querela pra outra hora. Mais tarde, pois não vou deixar de lhes contar, eu descobriria que Rebeca havia sido uma prostituta do Carlito; no entanto, como todo mau negociante, Carlito se apaixonara pelo produto que vendia e caiu na desgraça: comprou o alberguinho e deu-lhe para cambiar de vida. O albergue era dado, mas ele continuava vindo para colher alguns dividendos e dar uma palpitada nos negócios. Segundo ele, apenas resgatava sua comissão. Continuando, nessa semana que passei lúcido mantido em cárcere privado e teclando de doze a quinze horas diárias na internet, conheci Ashley, uma australiana, num daqueles canais de programas para baixar música. Ambos gostávamos de &lt;em&gt;Chic-Chic-Hen-Don’t-Cry&lt;/em&gt; e, tão logo iniciamos o papo, descobrimos múltiplas afinidades. Tínhamos o mesmo gosto por cinema: filmes do Charles Bronsom, Steaven Seagal, Mcgayver (sei lá como diabos se escreve isto) e coisas do tipo. Sabíamos de cor todos os hieróglifos egípcios. Sapateávamos &lt;em&gt;Singing In the Rain&lt;/em&gt; no chuveiro e nunca nos esquecêramos da vantagem que era ser &lt;em&gt;Earnest&lt;/em&gt;. Sério, Ashley era incrível, a verdadeira mulher da minha vida. Contei-lhe o que vinha ocorrendo, dos abusos e maus tratos que eu sofria naquela prisão. Claro que eu não dizia que Rebeca era uma uruguaia boasuda, mas que não passava de uma velha gorda frustrada sexualmente. Após cinco dias de namoro online, já havíamos nos tornado íntimos confidentes e Ashtrey teve uma idéia: resgatar-me. Após três dias da nossa última conversa, eu a vi entrar pela porta do Albergue, toda australiana, polaca, lindona com aquele cachecol empolado e deselegante, aquelas roupas de frio esportivas que mais parecem lonas de plástico enfiadas nas pessoas. Praticamente uma abominável monstra alpinista do inferno gelado, no bom sentido, claro. Não foi difícil escapar, pois tendo alguém que me oferecesse total suporte, bastava sair quando Rebeca fosse acompanhar algum novo grupo de hóspedes ao quarto. Até que não era ruim ter tudo na mão e mais uma Rebecuda todas as noites, pensei no exato momento em que atravessava a porta. Mas como Ashley era a mulher da minha vida, não tinha mais volta. Contratamos um falsário que me fez um passaporte australiano e em quatro dias após a fuga, já com roupas novas, barba e cabelos feitos, pois a tirana da Rebeca me proibia até de cortar as unhas, rumamos para a Oceania.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-3666303812105067028?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/3666303812105067028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=3666303812105067028' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/3666303812105067028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/3666303812105067028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/01/uma-histria-parte-trs.html' title='Uma História (Parte três).'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-1538700174843889778</id><published>2007-01-28T13:18:00.000-08:00</published><updated>2007-01-28T19:33:58.014-08:00</updated><title type='text'>Uma História (Parte dois).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No avião a caminho de casa, foi quando pude pensar em tudo o que tinha feito naquele mês e meio. Lembrei-me de Florbela, uma espanhola que conhecera num café de Kensington. Ela era artista plástica e pintava corpos nus. Conversamos muito sobre estética, plasticidade, a capacidade das tintas de nos envolver e nos tomar uma rápida baforada fora da realidade. Nessa mesma noite, fomos para uma boate e dançamos até o outro dia. Dormi na sua casa e ela me pediu para posar. Passei o dia todo caminhando pelado pela sala; ela gostava de movimento. À noite saímos para jantar e não suportamos, acabamos fazendo amor no toalete. Na terceira noite, Florbela tentou me matar. Acordei com cortes superficiais na barriga e ela me desenhando palavras incoerentes com uma faca afiada. Voltei para o hotel no meio da madrugada e pedi ao recepcionista, já meu amigo, que me providenciasse uma prostituta de classe para a próxima noite. Mandou-me uma francesa chamada Ana. Dispensei-a assim que ouvi seu sotaque de francófona. Tenho ojeriza por essas mulheres, conheci muitas delas quando morei em Paris e sempre as coisas que me diziam eram as mais falsas e traiçoeiras de todas. Elas adoram agradar-lhe os ouvidos. São tão dissimuladas e interesseiras que o Casanova perderia tudo o que tem por uma dessas. Na noite seguinte, Félix, o recepcionista Dominicano, me mandou uma russa: Nathalie. Ela era magra e flexível. Branca cor de pó de arroz e longos cabelos louros. Achei melhor levá-la para jantar primeiro. Depois tomamos algumas doses de licor e uísque. Em poucas horas, a tímida, misteriosa e envolvente Nathalie resolveu desabrochar e contou-me um pouco de sua vida. Filha de mineiros, foi entregue à adoção com três anos de idade porque os pais não podiam mais dar-lhe o sustento. Uma família de ex-burocratas do governo vermelho a adotou e deu-lhe uma boa educação em Moscou. Aos vinte e dois, tinha ido a Londres para continuar seus estudos na área da Engenharia. Os pais perderam o monopólio da ex-estatal que tinham conseguido empossar com a quebra do estado. Nathalie desde então passara e se prostituir para conseguir viver no mesmo nível econômico de antes. Cobrava caro a hora e confessou-me que o trabalho era mole: geralmente velhos e bobos carentes, como eu, que a queriam mais para companhia do que para a cama. É incrível como as pessoas não se cansam de te empregar ardis. Estão sempre em busca de um contentamento que não existe. Enganam-se e enganam aos outros. Pagam para ser enganados e para enganar. Nathalie foi realmente uma bela mulher. No avião de volta ao Brasil, conheci Sofia, uma publicitária gaúcha que voltava das férias no Reino Unido. Mamãe fora buscar-me no aeroporto e contei-lhe que estava apaixonado e que iria me casar novamente. Mamãe não me deu muito crédito e nem quis saber do que se passara comigo. Tratou-me como uma criança que sai de casa para fazer travessuras e volta arrependido. A diferença era que eu não estava nem um pouco arrependido. Dois dias depois, resgatei algum dinheiro que tinha em bancos e fundos de investimento e me mandei para Porto Alegre. Eu tinha o telefone do seu escritório e através dele descobri o endereço. Apareci às dez da manhã de uma quinta-feira com flores e chocolates. Apesar do espanto, Sofia gostara da surpresa e almoçamos juntos. Eu tinha recém chegado de viagem, não levava malas e tampouco tinha dado entrada em um hotel. Disse-lhe que a esperaria terminar o expediente lendo algum livro no café ao lado do prédio. Às cinco, horário em que se livrou do serviço por motivo de força maior, e veio me encontrar no café, ainda não tinha entendido que viajara somente para vê-la. Perguntou-me que tipo de serviço vinha eu fazer no Rio Grande e onde me hospedara. Tentei convencê-la do real sentido da coisa e ela me chamou de lunático. Acho incrível a capacidade das pessoas de subverter sentimentos e atitudes das mais nobres em coisas vis e despropositadas. Eu a amava como jamais pude amar uma mulher e ela me encarava do alto de sua ética corporativa, como se eu fizesse parte de tudo aquilo. Esse foi o segundo golpe baixo que sofri do mundo, das mulheres, e da humanidade em geral. Para mim, a humanidade são as mulheres. O que os homens fazem ou deixam de fazer não me interessa em nada. Caminhei sozinho e macambúzio pelas ruas insensíveis de Porto Alegre e tomei um barco no porto que ia para Montevidéu. Antes disso, telefonei para mamãe e contei-lhe do acontecido. Ela ouviu-me sem interrupção e ao final disse que se precisasse de alguma coisa, bastava ligar. Confesso que fiquei emocionado neste momento e até derramei algumas lágrimas. Mamãe estava na minha, tinha finalmente compreendido o real sentido da coisa.&lt;br /&gt;(continua).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-1538700174843889778?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/1538700174843889778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=1538700174843889778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/1538700174843889778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/1538700174843889778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/01/uma-histria-parte-dois.html' title='Uma História (Parte dois).'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-1239564842818851577</id><published>2007-01-27T18:33:00.000-08:00</published><updated>2007-01-27T18:39:34.295-08:00</updated><title type='text'>Uma História (Parte um).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Agora que me vejo assim chutado num quarto de hotel poeirento no meio do Mato Grosso com essa tal de Teresa que tá ali no banheiro dando uma escarrada, começo a pensar nos motivos que podem ter me trazido aqui. Sabe, eu era um jovem bem-nascido, com certo talento pra demonstrar aos bobos, aquela coisa, seus pais já adoram &lt;em&gt;te&lt;/em&gt; exibir pros outros, principalmente quando você sabe contar piadas obscenas aos cinco anos. Depois, aos doze, você dedilha Fur Elise no piano e eles se gozam. É demais, tanto pra eles quanto pra mim. Mas isso não vem ao caso, como ia dizendo, eu tinha tudo pra ser um daqueles sujeitos que dão certo. Mas a vida muito cedo me envolveu para as suas intenções mais tórridas. Quando eu tinha dezenove, papai morreu, afogou-se no Adriático quando foi dar um mergulho. Estavam num cruzeiro, ele e mamãe. Na minha festa de vinte e três, mamãe, bêbada, confessou-me que estavam brincando de caldinho e que ela perdera a noção do tempo. As pessoas acharam que ela tinha pulado ao mar para salvá-lo. Entrementes, eu estudava em Brasília para ser médico. Quando me formei, decidi que não queria ser um medíocre que usa a profissão para emergir socialmente. Fui para a Tanzânia tratar dos aidéticos, dos miseráveis, dos bêbados suicidas. Passei quatro anos entre Dodoma e o Burundi. Depois fui a Paris fazer alguns cursos de especialização e recebi prêmios por diminuir a mortandade na região onde eu trabalhara. Antes de mim, morriam seis bêbes a cada dez nascimentos, depois, passaram a morrer só quatro. Conheci Zolenka, uma polonesa fabulosa e fomos morar em Kiev. Ela era advogada da ONU e tinha ido a Paris para fazer um curso na Sorbonne. Aprendi ucraniano e polonês. Morávamos em um apartamento simpático próximo à catedral de St. Michel com suas abóbadas douradas. Durante o verão, eu me levantava por volta das oito com o cheiro do café forte da Zolenka e via o sol brilhar naqueles espelhos cor de ouro. Um dia eu quis vir ao Brasil passar alguns dias, rever os amigos, Zolenka não quis de modo algum; disse que se eu viesse, não precisaria mais voltar. Peguei um vôo da British Airways que fazia conexão em Londres. O segundo vôo demoraria três horas e eu não tava com saco de ficar em aeroporto todo esse tempo. Pedi a um taxista que me levasse a um bom hotel no centro da cidade. Eu tinha trabalhado todos aqueles anos na Ucrânia, além de ter acumulado algumas bolsas de pesquisa e os prêmios pelos serviços na África. Em Londres, eu só saía à noite. Não vi os parques, nem os museus, nada. Saí do aeroporto para ficar um dia ou dois e acabei ficando um mês e meio, até meu dinheiro acabar. O tempo todo fiquei hospedado no hotel luxuoso em Knightsbridge saindo apenas pros restaurantes e pubs. Toda noite alguém me carregava de volta pro quarto indescritivelmente impessoal do hotel. De certo, era por isso que eu não me aguentava e bebia demais todas as noites, e não saía à tarde porque não tinha forças. Conheci muitas mulheres. Inglesas, francesas, tchecas, polonesas, africanas, indianas, paquistanesas. Os recepcionistas do hotel me tratavam por Mr. Cosmopolitan. Certo dia telefonei a mamãe e disse que estava sem um tostão, bebendo todas as noites, largado em Londres e ela me mandou o dinheiro para a passagem.&lt;br /&gt;(continua). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-1239564842818851577?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/1239564842818851577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=1239564842818851577' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/1239564842818851577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/1239564842818851577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/01/uma-histria-parte-um.html' title='Uma História (Parte um).'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116934266774497991</id><published>2007-01-20T17:22:00.000-08:00</published><updated>2007-01-20T17:24:27.763-08:00</updated><title type='text'>O Puro do Cordialismo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu queria saber falar de coisas que nunca fiz. Uma viagem com a menina bonita que se senta ao lado e minha timidez não permite dirigir-lhe a palavra. Alguns dias intocados no alto do morro sentindo apenas a brisa fria da altura com o sabor ácido do vinho tinto seco. Queria poder tricotar histórias como os pescadores tricotam suas redes todos os dias para enfrentar a labuta contra o peixe. Sopraria as velas de cem anos daqueles monges, meus amigos, que ficam aqui santificados dentro de mim. E sim, eles têm muito e todo valor. Eu não, penso que não tenho o valor deles, mas desejo tê-lo. Queria saber das núpcias do califa com suas quarenta e nove mulheres; perguntar-lhe-ia como as coisas se deram, como ele conquistou e gerencia todas em sua vida multiplicada geometricamente. Eu diria que as estrelas são alcaparras arrotadas por algum bêbado moribundo num dia de luxúria único que tivera com o Duque da Morávia na época dos grandes salões. Os setores do meu cérebro me informariam instantaneamente quaisquer alterações psíquicas oriundas de substâncias degenerativas. Para mim, o tempo rasga, apodrece, decepa a carne e acumula tentativas de se fazer alguma coisa. Os segundos são tão perversos quanto os sedativos falsos que tomamos antes de sermos submetidos às cirurgias. Prefiro o amortecedor vivo, o corpo isolado, quente, lacrado em instantes plenos de calor. Os toques, esses me impressionam, me imprimem qualidade, certificados de garantia e conduta. São eles que medem o poder e o efeito da dor. A destruição causada nem sempre transparece no primeiro beijo pós-coito, mas no toque de despedida. As mãos balançam ou tremem, apertam firmes ou buscam o inatingível. Tenho tentado gastar esses últimos instantes sobre pontes que espaçam o tempo. As curvas que me vêm à memória são inteiramente nítidas. Posso senti-las na ponta das minhas gravuras digitais. Padeço porque mereço sentir a dor do esquecimento. Alguém que buscava somente um nada tão vazio quanto quimérico, jamais poderia imaginar atingir um nada que se eleva ao nível mínimo existente. Sou doente por aqueles dentes alvos felizes e satisfeitos por se me mostrarem. Mas, mesmo assim, continuo querendo a pompa da frivolidade, os dias cheios de paspalhice ao lado dos meus deuses &lt;em&gt;d’antes&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;d’agora&lt;/em&gt;. Sinto tanto a sua falta e do cheiro dos dias que vem carregado em sua companhia. São aqueles gritos sussurrados à beira da cama da madrugada que mais gosto, e mais sinto falta. Morro por saber que suas frases curtas e significantes estão pertencendo a outro alguém. Não que elas jamais tivessem pertencido a alguém, nem mesmo a mim, mas estou certo de que os outros se sentem no direito de possuí-las. Cadê aquele vento divisando o seu cabelo no mundo subalterno aos nossos desejos e caprichos? Meu bem, pode vir sabendo que no nosso mundo, mando Eu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116934266774497991?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116934266774497991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116934266774497991' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116934266774497991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116934266774497991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/01/o-puro-do-cordialismo.html' title='O Puro do Cordialismo.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116873452511038420</id><published>2007-01-13T16:14:00.000-08:00</published><updated>2007-01-13T16:33:50.070-08:00</updated><title type='text'>Volevo essere così.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quatro suspiros. Nove chuvas seguidas em seis dias. Quarto quente, úmido, pulguento. Colchão velho rasgado. Ventilador desgringolado. Sujeira pela casa, Lisa fedendo sabão de banha de porco. A noite parece inextinguível. Alcanço minha garrafa de cerveja na geladeira e penso que devo sair pra me refrescar. É uma noite vazia, resmungo à Lisa que não me dá atenção e saio. O carro recende gasolina, não tenho mais paciência nem dinheiro para mandá-lo ao conserto. Toca &lt;em&gt;La Décadense&lt;/em&gt; no rádio mas não é para mim, não pode ser. As flores estão encharcadas. Chove tanto que me enojo. Há água por todos os lados. Eu quero ver as vantagens do mundo, as mulheres, o dia sem fim. Lisa está morta, absolutamente sem-graça. Prefiro o vigor das mais jovens. Ela é só rugas, manchas, marcas, cicatrizes, restos. Eu também, e não quero me ver num espelho feminino. Quero a pluralidade de corpos e formas, cheiros, loções distintamente novas. Lisa não entende. Acha bonito envelhecermos como dois velhinhos bobos sorridentes. Eu jamais seria um velhinho bobo sorridente, seria rabugento. Ela riria de minhas rabugices na candura de sua idiotice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tragédia dignifica. A dor incorpora. Os poros sentem o peso do ar. “Como você me sente quando estou dentro de você?”; “Antes, era como se um feixe de luz muito mais intenso e caloroso que o sol me atravessasse, me repartisse em duas. E agora é como se você sempre estivesse dentro de mim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muitas dúvidas quanto ao universo. Acho que pedaços móveis soltos numa colcha curva e infinita é demais para caber na cabeça das pessoas pequenas. Não podem conceber nada além de si mesmas, nem mesmo um elefante. Se os pequenos, digam-se medíocres, pudessem entender a cabeça de um elefante, as coisas seriam imensamente melhores, aliás, melhores talvez não, mas muito diferentes. Eu estou nessa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Canso de dizer a ela que a sua educação foi um fracasso. Sua mãe hoje é uma corola que reza de tristeza e sofre por ela ter se casado comigo, alguém que, na visão dela, fez tudo errado. Na verdade, nem nos casamos, apenas moramos juntos, e isso já foi o suficiente para quase matar a velha. Arrepende-se amargamente de ter permitido a filhinha vir estudar na cidade. Pobre iludida, como se o demônio não existisse por trás daquela pasmaceira. E na verdade, ele não existe mesmo, é a velha da mãe dela que o inventa. Os velhos assim são o demônio, fruto dele ou ele fruto delas. Tanto faz, essas coisas que se misturam antes ou depois são sempre as mesmas desde o início. Misturas decentes só acontecem quando você obtém resultados diferentes que dependem da ordem como você mistura os ingredientes. A insatisfação é algo realmente incompreensível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116873452511038420?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116873452511038420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116873452511038420' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116873452511038420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116873452511038420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2007/01/volevo-essere-cos.html' title='Volevo essere così.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116745709237558858</id><published>2006-12-29T21:30:00.000-08:00</published><updated>2006-12-29T21:38:12.390-08:00</updated><title type='text'>A História de Augusto Ponciano Sobrinho.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Essas lâmpadas são testemunhas do que aconteceu aqui. Elas viram tudo o que o eu disse e fiz. Viram o corpo dela pendurado no lustre de quarenta mil Euros. O sangue escorrendo pelo vestido vermelho de uma boutique da Regent Street.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo não deveria ter passado de uma discussão. Eu queria que ela fizesse o certo, um certo que para ela representava mera vaidade minha. Insisto em dizer que não era. Ela entrou pela porta já ofensiva. Disse-me coisas horríveis e eu fiquei calado o tempo todo. Na verdade, nem me recordo mais qual vaidade era essa que eu pedia a ela para satisfazer. Certamente algum favor sexual bizarro, coisas absurdas que costumava lhe pedir e ela fazia meio a contragosto. Eu bebericava meu copo de uísque, o que me mantém calmo e satisfeito. Mas ela crescera tanto em ofensas e perturbações que atirei o copo à parede, peguei-a pelos cabelos e bati seu rosto contra o balcão do bar. Na verdade, lamento muito ter feito isso. Ela tinha um rosto magnífico. Os cabelos luziam como ouro, os dedos eram construções finas esmaltadas do mais cintilante tom de vermelho, os olhos irrevogáveis, altivos e doces; uma meiguice falsa; a máscara de uma onça feroz. Seu irmão mais velho me dissera no nosso matrimônio: “Cunhado, não se assuste quando a Ofélia botar suas garras pra fora. Esse rostinho angelical esconde uma fera”. Nunca mais me esqueci disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temo que não convenha descrevê-la aos senhores, tentarei apenas dar explicações sobre o porquê de ter acontecido o que aconteceu. Senhores, quero que entendam de uma vez por todas, não cometi crime algum, fatos ocorreram, e é isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, sei que após atirar o copo à parede e bater seu rosto no balcão, Ofélia disse que queria morrer. Pois bem, eu lhe disse. Fui à despensa e apanhei uma corda. Ofélia se manteve chorando na sala. Busquei uma cadeira da mesa de jantar e trouxe até embaixo do lustre. Subi, amarrei a corda e preparei o nó. Ajudei-a a se levantar do carpete e lhe apontei a corda e o apetrecho suicida. Ofélia se encaminhou descrente do que eu fazia ou a estimulava a fazer. Subiu na cadeira e deixou-se cair em meus braços. Chorava muito. Eu a escorei tentando consola-la e então a encorajei. Ofélia hesitava, eu persistia. Talvez seu ar de descrença e posteriormente a súplica de misericórdia tenham me instigado mais ainda a vê-la morrer. É uma reação direta que sempre tive para atitudes medíocres, elas me enojam. Quando Ofélia decidiu-se a não morrer, disse-me uma dúzia de docilidades enganosas. Não as aceitei. “Disse-me que queria morrer, Ofélia, e agora você vai morrer!”. Eu mesmo subi na cadeira com Ofélia em meus braços, envolvi seu pescoço entre o nó da corda, apertei-o bem para que não falhasse e desci da cadeira mantendo-a segura por um braço. Com uma das pernas chutei a cadeira e a libertei do aperto, Ofélia agonizou por alguns rápidos segundos e então se aquietou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrependo-me profundamente. Na manhã seguinte não havia a sua boca com gosto de noite dormida e mal respirada. Não havia café forte com muito pouco açúcar na mesa. Não ouvi nenhum de seus desagrados comuns que vinham seguidos de beijos espoletas, nem seu resfolegar asmático durante a madrugada. E, pra dizer a verdade, senhores, foi uma droga. Arrependo-me sim, amargamente, pois sinto falta, saudade, e ódio por ela ter partido. Confesso que poderia tê-la salvado, mas não pude, não sei se podem me entender, mas na hora me faltaram forças decisivas. Juro que não a matei, ela quis morrer e eu apenas a ajudei terminantemente por ela ter zombado da minha capacidade de fazê-lo, foi um ato sincero. Detesto ser menosprezado, não posso ser tido como incapaz. Sempre fui honesto e solícito para com minha mulher, não poderia ter lhe negado o desejo de morrer. Sinto muito, principalmente por mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116745709237558858?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116745709237558858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116745709237558858' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116745709237558858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116745709237558858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/histria-de-augusto-ponciano-sobrinho.html' title='A História de Augusto Ponciano Sobrinho.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116715461898059796</id><published>2006-12-26T09:28:00.000-08:00</published><updated>2006-12-26T09:36:58.980-08:00</updated><title type='text'>Mamãe à milanesa.</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6120/904/1600/760322/DSC04056.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6120/904/400/758959/DSC04056.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116715461898059796?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116715461898059796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116715461898059796' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116715461898059796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116715461898059796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/mame-milanesa.html' title='Mamãe à milanesa.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116715405407698883</id><published>2006-12-26T09:21:00.000-08:00</published><updated>2006-12-26T09:27:34.090-08:00</updated><title type='text'>Jacaranga, Martin pescador, Wuícara, Buiúna.</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6120/904/1600/974112/DSC04067.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6120/904/400/650157/DSC04067.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116715405407698883?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116715405407698883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116715405407698883' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116715405407698883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116715405407698883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/jacaranga-martin-pescador-wucara-buina.html' title='Jacaranga, Martin pescador, Wuícara, Buiúna.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116715276892219689</id><published>2006-12-26T08:48:00.000-08:00</published><updated>2006-12-26T09:06:08.943-08:00</updated><title type='text'>Rema rema meu barquinho, por Natural.</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6120/904/1600/466394/DSC03434.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6120/904/400/6086/DSC03434.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116715276892219689?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116715276892219689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116715276892219689' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116715276892219689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116715276892219689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/rema-rema-meu-barquinho-por-natural.html' title='Rema rema meu barquinho, por Natural.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116715096661788996</id><published>2006-12-26T08:06:00.000-08:00</published><updated>2006-12-26T08:40:36.780-08:00</updated><title type='text'>O sol e a estrela.</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6120/904/1600/763173/DSC04295.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6120/904/320/81213/DSC04295.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116715096661788996?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116715096661788996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116715096661788996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116715096661788996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116715096661788996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/o-sol-e-estrela.html' title='O sol e a estrela.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116708465151006129</id><published>2006-12-25T13:59:00.000-08:00</published><updated>2006-12-25T14:10:51.530-08:00</updated><title type='text'>Os deuses do Araguaia.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Descobri que o feio é um caminho para o belo. A piranha me morde no pescoço, as muriçocas picam o tornozelo, o ouvido, os pêlos. Ela urra como a onça, me espinha, fura, arranha, risca minhas costas no desespero da luxúria. Tenho vontade de sová-la, mas prefiro me manter quieto, contínuo. Ela diz as insanidades que me enaltecem; adoro ser comparado à qualquer coisa ou ser qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O túnel do tempo foi feito no meio da floresta, e nele nos perdemos. As pegadas da onça assustam somente os brincalhões. Sabedoria repassada de pai pra filho. Os Xavantes, quem tem a chave dos Andes, é que sabem da real história. Os Carajás sucumbem aos encantos do consumismo. Os mascates faliram, pois os artesanatos Carajás agora custam é dinheiro variando o preço de acordo com a cara do freguês. Quero mesmo é lamber o óleo que escorre daquela índia que me olha encucada, dizer pra ela nada porque somente o nada ela entenderia. Na língua Carajá há duas formas de se falar, uma que é dos homens e outra das mulheres. O sujeito precisa aprender a falar em masculino Carajá e a ouvir em feminino. Qualquer confusão verbal pode lhe trazer constrangimentos, desrespeito ou até a escravidão dentro do grupo. Mas são desleixados, não fabricam mais seus ornamentos como dantes, são displicentes. Na cidade são desordeiros, bebem, brigam, trazem problemas às pessoas. Os Xavantes fazem coisas muito mais elaboradas e interessantes. Os Xavantes têm o segredo. Atravessam a América do sul da região do Xingu diretamente pros Andes por passagens subterrâneas. Há quem fale a mesma língua Guarani no Araguaia e no Rio Grande do Sul. Como? Os Xavantes são cortezes, respeitosos. Têm veículos automotores e trajes de brancos, mas quando voltam à aldeia, despem-se todos e retornam aos velhos e sacros costumes. Os Carajás são índios embranquecidos vivendo em resevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento que divisa meus cabelos e faz meu rosto eclodir é miraculoso, vem das águas imensas, profundas. O Araguaia é um mar na época da cheia. O Natural me explicou um monte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite vou pro forró me esfregar na paraibana, sonhando com a índia da aldeia. São todos pagãos, o dia para eles não importa, para mim também não. Vovó grila: “dia de ficar em casa”. Quero mesmo é saber do gosto dos outros, do gosto do Araguaia, do vento, do céu, da terra, da água, dos peixes, da floresta. Quero ser tudo e todos eles. O Matusalém poderia muito bem se chamar Florestasalém, ou Selvasalém. Eu quero mesmo é lamber o nariz batatudo daquela índia que me olhava encabulada. Câmeras são proibidas, mas o Natural vai nos descolar uma autorização com o cacique. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou virar terra, pirarucú, pirosca, ou o boto que nos cativou olhares encantados. Eles pulam, nadam, brincam satisfeitos. Eu poderia ser um boto, ou uma orquídia no topo da sancam. Eu poderia ser a lundí que vira botes pros índios, a garça branca, o martin pescador, a jacaranga. Eu poderia ser o Araguaia que escorre o sangue doce da terra e se multiplica em braços, armadas, ilhas, a Ilha do Bananal; o rio que é tingido de azul-marrón e cingido por voadeiras voadoras.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116708465151006129?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116708465151006129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116708465151006129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116708465151006129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116708465151006129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/os-deuses-do-araguaia.html' title='Os deuses do Araguaia.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116698614645787501</id><published>2006-12-24T10:48:00.000-08:00</published><updated>2006-12-24T10:49:06.476-08:00</updated><title type='text'>O belo e o feio.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pena dos miseráveis da feiúra. O feio é e sempre será feio, desajeitado, rejeitado, cuspido, atirado. O feio é a quebra na seqüência do belo, do harmonioso. O fútil é o belo, o politizado é o feio. Quero que a política se dane. Um brinde à harmonia dos belos. Caminham; não! Escoam os feios, os podres, os desleixados. Os belos amaciam. Redundam fracasso, escassez, miséria, os feios. Asseguram o amor, a fluência, a cadência, o ritmo perfeito das eventualidades, os belos. Gosto mesmo é do gosto dos outros, belos. A bestialidade do horrendo me conduz às latrinas do inferno. Sorvo o enxofre e devolvo pétalas em brasas que respingam indecência. A magnitude do sublime me remete violentamente à agonia do prazer; àquela sensação incabível de ventura, ardor pelo torpor do amor, flatulência excessiva de idéias prazerosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alvorada no cerrado encanta. Ao lado, tudo fede. O grotesco me cutuca na madrugada fria. O sol me enleva, fazendo o doce contraponto. Eu sei mesmo curtir as coisas, me decodificar, refazer-me mil e setecentas vezes e quantas mais forem necessárias para entender o derredor, para me caber, para me encaixar em qual quer que seja a circunstância. A aurora fabulosa que penetra a fresta ventosa da janela me submete ao descaso da própria pequenez. Ao lado vejo porcos, para fora vejo deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caixinhas de Anador, creme dental e cigarro Hollywood. Tudo amontoado perto do café doce. Café de açúcar temperado com café. Chá de melado com pó negro. Pão-de-queijo fresquinho que, após ser ingerido, faz-me pensar que deveria ter engolido era a pastilha de Anador para acabar com aquela latência maldita. Secreção na madrugada. Eu secreto. Excreto-me todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvorada: belo ou feio?&lt;br /&gt;Cerrado: belo ou feio?&lt;br /&gt;Alvorada no Cerrado: belo ou feio?&lt;br /&gt;Homens no Cerrado: belo ou feio?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116698614645787501?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116698614645787501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116698614645787501' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116698614645787501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116698614645787501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/o-belo-e-o-feio.html' title='O belo e o feio.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116632538886200331</id><published>2006-12-16T18:51:00.000-08:00</published><updated>2006-12-16T19:16:28.876-08:00</updated><title type='text'>Rúcula amarga.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um só momento pode desfazer toda a seriedade do mundo. Há casais antigos embalados pelas mesmas modinhas que embalam casais hoje. E tudo passa por ali, seco. Secar as flores. Desvendar as teias. As plantas de Vovó não deveriam murchar. Por que murcham então, se não devem? Por quê dos carrapatos? Por quê das palavras tão grosseiras? Quero suavizar e você me arrebenta. O orgão por dentro está seco. Tem bebido demais? Eu também, infelizmente. Tenho buscado coisas que não foram feitas para mim. O que você tem buscado? Verdades inatingíveis? Passos largos que fogem da cruz, do abismo ou do furacão? O que você tem realmente gostado de fazer? Vamos lá, me diga, não vou censurá-la por isso. Se não quer dizer, não me importo. Se não quiser gozar, também. Se não quiser ficar, o dinheiro do táxi está sobre o criado-mudo. Se quiser se drogar e esquecer tudo, há um pouco de pó na gaveta, há Tequila no bar. O que você quiser, posso arranjar. Mas não quero nada; você se importa de eu não querer nada? Eu também gosto muito desta música. Não, não sei tocá-la. Sabe, eu toco muito mal; costumo dizer que toco para mim mesmo. Mas se você realmente quiser, posso aprendê-la. Você tem? Não, eu acho que não tenho mais camisinhas. Também não quero mais, páre com isso, é melhor. Você está cheirada, por isso quer tanto. Não, não é isso. Eu gosto sim de você, mas agora tá foda, eu tô no automático, marcha lenta, não dá. Já disse, se quiser ir embora, o dinheiro do táxi está ali. Esqueça o que eu disse sobre o pó na gaveta. Você não deve mais... Fotos? Tenho. Quer ver em álbuns ou no computador? Naturalmente, as fotos dos álbuns são da minha infância. Desde que as pessoas começaram a ter câmeras digitais, só tenho tido fotos em pastas no computador, nunca mais álbuns. De vez em quando me imprimem algo para presente, ou colam em seus murais; é, às vezes eu também cruzo com uma minha na casa de alguém. Mas não as tenho. Ah, aqui nesta caixa tem um álbum recente. É de um amigo que imprimiu todas as fotos de um ano inteiro em festas, jantares, almoços, passeios, todas em que eu estava. Olha só, algumas são bonitas né. Bom, fique à vontade, vou preparar algo para comer. Você gosta de rúcula e tomate seco? Não, não vou fazer algo só com rúcula e tomate seco, mas preciso saber se você gosta. Ok. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116632538886200331?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116632538886200331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116632538886200331' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116632538886200331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116632538886200331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/rcula-amarga.html' title='Rúcula amarga.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116611636882052281</id><published>2006-12-14T09:08:00.000-08:00</published><updated>2006-12-14T09:17:26.536-08:00</updated><title type='text'>O Carnaval que não começou.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Andava pros lados sem saber o que dizer. A garganta seca com o pó do ventre de uma doce esposa. Não tinha dinheiro para uma cerveja, ânimo para um cigarro, desejo de se mover. A banda passou ao seu lado fazendo graça do carnaval que nunca acaba. O palhaço disse que estava triste demais para dizer por que sorria. As marchas o atropelaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carnaval é aluguel de tristeza. Vendeu os papéis picados do bolso para poder seguir com a bandinha que tocava as marchas. Viu a menina do rosto azul e pediu por quê. Ela também disse estar triste demais para responder. Um filme azul, um dia roxo, era tudo o que queria ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu com a bandinha sem rumo nem coragem para desistir. Foi levado pelo som das cornetas, do clarinete, pelas batidas ligeiras da caixa e do tamborim. Não podia dizer não. E por detrás do sorriso pintado e do rosto coberto de pó de arroz, uma face doída expressava angústia mal dormida. Duas mulheres com duas agonias o acompanhavam até o final da avenida. Sambavam, brincavam, se entrecortavam nos rápidos instantes de alegria passageira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bonde passou e espirrou água da chuva do dia anterior em sua camisa. Estava bêbado, sujo, tinha dormido na rua ao som da banda passar e tinha que ir pra casa. Preferiu não ir. Conseguiu um cigarro de alguém e ficou na calçada, encolhido, tímido, temeroso, pensando em tudo o que tinha feito e desfeito, se havia algo a se arrepender. Olhar o rosto desconsolado da mulher o mataria. Chegaria em casa e ela estaria só, desamparada, desesperançada. Fazia tanto mal à ela que não mais sabia o que era amar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia mudou o seu tempo. Passou a ver as coisas sempre mas claras. A insensatez foi cancelada. Nunca mais o palhaço chorou de tristeza. A mulher murchou ao som da marchinha da finitude que dizia que naquele ano não haveria carnaval. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116611636882052281?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116611636882052281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116611636882052281' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116611636882052281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116611636882052281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/o-carnaval-que-no-comeou.html' title='O Carnaval que não começou.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116606064988473356</id><published>2006-12-13T17:42:00.000-08:00</published><updated>2006-12-13T17:44:09.896-08:00</updated><title type='text'>.</title><content type='html'>- Sabe o que acontece quando eu escorrego meu dedo por seu corpo?&lt;br /&gt;- Não, o quê?&lt;br /&gt;- Seus nervos se contorcem. Seus pêlos retraem. Seus cílios bailam. Seus hormônios se multiplicam. Sua clave goteja.&lt;br /&gt;- Como sabe?&lt;br /&gt;- Sinto pelo toque. Sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116606064988473356?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116606064988473356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116606064988473356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116606064988473356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116606064988473356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/blog-post.html' title='.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116597886568846082</id><published>2006-12-12T18:59:00.000-08:00</published><updated>2006-12-12T19:01:05.703-08:00</updated><title type='text'>Dizer é quase sempre dispensável demais.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Atravessei o temporal sem um pio. Suando cacos de vidro. Indolor, aspirei toda a resina do ar da cidade; um caos. Eu era o caos dentro do dia. Nessa cidade tem de tudo. &lt;em&gt;Se você não gostar das montanhas, há o mar, a praia; se não gostar do mar, há o campo; se não gostar do campo, há a cidade, as luzes; se não gostar de nada disso, suicide.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A rotina na contramão. O cheiro da moça recende à quilômetros de distância. Preciso recolher as roupas do varal que esturricam. O Kibe é demais de incompetente. Vontade de enforcar. O quê? O cão, é claro. Eu tenho quinhão, peito, astúcia e dor de ventre pra bater no peito e me enfiar entre aqueles babacas. Eu disse e fiz, vou mostrar meus resultados a eles. Nenhum prognóstico venceu. Sei. Vendo louças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso recolher as roupas, desfazer as malas, lavar as cuecas. Tragar mais daquele cigarro imaginário que tanto me conforta. Até o céu concorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos são sopros, dicas, conselhos sobre como triturar suas costelas. Acho que perdi um pouco do fio da meada, algo muito inferior a o quê é realmente preciso para arrebentar as amarras, destrinchar os fios, desamarrar os grampos. Quero mesmo é a imensidão do vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As marchinhas ritmam meu peito, que dói ao vê-la tristonha. Ela pula, sapeca, sapateia como mulher brava. E ela realmente o é. Mas eu não quero vê-la assim, por isso faço graça. Troço do que talvez lhe seja a dor. Dói em mim também. Mas não quero ver, ser, sentir. Venço e subestimo moléstias alheias, suprimo as minhas. Reclamo dos toques que não me chegam. Dos dizeres que não me agradam. Eu podia tocá-la toda e parar com esta merda de &lt;em&gt;blablablá&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;nãnãnã&lt;/em&gt;. Fazer somente o essencial. Não dizer porque dizer quase sempre é dispensável demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116597886568846082?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116597886568846082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116597886568846082' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116597886568846082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116597886568846082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/dizer-quase-sempre-dispensvel-demais.html' title='Dizer é quase sempre dispensável demais.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116499237224996152</id><published>2006-12-01T08:58:00.000-08:00</published><updated>2006-12-01T08:59:32.260-08:00</updated><title type='text'>Eulalinha.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Incendeia! Incendeia!”, gritava Eulália à porta de sua casa, e foi assim que fiquei conhecendo a Jabuticaba, Eulalinha olhos de lantejoula preta, fantástica, que, apesar de me despertar às dez da manhã, conseguia me manter na linha tênue que segura o bom-humor durante o resto do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi a ela poemas que diziam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Verterei lágrimas com chapas de dor para serem partículas menores,&lt;br /&gt;Grãos de sofrimento condensados em pequenos momentos passageiros.&lt;br /&gt;Viverei de ti, consumirei o ardor de te ver, de te sentir e de te tocar, Eulalinha!&lt;br /&gt;Vem para perto.&lt;br /&gt;Vive o intenso gozo da luz do dia!&lt;br /&gt;Parte aquela acha que te incendeia de desgosto&lt;br /&gt;E eu te ajudarei, Eulalinha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia saímos à tarde para passear pelas ruas arborizadas. O miserável que lhe dividia a cama estava no trabalho. Concordamos no silêncio. Discordamos do vazio e definimos diferenças. Sôfrego e trôpego, eu bolava estratagemas para liquidá-lo. E assim escrevia poemas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eulalinha, vamos doer! Vamos construir um mundo verdadeiro,&lt;br /&gt;Desconsideremos as adversidades, não tem vicissitude, esquece-as!,&lt;br /&gt;O mundo é das flores, dos sentidos, não há pensamento em fluir,&lt;br /&gt;O fim é relativo, pode ser apenas uma passagem,&lt;br /&gt;O fim de um representa a liberdade do outro,&lt;br /&gt;Mas, na verdade, ambos se libertarão,&lt;br /&gt;Somos mazelas, tristezas, tragédias,&lt;br /&gt;Superemos! Superemos tudo, eulalinha!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eulália às vezes não reagia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é muitas vezes tão só cruel que nos desvincula de seus atributos. Os dias voam, enquanto que alguns segundos perduram. O antagonismo na relatividade do tempo machuca nervuras calejadas. Há de tentar manter-se imune, liso, livre e cauterizado das más conseqüências, também das más causas. Verdades perseguem atos. Cumpri-los é mera questão de tempo. Toda nudez será castigada! Toda nudez será castigada! Seja de alma, de inteligência, de decência, de amoralidade, de persistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava na fila para o banheiro do boteco que freqüento todas às sextas. Uma garota não parava de me olhar, desde quando eu estava na mesa ao lado da dela. Um amigo veio me abordar, vèado, disse que a amiga não estava afim! “Por que me olha tanto então?”, “Ah, ela é assim mesmo, indiscreta!”. Mais tarde, depois de já ter me apresentado a todos de sua mesa, e de ter tido com ela alguma conversa, voltei a procurá-la. “Onde está Luciana?”; “E você vem perguntar justo pra mim? Otário!, não sei onde está a Luciana e se soubesse não falaria!”; “Cruzes, me desculpe, qual é o seu problema?”; “Eu não tenho problema nenhum, você é que tem!”; “Escuta aqui docinho, não vou ficar ouvindo desaforos de você, está bem?! Eu sei que vocês são amigas porque estavam juntas conversando, quero que vá lá e diga a sua amiga que quero passear com ela esta noite, ok, mande-a vir falar comigo, vou estar ali no balcão tomando uma cerveja. Entendeu?”; “Vá se foder, quem você pensa que é?”; “Oras, eu sou jesus cristo, quem mais eu poderia ser?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns minutos, desisti e resolvi pegar o carro para ir a outro lugar, quem sabe encontrava algum conhecido para um papo furado e mais algumas cervejas, ainda era muito cedo para ir pra casa. No caminho, resolvi passar num posto para pegar uma, e vi Luciana se pegando com a amiga enfezada. Maldição, pensei, a vadia ainda é lésbica; de certo ficava me secando por causa de algum amigo vèado que estava com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, transtornado, fui para casa ler Sexus, Plexus e Nexus.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116499237224996152?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116499237224996152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116499237224996152' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116499237224996152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116499237224996152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/12/eulalinha.html' title='Eulalinha.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116468369293565130</id><published>2006-11-27T19:09:00.000-08:00</published><updated>2006-11-27T19:15:13.996-08:00</updated><title type='text'>Série Vestibular: O início da vida.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma parte da vida, ou principalmente o início dela, é exatamente um campo experimental onde deve-se provar de tudo um pouco. Aceita-se chupar excrementos, alisar nervuras, massagear egos próprios e alheios, cuspir em pratos limpos, rosnar para cães endemoniados. O que vale é sentir o sabor, o mais saboroso sabor do néctar, sublinhando o paladar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cadela pariu cinco cãezinhos. Já se cansa deles. Quer de volta a sua vida mansa de antes. Os cafunés, as carícias indivisíveis, os quitutes proibidos. Dizemos a ela: “Vai Nana, dá mamá pros seus filhotes”, e ela abana o rabo, mas não de alegria, é de desconsolo. Tenta nos dissuadir da idéia de que ela tem de amamentá-los. Dia desses, certamente tensa, Nana atacou uma pomba. Vovó disse que é da natureza dela, “instinto”. Mas não sei, tenho medo de que ela pegue alguma doença, essas pombas parecem sebosas. Sei que, segundo Vovó, ela engatinhou pela varanda, onde uma pomba comia farelos de ração para cães, e deu um bote. Depois a pomba se debateu um pouco e a Nana saiu com ela na boca, como quem pensa: “Onde vou me servir?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dona Rosa, posso chegar até que horas na escola?&lt;br /&gt;- Só até a segunda aula.&lt;br /&gt;- Mas tem dias que tenho uns problemas e acabo precisando chegar na terceira.&lt;br /&gt;- Eu só deixo entrar até a segunda.&lt;br /&gt;- Posso sair hoje mais cedo então?&lt;br /&gt;- Mais cedo que horas?&lt;br /&gt;- Antes da última aula?&lt;br /&gt;- Precisa falar com o Bosco.&lt;br /&gt;- Beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que o sono sobrepuja sujeitos de isopor. Ficamos assim, prostrados vidrados no teto branco que parece pingar felpas. Ele diz que devo me mover, mas não dá. Toda a força de resistência da atmosfera age em desfavor. Depois, Vovó vem me chamar às oito, grilada. Fala mil coisas horríveis sobre o meu caráter e faz com que eu me sinta o crápula indecoroso que realmente sou. Aí me faço de vítima. Digo que todos me odeiam. Que sou um enorme erro. Daí ela fica com dó, até eu começar a lhe pedir comidas especiais. Então ri e me chama de bustica embusteiro. Chega a hora de fazer promessas para o futuro, e venço o mais ardiloso dos trapaceiros. Quando são dez da manhã, Vovó acredita novamente em mim, critica os nerds idiotas que vão todos os dias à aula, fala orgulhosa que eu é que estou certo de saber dosar a vida e levá-la na flauta. Qualidade é a palavra, finalizamos ao meio-dia comendo uma &lt;em&gt;lasagna&lt;/em&gt; suculentamente nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo completamente essas pessoas que me amam ou me odeiam, e muitas vezes fazem isso várias vezes num dia só. Desacreditam tanto, que fico sendo o maior dos miseráveis e, de repente, consigo mudar. Embora minha voz seja asquerosa e minhas palavras fechadas, cansadas e de gente preguiçosa, há muitos que afirmam que tenho lábia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou formado de altos e baixos tão antagônicos que já não mais diferencio o cheiro da minha própria flatulência do cheiro de gasolina dos postos. Como é bom. Às vezes vou ao posto com os únicos &lt;em&gt;cincão&lt;/em&gt; que tenho no bolso só para sentir aquele cheirinho redentor. Que delícia, um gozo, que maravilha. Faço uma expressão sublime e digo ao frentista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Cinquete&lt;/em&gt;, per favore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ri e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá quase nada.&lt;br /&gt;- Eu sei, cacete, põe cincão aí logo, ô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caranga da Vovó é boa por causa disso, inebria minhas narinas com aquele cheiro ardente de hidrocarboneto. Funciono o carro com a cabeça pra fora da janela, só para sentir aquela brisa que sai do escapamento. E então saio loucamente pelos bulevares arborizados que fedem à mofo de chuva não chovida, ou poeira não espirrada, me banhando em petróleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cães vêm logo me receber quando chego. É tanta alegria que parecem meus filhos. Sempre acabo me condoendo e arranjo qualquer coisa para dar a eles. Tipo um pedaço de salame, calabresa, queijo. Os cães adoram essas coisas, e é como se eu me sentisse na obrigação de agradá-los. As recepções calorosas que me oferecem podem salvar dias de segundos inteiros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116468369293565130?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116468369293565130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116468369293565130' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116468369293565130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116468369293565130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/srie-vestibular-o-incio-da-vida.html' title='Série Vestibular: O início da vida.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116416852869116661</id><published>2006-11-21T20:08:00.000-08:00</published><updated>2006-11-21T20:17:51.546-08:00</updated><title type='text'>Série Vestibular: O professor de geografia é doidão.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O professor de geografia é doidão. Ele dá duas aulas todas as manhãs de segunda-feira. Chega sempre falando de feijoada, churrasco, com a cara inchada dizendo que estamos todos fodidos. É um bosta, na moral. Mas gosto das aulas dele. Ele faz como quer, e isso dá certo. Não que todos os que fazem como querem, dão certo, mas ele dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menininha diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí Tiago, já resolveu o que vai fazer?&lt;br /&gt;- Já.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Diplomacia, eu quero ser um &lt;em&gt;diplomatico&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&amp;shy;- Legal.&lt;br /&gt;- E você?, pergunto.&lt;br /&gt;- Eu vou fazer medicina.&lt;br /&gt;- Putz, que bosta, se fodeu hem fía, então estuda pra cacete que é foda.&lt;br /&gt;- Credo, que horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ela me vira a cara e cochicha com a colega que se senta do outro lado. Certamente diz: “Que &lt;em&gt;trash&lt;/em&gt; esse Tiago, só fala loucura, eu acho que ele é doente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico pensando: “Quem cochicha o rabo espicha, &lt;em&gt;trash&lt;/em&gt; é o &lt;em&gt;cú&lt;/em&gt; da mãe...”, e coisas do gênero. Mas prefiro ficar calado, acho que não vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, passo três dias ou mais sem falar com ela, nem com ninguém. Há certas aulas, como as de exatas, que me causam uma sonolência tão profunda que mesmo se falam comigo, não reajo, não respondo. Durmo, e se não estou babando debruçado sobre a carteira, estou em transe fingindo prestar atenção em qualquer coisa que o professor diz. Puxa, é tão complicado aquilo. Quando dá meio-dia, a agonia toma conta. Os quinze minutos finais parecem mil e setecentos. Então soa o sinal, após o professor ter resolvido fazer mais um exercício porque ainda faltavam dois minutos. Um idiota fica com dúvida, e todos os outros idiotas – Nós - têm que esperar mais uns cinco ou seis minutos para sair, até que o idiota-mór esclareça seus problemas sexuais. Eu acho que um sujeito ter dúvidas de Química aos dois minutos para o término da aula é muito mais do que idiotice, é fracasso sexual, falta de punheta; várias gozadas &lt;em&gt;punhetísticas&lt;/em&gt; lhe foram interrompidas por mãe que não bate na porta, irmã que quer secar o cabelo no banheiro, pai filho-da-puta que pega o sujeito no flagrante e ainda fica tirando onda, só pode. Tenho dó de sujeitos assim, na moral, coisa triste. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em outros dias, a tragédia é tão pachorrenta quanto ridícula. Imbecis saem do comforto de suas camas e se deslocam até as cadeiras frias daquele anfiteatro para simplesmente dormir. Não que eu não seja um deles, mas é que tem horas que não dá, principalmente nas aulas de &lt;em&gt;blablabla&lt;/em&gt;. Além de tudo, pagam mensalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu ia dizendo, depois de algumas semanas sem ela me dirigir a palavra, surpreendentemente a menininha fabulosa diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas pra qual faculdade você pretende prestar?&lt;br /&gt;- Naquela faculdade católica bem cara, mas bem conceituada. Claro que também na pública. Mas a pública é só por obrigação. Eu realmente não acredito que passo.&lt;br /&gt;- E se você só passar na faculdade cara, vai fazer mesmo assim?&lt;br /&gt;- Vou ué, claro.&lt;br /&gt;- E como que vai pagar, se ela é cara?&lt;br /&gt;- Ah, aí dou um jeito, me viro, sei lá, sabe como é, a faculdade é católica, sempre tem um padre vèado que é reitor, ou vice-reitor, ou alguém que come os dois e tem influência. Sempre tem um jeito.&lt;br /&gt;- Credo. Mas pior que é verdade, as instituições católicas do mundo todo estão repletas de sacerdotes desviados. Mas não entendi, o que isso muda pra você?&lt;br /&gt;- Ah, eu presto favores sexuais pra eles. Meu, com a mensalidade da faculdade garantida, mais uns trocos pra beber no final de semana, tá tudo lindo.&lt;br /&gt;- Credo, você é nojento!&lt;br /&gt;- Eu não, os padrécos é que são. Eu tenho que me virar, e essa é uma das minhas possibilidades, por que não usá-la, né não? Olha bem aqui pra mim, pro meu rostinho de anjo, diz aí que nunca quis me comer, ãhm? Diz!, diz que eu quero ver. Se você me der trela, garota, eu &lt;em&gt;te&lt;/em&gt; levo pro mundo das delícias. Taco você na parede e &lt;em&gt;te&lt;/em&gt; deixo lá pregada e sem pregas no escorredor.&lt;br /&gt;- Asqueroso! Porco! Você precisava freqüentar o grupo de jovens conosco. É ali na igreja São José. Bem legal, costumamos nos reunir todos os sábados à tarde. Tocamos músicas de cristo, nos divertimos, bem legal mesmo. Venha um dia para ver.&lt;br /&gt;- Ah, eu não posso, não tenho tempo. Tenho estado muito corrido.&lt;br /&gt;- Mas é sábado à tarde, não tem aula, e duvido que você trabalha aos sábados à tarde.&lt;br /&gt;- É, realmente não, costumo estar pelos botecos tomando umas. Sabe como é, a gente vence a semana toda com um sofrimento danado. Sabadão à tarde a &lt;em&gt;dgeleada&lt;/em&gt; é sagrada.&lt;br /&gt;- E com quem que você vai?&lt;br /&gt;- Geralmente vou sozinho. Eu gosto de bar, sabe, de mesas de sinuca, de conversar com o botequeiro, principalmente com o Seu Osvaldo. Na maioria das vezes eu vou até lá, ele é bem gente boa. Aí pago fichas e cervas pra quem quiser jogar comigo. Eles sempre ganham as três primeiras, daí ficam com dó e começam a me deixar ganhar. Filhos-da-puta! Odeio quando percebo isso. Fico feliz por estar ganhando, e aí descubro que é de mentira. Normalmente são aqueles tipos que andam em malocas. São pessoas boas, apesar da aparência e dos modos ridículos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela se vira para contar tudo à colega que veste calça muito justa e botas extravagantes. Puxa vida, é cada coisa surreal que me acontece, &lt;em&gt;que vou te contar viu&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116416852869116661?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116416852869116661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116416852869116661' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116416852869116661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116416852869116661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/srie-vestibular-o-professor-de.html' title='Série Vestibular: O professor de geografia é doidão.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116416773453619065</id><published>2006-11-21T19:49:00.000-08:00</published><updated>2006-11-21T20:06:13.426-08:00</updated><title type='text'>Coletivo Arcada Dentária.</title><content type='html'>Osh cuiabano taum pubricano lá no brógui delis unsh trein pobrêma, num tein gurizaum! ah, bóra lá dá uma ishpiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://coletivoarcadadentaria.blogspot.com"&gt;tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiro.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116416773453619065?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116416773453619065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116416773453619065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116416773453619065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116416773453619065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/coletivo-arcada-dentria.html' title='Coletivo Arcada Dentária.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116399580897926895</id><published>2006-11-19T19:59:00.000-08:00</published><updated>2006-11-19T20:14:45.136-08:00</updated><title type='text'>Série Vestibular: Ainda é cedo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Começo cedo. Esquento a água para preparar meu café enquanto queimo uma fatia de pão com queijo no micro-ondas. Uma xícara enorme com um dedo do fundo coberto de açúcar mascavo é tudo o que necessito para sair da meia-fase. Café preto, bom, forte, cheiroso e doce. Tomo um copo de água, engulo o pão, vou para a sala com a xícara e ligo a televisão. As notícias de manhã são sempre as mais legais, e o melhor de tudo é chegar na escola já sabendo várias besteiras sem ter tido que folhear o diário impresso. Quando a xícara de café acaba, enfio o dedo no nariz. Daí são mais quinze ou vinte minutos, dependendo da gravidade das notícias. Coço, cutuco e acaricio meu cérebro pela parte interna da narina. Às vezes uma coriza escorre, de boa; em outras, estouro alguma veia e sangro. Logo que me canso da tv, vou ao banheiro e dou aquela mijada amarela. Em algumas manhãs, tenho até de virar o rosto por causa do cheiro forte de amônia que sobe do vaso. Alas! E aí saio para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem critique o horário em que me levanto. Dizem que sou louco, podia enrolar mais trinta minutos na cama. Que nada, loucos são eles, sempre apressados. Escrotos, malditos. Levantar-se tem de ser um ritual cuidadoso. Ninguém vem ao mundo assim cuspido. Ninguém decente, digo. Nos tempos da saliência excessiva, paciência se torna três vezes virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encho o pneu da bicicleta todos os dias. Só o traseiro. Ele sempre amanhece murcho. Dia desses levei a magrela ao borracheiro, ou bicicleteiro, sei lá que &lt;em&gt;porra&lt;/em&gt; era aquela, e o sujeito a virou de ponta-cabeça; desparafusou e tirou a roda. Abriu o pneu pelos cantos até chegar na câmara. Daí enfiou ela numa caixa d’água improvisada. Rodou, girou, mexeu, e por fim disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem furo aqui não, meu.&lt;br /&gt;- Tem sim cara, todas as manhãs eu tenho que pedalar naquela bombinha pra encher. Tá furado sim, vê direito isso aí.&lt;br /&gt;- Não tá cara, já vi.&lt;br /&gt;- Ah bom, então sei lá quê que isso.&lt;br /&gt;- Posso montar?&lt;br /&gt;- Pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei uma moeda de cinqüenta centavos e quis dar a ele. Não quis, o mané, disse que não era nada. Mas deixei-a lá mesmo assim, a &lt;em&gt;moedita&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedalei grilado de volta para casa e disse pra Vovó:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô vó, eu levei a bike lá pro homi e ele disse que não tava furada.&lt;br /&gt;- Mas como?&lt;br /&gt;- Ah, sei lá, a bike não tá furada. Ou eu tô muito louco ou ela murcha sozinha, porque eu bem sei que todas as manhãs xingo deus por ter de pedalar naquela bombinha escrota pra encher o pneu.&lt;br /&gt;- É, sei lá então. Mas e agora, o que fazer?&lt;br /&gt;- Ah, sei lá, de certo vou continuar me fodendo, ou então faço como fiz nos últimos dois dias: vou com o pneu murcho mesmo.&lt;br /&gt;- Mas dá pra ir assim?&lt;br /&gt;- Ah, dá ué. É meio puxado o negócio, sabe, fica pesado pra pedalar, eu sinto todas as pedrinhas do asfalto rimbombarem na minha bunda. É porque o selim, sabe, sem o apoio do pneu cheio, fica muito sensível, e se o selim fica sensível, meu traseiro sente. E às vezes eu vejo uns otários rindo de mim na rua. Outros tentam ser bonzinhos e me gritam: “Ô doidão, seu pneu tá furado!”, daí eu respondo: “Êu sêei, podicrê, valeu bicho”.&lt;br /&gt;- Vixi, tá danado então.&lt;br /&gt;- É.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116399580897926895?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116399580897926895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116399580897926895' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116399580897926895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116399580897926895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/srie-vestibular-ainda-cedo.html' title='Série Vestibular: Ainda é cedo.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116396490130567656</id><published>2006-11-19T11:34:00.000-08:00</published><updated>2006-11-19T20:27:36.673-08:00</updated><title type='text'>Saber querer?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quero dar voltas no céu. Tingir os olhos de azul turquesa e cuspir divindades, entidades, instituições, intuições. Vou chamá-la para dançar e levá-la ao horizonte pleno onde as nuvens são alcachofras com textura de algodão e os alhos têm dentes que dizem coisas sobre mim, sobre você, sobre os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, bem longe de tudo, o vento divisa seu cabelo, os mosquitos beijam-na com carinho e delicadeza; as mãos ficam sempre limpas e o nariz jamais se sente agredido. As voltas que a linha máxima da altura nos proporciona são inesquecíveis. Os dedos, os carretéis de fio de novelo, o papel manteiga cheio de seda, o cetim dourado, você com os dias contados infinitos. Será tudo muito simples, muito tudo isso, muito tudo parte de um todo tão complexo que não se alcança a nossa cognição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bicicletas pedalam os instantes mais falsos. Vejo com serenidade a amargura da mesmice. São todas iguais, não você. Há algo de importante para ser feito? Que haja, pois não farei! Quero saber das flores que ficaram de ser trazidas até minha redoma. Abaixe esta bandeira de mote do açúcar, você tem a doçura necessária; suficiente. Deveríamos forçá-las, as falsas, ao cadafalso. Elas me dizem tanta baboseira, meu bem, tanta, faça-as parar, por favor! Antes era sujo e feio e, de repente, passo a ser legal e elegante. Eu nunca quis ouvir qualquer coisa delas, somente comê-las. O simples, o puro, o básico, o natural. E elas agora, na verdade, querem me (des)agradar. Preciso de luvas para tocá-las sem me contaminar. São poços de mentiras luxuosas. Crescem os olhos à cobiça; crescem aos olhos da cobiça. Comem-me com falsa modéstia. O que digo se torna lei, a lei. Eu quero que a lei pare de existir, só por causa delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes tudo era muito feio. E agora continua sendo, exceto isso, exceto os domingos, exceto você. Vamos viver a eterna sexta-feira, alegre. Fazer exercícios para não ficarmos velhos. Subir morros, montes e montanhas para avistar tudo aquilo que não cabe em nós, que não é nosso, que não pertence a nós, que não entra em nossas pupilas constantemente dilatadas. Eu tenho o fogo das virtudes em minhas vísceras, e não vou entregá-lo assim tão fácil. Quero dizer tudo, mas não posso, não sei, não tenho mais o que fazer, dizer, tampouco a quem recorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha, vamos partir. O sol nos conclama a ferver a frieza dos dias mais medíocres. Esqueçamo-los de uma só vez para podermos substanciar a última escolha: a decência de uma vida sem-igual.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116396490130567656?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116396490130567656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116396490130567656' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116396490130567656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116396490130567656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/saber-querer.html' title='Saber querer?'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116390504148984272</id><published>2006-11-18T18:52:00.000-08:00</published><updated>2006-11-18T18:57:21.496-08:00</updated><title type='text'>Libélula virou camélia; vedete do chacrinha que já foi a África.</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6120/904/1600/0000-6540-4.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6120/904/320/0000-6540-4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como você vem me dizer que está tarde para o fim? Há dia e hora marcada para o fim? Nunca houve, camélia, nunca haverá. Eu quero e eu dito, decido, defino. O que é pra ser, será. Compreende? De qualquer forma, eu a respeito, embora não devesse. Vê esta garrafa pela metade? Beba-a toda e eu a entenderei. Será absolvida, moléstia. O fim é a cura com o começo do penar próximo ao pesar. Carregar é muito mais do que suportar, é ludibriar sensações que aproximam sujeitos da esquizofrenia. Eu venci e tenho vencido, e o seu problema, camélia, é exatamente este: não aceitar sua derrota, ou minha vitória, ou não me aceitar. Aceite-me e as coisas serão mais fáceis. Eu dito as regras do jogo. Eu componho as leis. Eu sei como deve e como não deve a coisa ser. Olhe atentamente para mim e diga se estou errado, camélia!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116390504148984272?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116390504148984272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116390504148984272' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116390504148984272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116390504148984272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/liblula-virou-camlia-vedete-do.html' title='Libélula virou camélia; vedete do chacrinha que já foi a África.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116387910964264435</id><published>2006-11-18T11:43:00.001-08:00</published><updated>2006-11-18T11:45:09.656-08:00</updated><title type='text'>Marconi Leal.</title><content type='html'>O &lt;a href="http://marconileal.zip.net/"&gt;Marconi Leal&lt;/a&gt; está arrebetando, fazia tempo que não ria tanto. Por favor, acessem o &lt;a href="http://marconileal.zip.net/"&gt;blogue&lt;/a&gt; dele e caiam no riso gostoso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116387910964264435?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116387910964264435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116387910964264435' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116387910964264435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116387910964264435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/marconi-leal_18.html' title='Marconi Leal.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116377291257180397</id><published>2006-11-17T06:11:00.000-08:00</published><updated>2006-11-17T06:18:21.636-08:00</updated><title type='text'>Aspas, Alvarêz Dewïzqe.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Historiadores acreditam que Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006, Alvarêz Dewïsqe publicou este conto em seu blogue:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A morte quer passear de trem. Das três garrafas de vinho que havia comprado para passar a noite anterior, havia sobrado apenas o suficiente para encher uma taça, talvez duas, se tivesse sorte. Pegou a garrafa e encheu a taça, mas não teve sorte. Emborcou o vinho de uma só vez, esfregou a mão na boca e deu um arroto. Depois calçou os sapatos e saiu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era uma agradável noite de início de inverno. Entrou no fusca e saiu girando pela cidade em busca de um lugar onde beber. Encontrou um bar aberto e encostou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dois bêbados jogavam baralho sobre uma mesa, no canto do bar. O rádio tocava uma velha canção de Dylan. Havia uma dama sentada ao balcão, fumando cigarro e tomando alguma coisa parecida com uísque ou conhaque. Realmente uma dama, havia distinção e classe no seu jeito, sua postura, a forma como se vestia. Seus olhos diziam que ela estava mergulhada em algum pensamento, em algum lugar bem longe dali. Ele caminhou até o balcão e sentou ao lado dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- O que é pior, a tortura física ou a morte? – Perguntou ela, com os olhos ainda fixos em nada.&lt;br /&gt;- Baby, quem sabe tortura seguida de morte seja a melhor saída. – Sugeriu ele e em seguida pediu uma dose de conhaque para ele e outro para ela.&lt;br /&gt;- Já matou alguém?&lt;br /&gt;- Física e intelectualmente.&lt;br /&gt;- E o que veio depois?&lt;br /&gt;- Um desejo louco de fazer sexo. Quero dizer, não é fácil olhar aquele corpo estirado e não sentir desejo.&lt;br /&gt;- Entendo. – A bebida veio e ela derrubou numa virada. Ele levantou a dele e entornou, também.&lt;br /&gt;Ele reparou os arranhões nos braços dela e perguntou. – O que houve? – E depois virando para o garçom. – Mais duas!&lt;br /&gt;- Bem, nem todos aceitam que a morte é a última estação e acabam relutando para valer antes de serem jogados para fora do trem.&lt;br /&gt;- Ei, você é uma dama de classe, gostei de você, pra valer. – Acendeu um cigarro. - Como se chama?&lt;br /&gt;- Morte. – Respondeu ela, olhando-o nos olhos e sorrindo um sorriso encantador. – Dança essa música comigo?&lt;br /&gt;- Claro. – Respondeu ele, tomando Morte pelas mãos e tirando-a para uma dança.&lt;br /&gt;Quando a música terminou, ela sussurrou ao ouvido dele. – Sexo, sempre mais sexo, tem algum para me oferecer? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele pagou os drinques e a levou até o fusca. Saiu e guiou rumo a sua casa. Pularam para cima da cama e se atracaram como dois insanos, esfomeados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando terminaram, ela vestiu-se e ele acendeu um cigarro. Em seguida ela foi até o banheiro. Saiu de lá seis minutos depois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Já passeou de trem? – Perguntou ela enquanto tirava um cigarro do maço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou em silêncio. Depois se levantou da cama e apontou um vaso de flores em cima da mesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Sabe que flores são essas? – E enquanto ela se distraía olhando as flores, ele tirou uma pá de detrás da porta e acertou a cabeça dela, em cheio. Ela cambaleou e se ajoelhou. – São lírios! – disse ele acertando a segunda, na orelha. Ela caiu e o sangue brotou. Ele pegou algumas sacolas plásticas e embrulhou a cabeça dela. Limpou o sangue no chão, depois arrastou o corpo até o fusca e jogou no banco do carona. Guiou em direção a ponte sobre o rio que desembocava no mar e atirou o corpo lá embaixo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Guiou de volta para casa e no meio do caminho lembrou que não tinha nada em casa para beber. Dobrou à esquerda e rumou até o bar onde estivera há alguns minutos atrás. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dois bêbados ainda jogavam baralho. Ao balcão uma moça bebia cerveja e balançava a perna direita aflitivamente. Ele caminhou até o balcão e sentou ao lado dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Olá.&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;- Você parece aflita. – E virando para o garçom. – Uma cerveja!&lt;br /&gt;- Ó, sim, estou aflita!&lt;br /&gt;- O que te aflige?&lt;br /&gt;- Minha mãe.&lt;br /&gt;- O que há com sua mãe?&lt;br /&gt;- Acertei com ela de nos encontrarmos aqui, mais cedo, só que me atrasei. Quando cheguei não a vi, perguntei para o garçom e ele me disse que uma mulher havia acabado de sair com um homem. Ó Deus! Ela é um tanto desmiolada, ultimamente estava insistindo em umas histórias sobre morte e torturas. Tenho medo que ela possa fazer alguma bobagem. Ela é maníaco-depressiva, e não pode ficar sem tomar seus remédios.&lt;br /&gt;- Não se aflija, baby, pode ser que ela esteja por aí, só dando uma volta, arejando a cabeça. – Enquanto isso o garçom punha a cerveja sobre o balcão, e fitava-o enigmaticamente.&lt;br /&gt;- Baby, estou com meu carro estacionado aí fora. Podemos dar um giro pela cidade, quem sabe encontramos sua mãe.&lt;br /&gt;- Mesmo? Você faria isso?&lt;br /&gt;- Vamos nessa. – Pôs uma nota de dez sobre o balcão e saiu com ela, apressado, sem olhar o garçom. Lá fora entraram no fusca e partiram. Giraram pela cidade por vários minutos.&lt;br /&gt;- Ó Deus! Ó Deus! Onde será que ela se meteu!&lt;br /&gt;- Ela está bem, baby. Relaxe. – Calou-se enquanto ela choramingava. Depois sugeriu. – Moro aqui perto, podemos ir até minha casa, te sirvo alguma coisa para beber, para relaxar, depois te levo em casa.&lt;br /&gt;- Ó, você é um anjo! Preciso mesmo de alguma coisa para relaxar.&lt;br /&gt;Já em casa, ele lembrou que não tinha nada para beber e ofereceu um cigarro a ela. Sentaram-se juntos na cama e ele a abraçou. Ela encostou a cabeça no ombro dele e ficou assim enquanto fumava seu cigarro.&lt;br /&gt;Quando o cigarro já estava na cepa, ela se levantou e olhou em volta.&lt;br /&gt;- Que flores lindas! São lírios, não são?&lt;br /&gt;- São sim.&lt;br /&gt;- Acho os lírios tão lindos! São as flores mais belas que existem.&lt;br /&gt;- Fique com esse vaso para você. Leve para sua mãe.&lt;br /&gt;- Ó, não posso fazer isso, você já foi tão bom comigo essa noite.&lt;br /&gt;- Que nada. Leve. Você é bonita como os lírios. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela sentou novamente ao lado dele e o abraçou, demoradamente. – Muito obrigado, se anjos existem você é um deles. – Ele sorriu em agradecimento e sugeriu leva-la embora, já era tarde. Ela concordou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Rodaram até o outro lado da cidade e pararam na esquina da rua onde ficava a casa dela. Ela deu um último abraço nele e beijou seu rosto, em seguida desceu do fusca com seu vaso de lírios nas mãos e seguiu caminhando até em casa. Ele deu a partida no fusca e foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;----------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais coisas podem ser lidas em &lt;a href="http://dewizqe.blogspot.com/"&gt;http://dewizqe.blogspot.com/&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116377291257180397?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116377291257180397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116377291257180397' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116377291257180397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116377291257180397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/aspas-alvarz-dewzqe.html' title='Aspas, Alvarêz Dewïzqe.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116373928890652698</id><published>2006-11-16T20:47:00.000-08:00</published><updated>2006-11-16T20:55:32.170-08:00</updated><title type='text'>A Bailarina que se esqueceu que dançava.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6120/904/1600/LM213.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6120/904/320/LM213.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;me telefona? vamos fazer a orgia dos nossos sonhos? o que? por que que eu só sei falar disso? é porque é a verdade suprema, a fusão máxima, é só assim que se vive, meu doce. tudo o que há antes é sobreviver, é algo bastante diferente. se todos eles nos disseram aquilo, não discorda!, não podes discordar. entendo tudo o que há para ser feito, vivido, entendido. respiro como as flores. margeio pelos moribundos. eu sei bem como fazer o céu parecer pedaços de carne. me entende. é fácil. prometo! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116373928890652698?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116373928890652698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116373928890652698' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116373928890652698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116373928890652698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/bailarina-que-se-esqueceu-que-danava.html' title='A Bailarina que se esqueceu que dançava.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116373440452676725</id><published>2006-11-16T19:27:00.000-08:00</published><updated>2006-11-16T19:48:48.606-08:00</updated><title type='text'>Complainte de la Butte.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Cara, quando você chega perto da decrepitude, ela se torna a coisa que você mais abomina desde então. Mas digo, você chegar perto da decrepitude, e não assistir à dos outros.&lt;br /&gt;- Parece que o amor chegou aí.&lt;br /&gt;- Eu não estava lá, mas eu vi, o amor me chegar, o amor próprio. Cara, nada tem um preço tão alto. Prefiro não ser tão altivo a ter que pagar com a decrepitude por saltos altos imorais, imaturos e altos demais, hormonais da juventude. Saltemos!, mas com uma gota de cautela, uma mínima que seja.&lt;br /&gt;- Parece que você está em processo de resfriamento.&lt;br /&gt;- De fato, tenho lido biografias. Não, cara, não quero ser como eles. E você sabe disso comparando o início das biografias que lê com as tardes ébrias que vive, com as segundas-feiras solitárias de discos e bebidas. Percebe que o fim se aproxima quando você ainda não tem barba na cara direito, e já se vê na iminência de ir a um prostíbulo. Considerando ter vivido toda a infância e a pré-adolescência achando o recurso do prostíbulo como o mais feio e desnecessário de todos. Após ter feito juramentos de que jamais faria assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cara, você já foi ao inferno e voltou?&lt;br /&gt;- Mais ou menos. E descobri que ainda há muito tempo. Talvez o inferno tenha me esterilizado.&lt;br /&gt;- Mas você não virou crente não, virou?&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Porra&lt;/em&gt;, que isso, longe de mim! Tomo cerveja, ainda, faço orgias, pulo muros e movo mares em busca delas, &lt;em&gt;les femmes&lt;/em&gt;. Mas, descobri que as coisas têm limites e horário marcado para acontecerem. Talvez aos cinqüenta tudo cesse.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Ah, não sei como dizer; qualquer tentativa pareceria uma pretensão metafísica minha, e também não quero pagar esse preço, não discuto metafísica.&lt;br /&gt;- Você acha que é importante discutir metafísica?&lt;br /&gt;- Um pouco, mas eu não me acho apto a discuti-la. Talvez a ouvi-la.&lt;br /&gt;- Que revolução!&lt;br /&gt;- Obrigado.&lt;br /&gt;- Vomitar numa quarta-feira sozinho em casa é pavoroso?&lt;br /&gt;- Absolutamente.&lt;br /&gt;- Você já fez isso?&lt;br /&gt;- Espero que não. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116373440452676725?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116373440452676725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116373440452676725' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116373440452676725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116373440452676725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/complainte-de-la-butte.html' title='Complainte de la Butte.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116339760545266769</id><published>2006-11-12T21:59:00.000-08:00</published><updated>2006-11-12T22:06:06.540-08:00</updated><title type='text'>Chuva; mofo; volume.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era um dia chuvoso quando entrei na loja que beirava o abismo. As prateleiras subiam ao teto como se ele não existisse. Os ácaros, a poeira e o cheiro de carvalho envelhecido eram sublimes numa atmosfera de idade imensurável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso ajudá-lo?&lt;br /&gt;- Quero só dar uma olhada, enquanto escapo da chuva.&lt;br /&gt;- Se depender da chuva, ficará aqui até fecharmos; se gostar de livros velhos, também.&lt;br /&gt;- Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro fazia calor e isso parecia acentuar o odor, velho, eterno, como se desde sempre existira. Os títulos que me apareciam na vertical confundiam. Eu os abria, via escritos arcaicos de uma língua que desconhecia. Desci algumas escadas e cheguei a uma sala onde havia mapas, de todos os tipos. O modo como eles viam o mundo era bastante diferente. Desenhavam animais em regiões onde supunham haver. Cachoeiras em locais que certamente as haviam visto. Regiões com os nomes dos duques, barões, condes ou reis que as possuíam. Os mapas dialogavam comigo e me davam a sua impressão equivocada de mundo. Eram velhos demais para aprender o novo, o certo, e o indecoroso; convenci-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixei a cabeça, segui uma flecha que indicava por onde ir e por onde não ir, e atingi a parte de literatura, já no segundo andar subterrâneo. Havia primeiras edições de clássicos; Dickens, Melville, Doyle, A. Miller; caríssimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As paredes eram forradas de papéis gastos; as partes descobertas eram mal rebocadas. Lâmpadas trincadas, forradas de teias e poeira restavam pelo chão. Muitos corredores começavam em portinholas com plaquetas que diziam: “Acesso exclusivo para funcionários”. Havia lavabos inacessíveis por todo canto onde donzelas já haviam feito sua toalete, ou iniciado. Eu podia notar também o cheiro da ausência de padres. Eles jamais suportariam aquele ambiente, era fátuo demais. Podem ter havido exceções, como os padres excomungados.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cheiro continuava a me atacar em cada fechada de volume, em cada olhada ao redor. O mundo mofava sobre mim e eu tentava escapar da chuva. O peso era demais. Saí e respirei o ar puro. Deixei meu guarda-chuva aberto na calçada e voltei para me despedir do homem que lia na mesinha, ele tinha sido simpático. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116339760545266769?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116339760545266769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116339760545266769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116339760545266769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116339760545266769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/chuva-mofo-volume.html' title='Chuva; mofo; volume.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116320284739293775</id><published>2006-11-10T15:43:00.000-08:00</published><updated>2006-11-10T15:54:07.400-08:00</updated><title type='text'>Não é assim que se faz?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eles lhe viram as costas sem nem ao menos esctutá-lo. A censura é surda, cega e muda. Eles simplesmente não querem ouví-lo. E jamais o ouvirão. Nunca; &lt;em&gt;Jamais; hai capito?&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Porra&lt;/em&gt;! Eu sou chulo mesmo porque assim me ensinaram. Diziam que o Tiago era o amiguinho que falava palavrões. Julgo improcedente. Penso, logo afirmo, xingo, chuto, chupo. Eu gosto mesmo é do gosto dos outros. O meu eu já sorvo todos os dias e, por mais que me agrade, é sempre o mesmo. O que me cansa não é o mesmo gosto todos os dias, mas ter algum gosto todos os dias, ou então o &lt;em&gt;todos os dias&lt;/em&gt; é exatamente o que me cansa. Ai, Jesus, &lt;em&gt;me&lt;/em&gt; deixem!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passear de mãos dadas com a palavra nunca me valeu à pena. Sempre preferi atirar ao esmo. Lugares-comuns me condenam. Quero mais é que eles lambam o meu furúnculo cheio de catarro. &lt;em&gt;Bléh. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos esses tipos de comportamento eu chamo de doença. D-o-e-n-ç-a! Fui claro? Espero que sim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu tô foda hoje.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bom, isso é bom, mas e aí, que fazemos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, qualquer doidêra!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas eu deixei de ser doidão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oras, voltemos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas eu prefiro não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, você é um pamonhão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá. Fica assim então.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que &lt;em&gt;merda, &lt;/em&gt;fica assim é o caralho, ô seu medíocre de &lt;em&gt;merda&lt;/em&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vá se foder, ô babaca, saia já da minha casa!, porque eu estou bêbado e não quero aturar amolação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Babaca é você, otário, pamonha, paiaço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vai, porra, vaza!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu vô mesmo, e num volto &lt;em&gt;Jamais! Jamais! Jamais!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116320284739293775?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116320284739293775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116320284739293775' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116320284739293775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116320284739293775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/no-assim-que-se-faz.html' title='Não é assim que se faz?'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116296150028941304</id><published>2006-11-07T20:34:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T21:09:21.486-08:00</updated><title type='text'>Estrebuchada.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Eu tinha convicções firmes e que eram defendidas dialeticamente, podia argumentar tudo o que dizia, provar!&lt;br /&gt;- É uma lástima que ainda hoje existam instituições que defendam ideologias decadentes através do recurso da censura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pano verde. Uma pena quadriculada. Vejo tudo e mais o asfalto. Os dedos do céu tocam a penumbra. Caminho cem passos, ávido pela sombra. Pedalo duzentos metros, embalado pelas cantigas de escárnio que cegam letreiros e ouvidos. Não se faz mais rosa de algodão como nunca se fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você deve falar com a Professora Teresa.&lt;br /&gt;- Mas eu já falei com ela.&lt;br /&gt;- Quando?&lt;br /&gt;- Ontem à tarde.&lt;br /&gt;- Pois é, a decisão foi tomada ontem à noite.&lt;br /&gt;- Mas ela tinha me dado a sua palavra.&lt;br /&gt;- Mas não podemos.&lt;br /&gt;- Eu não entendo como uma instituição não pode fazer um micro-esforço para garantir um aluno, e dos bons, hein! DOS BONS!&lt;br /&gt;- Sinto Muito, mas vai ter que falar com ela novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elevador emperra. A poeira rodopia e meus olhos cerram. Tudo me dói em desgosto. O sabor do ódio desinteressa, prefiro o da revolta pró-ativa. “Eu vou fazer tudo, e depois &lt;em&gt;cagar&lt;/em&gt; na cara desses &lt;em&gt;babacas&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;merda&lt;/em&gt;!”, penso, “Calma, tudo vai passar, basta ser redundantemente cínico e cortês, não diretamente nessa ordem”. Se eu pelo menos conseguisse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gosto de carne salgada conservada por meses na geladeira queima. Há &lt;em&gt;belisquetes&lt;/em&gt; de azeitona com limão, e cerveja. Mordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu pai vinha de um país que era inimigo do país que você gostava.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- É, e você colecionava muitas coisas caras e legais desse país, escondido do seu pai, mas no fundo, você sonhava que ele descobrisse a sua coleção profana, seria para ele uma afronta e pra você, uma vingança.&lt;br /&gt;- E quais países eram esses?&lt;br /&gt;- Não sei, não lembro, só sei que você viajou e deixou uma rampa como pista para se chegar ao seu quarto. Naturalmente, seu pai a seguiu e descobriu a coleção.&lt;br /&gt;- E você estava onde?&lt;br /&gt;- Eu estava na sua casa, que na verdade era bem grande e se assemelhava a uma escola. Era estranho, havia pessoas diferentes todos os dias, e só sei que eu era uma terapeuta, mas não sei exatamente o que eu fazia na sua casa.&lt;br /&gt;- Hã…&lt;br /&gt;- Daí você me ligou e disse para impedir que seu pai visse a coleção. Quando subi para o quarto, seu pai estava encaixotando tudo para jogar no lixo. Eu não sabia o que falar. Algumas horas depois, você chegou de viagem, mas muito calmo. Eu lhe contei como tudo ocorrera e você não se importou, disse que de certa forma esperava aquilo. Depois nós estávamos na mesa de jantar, inclusive seus irmãos, e eu dava dicas de comportamento para todos vocês. A minha estada lá tinha sido para diagnosticar a família.&lt;br /&gt;- Que viagem.&lt;br /&gt;- É daí o telefone tocou, eu acordei e... &lt;em&gt;puxa vida&lt;/em&gt;: era você dizendo que tinha chegado de viagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corro contra o tempo, contra o cheque devolvido, as contas a pagar, o dízimo a debitar. Dia desses o homem da casa do câncer veio colher a sua contribuição mensal, e eu o escorracei dizendo: “Vá pra puta que o pariu que os seus tempos de vacas gordas sugadoras daqui de casa acabaram!”. E assim se sucedeu com o coroinha da igreja que vinha recolher a ajuda da paróquia, o enviado dos Meninos de Jesus, o Zé Ruela que vem de moto vender desinfetantes e detergentes batizados por preços altíssimos sob a bordoada hedionda de que: “É para o Senhor”. Meu &lt;em&gt;cú&lt;/em&gt; é para o senhor! Meu &lt;em&gt;cú&lt;/em&gt;! “&lt;em&gt;Ai, mas todo mêis venho aqui e a Dona aí ajuda&lt;/em&gt;”; “Ah é, seu vèado, então é por isso que ela tá &lt;em&gt;fodida&lt;/em&gt;! Vaza daqui!”. Eu só entreguei o caixote que a gente separa pro homenzinho do lixo reciclável. Coincidentemente, ele foi o único que não notei que estava no portão batendo palmas, pois para ele os cães não ladram loucamente como fazem pros outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu poderia falar com a Professora Teresa, por favor?&lt;br /&gt;- Claro, só um minutinho, aceita água, café, chá, suco?&lt;br /&gt;- Não, não, brigado, vai ser rápido.&lt;br /&gt;- Ok, fique à vontade, por favor.&lt;br /&gt;- Brigado.&lt;br /&gt;- Você é calouro?&lt;br /&gt;- Não sei ainda se vou ser.&lt;br /&gt;- Tá, de que curso?&lt;br /&gt;- R.I.&lt;br /&gt;- Ah, vai ser meu calouro!&lt;br /&gt;- Ah é?, legal.&lt;br /&gt;- É, é bem legal o curso, bastante mesmo.&lt;br /&gt;- Que jóia. E o que &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; se aprende no curso?&lt;br /&gt;- Ah, muitas coisas, sabe, é assim, de tudo um pouco, um agregadão.&lt;br /&gt;- Sei, deve ser tipo o cozidão da minha avó.&lt;br /&gt;- Quer que eu &lt;em&gt;te&lt;/em&gt; explique com mais detalhes?&lt;br /&gt;- Não, não precisa não, eu já li os detalhes no &lt;em&gt;folder&lt;/em&gt;. Mas e aí, o que você faz nos fins de semana?&lt;br /&gt;- Ah, nada de mais, essa cidade mais parece um cemitério.&lt;br /&gt;- É verdade, mas algo você deve fazer.&lt;br /&gt;- É, às vezes vou ao cinema com minhas amigas, &lt;em&gt;nas&lt;/em&gt; festas do Indaiá, barzinho beber e ouvir música ao vivo de vez em quando.&lt;br /&gt;- Poxa, bacana, a gente podia fazer qualquer coisa dia desses. &lt;em&gt;Me&lt;/em&gt; passa seu telefone que eu &lt;em&gt;te&lt;/em&gt; ligo e a gente combina algo. (tipo... trepar loucamente, sua safadinha, eu tô vendo sua cara de pilantrinha, deliciosa, cadela).&lt;br /&gt;- Beleza, anota aí.&lt;br /&gt;- Pode falar.&lt;br /&gt;- Ah, você não é amigo da Ciclana, da Fulana e da Beltrana?&lt;br /&gt;- Sou, por quê?&lt;br /&gt;- É que eu já &lt;em&gt;te &lt;/em&gt;vi na rua por aí, acho que com elas.&lt;br /&gt;- É, eu vivo nesses botecos por aí, como você disse, a cidade é um cemitério, mas ainda assim a gente tem que fazer alguma coisa.&lt;br /&gt;- É verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colo adesivos de desejos não-cumpridos nas paredes do meu quarto. Estrelinhas que brilham quando a luz se apaga. Mesmo assim, nunca fica tudo escuro, há a luminosidade que entra pelo buraco da janela, falha, persiana, venesiana, caraliana, qualquer coisa dessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Corre&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;corre&lt;/em&gt; que aqui é perigoso.&lt;br /&gt;- Eu vejo tudo, pode deixar, ninguém tá vindo pra perto.&lt;br /&gt;- Mas aqui eles surgem de todo ou qualquer lugar.&lt;br /&gt;- Mas, Zezinho, aqui só há esgoto e bueiro entupido.&lt;br /&gt;- Eles aparecem, acredite em mim, eles aparecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paz e vida boa. Lutar e desgraçar a vida de outras pessoas. Dormir e não fazer. Sonhar e velejar a insanidade. Adormecer sobre o oco. Estremecer de ternura. Apertar calombos na coluna vertebral. Espremer cravos. Morder unha e cantos de dedo, dela. Os meus não valem à pena. Sou os pedaços supimpas de uma corrosão bem pensada. Retículo Endoplasmático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, pois não Tiago.&lt;br /&gt;- Tudo bom, professora, como vai a senhora?&lt;br /&gt;- Tudo ótimo, em que posso ajudá-lo?&lt;br /&gt;- Olha só, professora, ontem eu vim aqui ter com a senhora uma informação desencontrada. A verdade é que eu agilizei os papéis e as exigências sob as condições que a senhora havia me passado. E aí hoje, quando na secretaria, uma dessas condições, talvez a mais importante, havia mudado. E se isso não se resolver, eu vou embora e vou querer que tudo se &lt;em&gt;dane&lt;/em&gt;. Sabe, eu acho tudo isso uma grande pena, eu só queria fazer tudo muito corretamente e queria que houvesse um maior comprometimento. Tudo bem, as regras podem sim serem alteradas, mas não as que já me foram ditas. Sabe, professora, eu sou um sujeito de palavra, e acredito que as pessoas que não cumprem a palavra devem chupar lama. Eu quero que se &lt;em&gt;dane&lt;/em&gt; se a condição estipulada era inviável para vocês e foi tomada por uma decisão equivocada. A questão é que, por um equívoco maior ainda, ela chegou a mim e eu estou aqui hoje como resultado da informação de ontem, para cumprir as determinações de ontem. A palavra tem que ser mantida e o que trago aqui hoje não foi fácil de ser obtido. Eu não vou voltar para casa para tentar novamente conseguir atender às suas condições e, por isso, por essa falta de comprometimento escrota e ridícula, vocês vão perder um aluno, e dos bons hein! DOS BONS! Fui claro?&lt;br /&gt;- O que acontece…, o … Tiago é que eles me avisaram da nova regra depois que você já tinha saído.&lt;br /&gt;- Não me interessa, o que me foi dito foi dito, está aqui nesta pasta e vai se cumprir.&lt;br /&gt;- É, ô Eria, autoriza aí por favor a matrícula do Tiago. Sim, tá certo, depois eu me viro com ele, pode deixar, fala que eu autorizei. Obrigada.&lt;br /&gt;- Pronto, seu Tiago, pode ir lá de novo.&lt;br /&gt;- Muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas burras, pessoas muito burras, e pessoas mais ou menos burras. Todas elas me incomodam profundamente. Não que eu não possa ser um dos muito burros, mais ou menos burros, ou dos simplesmente burros. A questão é que elas me incomodam profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô Professor, qual música vai ter hoje?&lt;br /&gt;- Ahá, surpresa!&lt;br /&gt;- A não professor, fala logo, porque se for daquelas chatas eu vou dizer que tô com dor de cabeça e vou pedir pra sair mais cedo.&lt;br /&gt;- Negorétis ô Dona Mocinha, vai ficar aí sentadinha até o finalzinho da aulinha, belezinha?&lt;br /&gt;- Tsc, hum…tchá, tchum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bailar pelado pelos campos Elíseos deve ser um privilégio dos deuses que seria duramente castigado como um sacrilégio dos homens. Os amotinados é que sabem disso, pois para eles, nada passara de um simples desfile de carnaval, ou entrudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô professor, por que é que se escreve isso assim?&lt;br /&gt;- Sei lá, poxa, você deve tá me zoando, né? Olha só, pessoal, por que vocês não desistem dessa burrice diletante? Burrice não é arte não, pinga não é água não, aula não é picadeiro não, eu não sou otário não, filho vem da cegonha não e coco não é cocô não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai dizia que eu devia ser palhaço quando crescesse, mas minha voz só enrouquecia. Depois de grande, eu decidi que seria patife, mas palhaço não, não rola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria só ver logo no que isso vai virar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116296150028941304?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116296150028941304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116296150028941304' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116296150028941304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116296150028941304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/11/estrebuchada.html' title='Estrebuchada.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116235969432989655</id><published>2006-10-31T21:39:00.000-08:00</published><updated>2006-10-31T21:54:49.473-08:00</updated><title type='text'>Devo chegar atrasado, mas chego.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- O que acontece?&lt;br /&gt;- Ah, sei lá, qualquer coisa assim…&lt;br /&gt;- Qualquer coisa assim?&lt;br /&gt;- É…&lt;br /&gt;- Tá menstruada? Tá foda?&lt;br /&gt;- Não. Mas tá foda sem eu tá menstruada mesmo.&lt;br /&gt;- Hum.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Qué&lt;/em&gt; sorvete? Passear na praia? Ver cavalos? Ir ao circo?&lt;br /&gt;- Não, não quero nada.&lt;br /&gt;- Puxa, nem café com tiramissu? Bolo de chocolate? Brownie? Chá? Cappuccino do &lt;em&gt;caffè&lt;/em&gt; do centro vazio no domingo? &lt;em&gt;Pensa&lt;/em&gt; só, hein, aquele &lt;em&gt;caffè&lt;/em&gt;zão enooorme, só pra gente, ninguém nem nada mais, nem garçons, nem chaturas menos frituras. A gente vai lá e passeia pelo salão pulando como bolhas de sabão... Ou então: Cine alegria? Cine fantasia? Cine &lt;em&gt;blasè&lt;/em&gt;? Glamourama?&lt;br /&gt;- Não, tsc… não rola…&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Tá&lt;/em&gt; enjoadinha, é?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Então vamos fazer nada.&lt;br /&gt;- Êba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim pode ser minha &lt;em&gt;frô&lt;/em&gt; num dia desses, né &lt;em&gt;frô&lt;/em&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;----&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nova aparição do "Tá no Perfil", mais uma vez empurrando uma singela cadeira de rodas pelas mesas do café avenida com um velho milionário. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116235969432989655?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116235969432989655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116235969432989655' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116235969432989655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116235969432989655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/devo-chegar-atrasado-mas-chego.html' title='Devo chegar atrasado, mas chego.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116216376357139458</id><published>2006-10-29T15:13:00.000-08:00</published><updated>2006-10-29T15:16:03.580-08:00</updated><title type='text'>Bonifácio.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele agoniza pelos cantos da casa. Está velho, pesado, sôfrego. Dói-me o coração vê-lo assim. Um sujeito que era tão vivo, pujante de disposição e vida. Eu o via como um sol, um impulso a viver. Mas agora, tudo o que ele representa ao mundo é nada mais do que um arquétipo da decadência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu amor não morre, não vai com a ida da alma à barca do inferno, purgatório ou paraíso. Ele é para mim um cânone de vida e foi com ele que aprendi a maioria das coisas que sei. Ele me cantava “&lt;em&gt;bidubidubidu&lt;/em&gt;” com um empenho tocante. Encarava os revezes sempre de cabeça erguida, peito aberto e língua &lt;em&gt;babante-esvoaçante&lt;/em&gt;. As tragédias, bicudas de babacas e carinhos incompreendidos eram respondidos por lambidas doces e sinceras. A ingenuidade, o &lt;em&gt;mono-desejo&lt;/em&gt; alucinado de foder todas as cadelas no cio, a honestidade para com os seres ao redor, todos os elementos desse indivíduo só me trazem mais fofura à língua e pesar por saber que o dia do juízo final se lhe aproxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes mesmo de morrer, ele jaz ali no chão de taco, moribundo, me assiste longamente, paciente. Ele não tem medo de nada. Apesar de todo o cansaço pela idade, pouco mais de uma década, ainda se levanta e demonstra ferocidade quando qualquer coisa estranha se movimenta em frente à casa. Protetor, diligente, esperto, carinhoso. Esse é o Bonifácio, que já demonstra que o fim se aproxima. Minha tristeza só não é maior porque sei que ele viverá num paraíso muito melhor do que aqui, onde haverá ossos gordos para ele roer, crianças hiperativas como ele para brincar, cadelas constantemente no cio, as mais lindas puddles, chiuauas, bacês, cockers, todas as suas preferências. Seu membro lhe será complacentemente restituído e todos os problemas e dores de um mundo escroto cheio de mutilações cruéis serão apagados de sua memória. Um cão que mesmo sem rabo, desde o nascimento, e sem pênis, desde a revolução boêmia, continua fofo e adorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Terceiro Plano nunca mais foi o mesmo depois que seus passeios públicos se limitaram à esquina da Rua Tramandaí, com objetivos meramente demarcatórios. Desde esse dia de carnificina descabida, as cadelas agonizam, esfregam-se umas nas outras e no chão tentando suprir uma carência que só ele sabia preencher. Os cios agora são para elas períodos de sofrimento intenso. E é muito possível que esse tenha sido o motivo da sua caducidade, o desgosto de viver desmembrado, sendo desumanamente forçado a ter apenas a comida como prazer. Todo e qualquer ser vivo precisa de três prazeres elementares para a manutenção da vida: Comer-beber, dormir e trepar. Meu melhor amigo foi privado de um deles que é tão ou mais importante do que os outros em determinadas fases da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou sentir saudade de chegar em casa e ser recebido com lambidas, pulos contentes de pata suja na camisa branca, corridas pelo jardim em busca do tapete. Viva o Bonifácio, o cão mais legal do mundo. O cão da vida, intrépido, para quem não havia barreiras que impedissem a celebração da vida, o sorver do sangue, o gemer das cadelas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116216376357139458?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116216376357139458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116216376357139458' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116216376357139458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116216376357139458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/bonifcio.html' title='Bonifácio.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116215458851894803</id><published>2006-10-29T12:42:00.000-08:00</published><updated>2006-10-29T12:51:48.496-08:00</updated><title type='text'>Ela não sabe das coisas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tens tanto a aprender. Quero tanto te ensinar. Aprende, escuta, bate, mata, te come e me entrega os teus pedaços já mastigados. Eu vou amaciá-los com lucidez, apalpá-los-ei como se mamilos delicados de prostitutas fossem. Dá-me o que quero e te deixarei em paz. Far-te-ei doces desenhos com aquele chocolate derretido que enfiaste em meu bolso, a contragosto. Devassa, querias mesmo era agarrar-me o membro. Não me importo com tua burrice, teus cabelos que recendem pêlo pubiano, tua boca seca descuidada, teus dedos magros, finos e compridos que nunca viram bons tratos, calejados, suplicantes de membro, membro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei o que queres tanto quanto tu mesma. Sabes que sei e ainda assim te empenhas em me diluir. Quem pensas que enganas com essas jogatinas tolas? Bobos são tu e teus pais que te conceberam. Chama-os que eu lhes direi aquelas mesmas máximas indizíveis que te disse quando gozava na tua cara. Os nervos se me crescem desestimulados. As nervuras se condensam. E tu te afunilas diante da minha visão em teu próprio vão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo o ópio, o vermelho do fim, as pombas alvas que se distanciam num debandar desesperado. Vem, não vai vadiar não, vadia, vem aqui e me cospe no pé que te dou um bico na fuça. E se te sujares, limparás sem um pio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chama que abranda também queima, ainda que tornada em brasa. Por isso que te digo, safada, toma teu cuidado e não te misturas com o povo. Comer-te-ão impiedosos; lançar-te-ão diretamente às chamas. Troçarão de teus modos, choros irritantes, da tua atitude de &lt;em&gt;sem-postura&lt;/em&gt;. Viver uma vida plástica, do glamour laico, de bizarrice, geralmente termina assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És burra como um animal. Eu te dediquei tanta paciência e boa vontade. Não quiseste. Agora morre esconjurada pelo velho campo. Rogos não me convencerão. O segredo, ou verdade, da carne e da felicidade contínua te foi dito, agora decide o que fazer com isso sozinha, não mais darei palpites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia tu aprenderás, nem que seja no leito inflexível. E então, meu bem, não haverá mais aonde voltar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116215458851894803?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116215458851894803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116215458851894803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116215458851894803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116215458851894803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/ela-no-sabe-das-coisas.html' title='Ela não sabe das coisas.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116184570726562634</id><published>2006-10-25T23:49:00.000-07:00</published><updated>2006-10-26T00:03:17.213-07:00</updated><title type='text'>Carta ao Sr. Buk.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dourados, 26 de Outubro de 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Sr. Bukówski, há tempos que venho pensando em escrever-lhe uma carta, mesmo não sabendo muito bem o que dizer, ou do que tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria apenas, não unicamente, de contar o quão escroto meus dias têm sido. Embalados pelo senhor e por seus escritos, envolvi-me em uma aventura vertiginosa através dos altos e baixos do labirinto espiritual do qual o senhor nunca tratou. Há certos indivíduos que não me compreendem em absoluto quando falo de deus e dessas coisas mais. Eu gostaria de saber do senhor, assim, decisivamente: o que o senhor pensa disso tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso sem falar na odisséia que empreendi há meses atrás em busca de qualquer coisa que não fosse paz. Foi muito culpa sua também, hoje sou levemente desrespeitado porque não trouxe exatamente os títulos que os Doidos Varridos esperavam de mim. E eu, tolo, ainda fui cair na besteira de, dia desses, dizer vaidoso a um deles: “De Fulham Broadway a Forest Gate, conheço todos os puteiros, bodegas, botecos, e biroscas contraventoras que comercializam álcool depois das onze e meia, sem falar de outras cidades”. “Áh, e eu que achava que você traria títulos!”, disse ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, eu acho que o senhor poderia ter escrito algo um pouco menos consubstancial, e que englobasse mais esferas do ‘fracassado saber humano’, como considero a sua opinião segundo inferências que faço do senhor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, e das críticas que têm se levantado contra mim por outros, e por mim mesmo, devo admitir que sou um dos poucos que viveu o seu personagem. Talvez não com a clareza necessária, com alguns remendos faltantes; deturpado, mas vivi. Talvez seja esse o termo. Um &lt;em&gt;vividor &lt;/em&gt;livremente embasado. Um Zé levemente inspirado. Inspirado? Putz, que droga, eu particularmente acho essa palavra um pouco bréga, mas tudo bem, já foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que importa é que admiro muito a sua &lt;em&gt;escrotisse&lt;/em&gt; desinteressada e acho que se o mundo todo fosse &lt;em&gt;escrotamente&lt;/em&gt; indiferente, as coisas poderiam ser um pouco melhores. Se o senhor fosse candidato à presidência, eu votaria; há um barbudo que se parece um pouco, mas certamente não é o mesmo bom e velho Buk - perdoe a minha cumplicidade artificial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, Sr. Buk, vou terminando por aqui porque amanhã os cristãos desgraçados, que não vão receber a bênção nos domingos, estão fodidos, e eu sou um deles. Mas gostaria de deixar claro os meus honestos agradecimentos a todos os (des) serviços que o senhor prestou à minha influenciação babaca e espúria, e que o senhor tenha uma longa vida aí junto com o Baco, o Diabão, e toda essa turma da pesada que agita a vida aí nas profundezas da Casa do Caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, olha só, Sr. Buk, eu esqueci de perguntar: como funciona essa história de morrer com complicações de alcoolismo? Eles lhe dão rins, fígado, estômago, coração, ou o que precisar de novo? Como que é? Porque ir pro inferno e não poder beber deve ser &lt;em&gt;cabrêro&lt;/em&gt; hein. Sério mesmo, me conta que eu preciso saber, afinal ainda tenho tempo de me preparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hehe, no mais é isso, velho Buk, um grande abraço de um de seus maiores puxa-sacos aqui da vida. Cuide-se, hem bicho, não dá mole pros usurpadores, nem pros agiotas, e evite passar pelo círculo dos padres pederastas; putz, aquela galera é fóda. Foi um prazer tê-lo conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cordialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago Muzulon. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116184570726562634?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116184570726562634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116184570726562634' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116184570726562634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116184570726562634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/carta-ao-sr-buk.html' title='Carta ao Sr. Buk.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116179844058272222</id><published>2006-10-25T10:42:00.000-07:00</published><updated>2006-10-25T10:47:20.596-07:00</updated><title type='text'>Dizer é enlouquecer.</title><content type='html'>- Ela perdeu o controle.&lt;br /&gt;- Está louca.&lt;br /&gt;- Completamente.&lt;br /&gt;- Eu estou passando mal.&lt;br /&gt;- Também?&lt;br /&gt;- Aham.&lt;br /&gt;- Quem se importa?&lt;br /&gt;- Você devia.&lt;br /&gt;- Eu não, saiba então que ninguém se importa! Ouviu o que eu disse, ninguém se importa!&lt;br /&gt;- Mas eu estou passando mal, pontadas no peito, há um gancho içando meu coração, acho que vou enfartar.&lt;br /&gt;- Foda-se, é como são com você todos os dias; com você, comigo, com ele, &lt;em&gt;con todos&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;- É sério, me ajude.&lt;br /&gt;- Foda-se! Foda, foda, foda, fo-da-se! Hahae! Hihi! Se fodeu, se fodeu. Biriri! Siriri, Cururu!&lt;br /&gt;- Eu vou embora, quem é louco...&lt;br /&gt;- Dói?&lt;br /&gt;- Muito.&lt;br /&gt;- Bem feito! Já &lt;em&gt;comí, &lt;/em&gt;já &lt;em&gt;bebí, &lt;/em&gt;nada mais me prende &lt;em&gt;aquí.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116179844058272222?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116179844058272222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116179844058272222' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116179844058272222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116179844058272222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/dizer-enlouquecer.html' title='Dizer é enlouquecer.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116171398006681361</id><published>2006-10-24T10:55:00.000-07:00</published><updated>2006-10-31T21:54:05.526-08:00</updated><title type='text'>A Volta do "Tá no perfil".</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Publiquei uma história em Julho sobre um corretor de imóveis que dizia tanto “Tá no perfil” que Nós, Eu e meu tio Kibe, o alcunhamos disso. Dia desses algo incrível aconteceu. Veio o Kibe me dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alas, ô Kibe, você não sabe quem que eu vi.&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;- O “Tá no perfil”.&lt;br /&gt;- Hahshah, ele tava corretando casas toscas aos pedaços e dizendo insanidades das mais absurdas para algum candidato à trouxa?&lt;br /&gt;- Não, muito pior.&lt;br /&gt;- O que fazia o Fita então?&lt;br /&gt;- Empurrava um daqueles velhos milionários por jardins gramados da Vila Itaipú, todo vestido de branco, parecia um pai-de-santo.&lt;br /&gt;- Kkkkkkkkk. Ele devia era &lt;em&gt;tá&lt;/em&gt; sendo gigolô do velho, lembra dele contando das fitas dele em Manhattan?&lt;br /&gt;- Lembro! Kkkakak. Ou, aquele “Tá no perfil” é doido, louco, doente, na moral, o cara já perdeu completamente a noção.&lt;br /&gt;- É, um dia o cara é corretor pilantra de casas toscas no além; fala aquele monte de merda, e agora o cara me aparece de enfermeiro. Na moral, é o fim da picada.&lt;br /&gt;- Kkkkkkkkkkk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abaixo, o texto do “Tá no perfil”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Fomos buscar um corretor de imóveis para ver a casa que meu tio quer comprar. No caminho, ele já me avisava: “cuidado que o cara é meio kibe”. Dei risada e seguimos.Em alguns minutos haveria um sujeito absolutamente cheirado no banco de passageiro do meu carro cuspindo mais insanidades por minuto do que eu faço em um mês.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá no perfil, bora lá, bora lá moço, é por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Onde fica a casa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É longe moço, mas vai indo, segue reto e tora o pau.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cacete, tem terra?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tem. Mas vai moço. Hum, você tá no perfil, quem é esse menino, ele tá no perfil?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ele é meu sobrinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Hum, eu tenho uma filha de dezesseis anos, e gostosa. Mas você sabe comé qui é né, vai ter que me pagar, e custa caro. Donde cê veio?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu vim do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Hum, num fica falando isso pras pessoas não que isso vai vira merda, eu conheço todo mundo aqui, já levei quatorze tiros e estou vivo, olha só, tenho marcas aqui e aqui e ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que fita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cara, logo meu sobrinho vai se cansar de você.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que nada, ele é do perfil, mas vem cá, o jóia, donde você vem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Daqui mesmo, cara!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Como, se eu nunca te vi por aqui?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ele passou uns dias em London.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, hum, speak english? He’s handisomi, handisomi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Who’s handsome?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Moi.- Hum, tá no perfil, bicho, vô ti arranjá um emprego na cultura inglesa, eu conheço a dona, ela é minha parceirona de putaria, gente boa, milhonária, tem vários carros importados, coroa e solteira, se você quiser ainda arranha um biteco. Mas cê sabe comé qui é né, cê vai ter que me pagar e é caro. Cê tem dólar aí? Lá fora é assim, tudo é pago, todo mundo si fodi, intão cê já sabe comé qui é.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Euro?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Também não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pô, meu, mas tudo bem, cê me paga depois, di outro jeito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não vou te comer, cara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, não é isso que quis dizer, ai como são bobo essis moço dojindia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Diboa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas olha só, minha filha tem dezesseis anos i é filé, queimou todo o patrimônio do namorado dela com gasolina de carro e pó e ainda fica menosprezando a mesada que eu dô pra ela. Ô bicho, ela é modelo, entra no site dela aí depois, vô anotá qui procê. Gostosa. Mas olha só hem bicho, cê vai tê que me paga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Diboa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cê tem carro?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ué, olha aí, não tá vendo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ai, mas isso, essa caranga aqui é velha dimais pra carrega meu tisoro, mas tudo bem, eu te empresto o meu carro, mas olha só em bicho, não quero você pegando ela por aí não hem, vai lá pra casa, eu moro num apartamento grande e vocês podem fica tranquilo lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah é, mas e o emprego.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Arranjo procê também, porque cê sabe né, eu só ajudo assim minininho no perfil, bunitinho, e cara, cê é no perfil, cê fala o ingleis britânico, é no perfil, e si brincá ainda come a muié.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Aiai, tá bom cara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Olha só bicho, eu vou fazê um frango xadrez domingo lá em casa procê conhecê a minha filha. Cê gosta de frango xadrez, o bicho? Gosta?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Gosto, ôpa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Intão tá combinado, eu vô ti busca lá na sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas você nem sabe onde eu moro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas me fala aí já, oras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, depois você liga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Beleza. Mas vou hem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cara, eu sei comé qui é, eu também já morei lá fora. Ráhhhh, aqui são quatro anos di Manhattan meu jovem, também já fui no perfil. Vivi lá só comendo cú de velha rica, e eu fodia e elas me pagavam e dólar caía. Vivi lá bicho, quatro anos. E era só no viagra também né, o coração pulando qui nem doido e eu metendo, arrebentando aquelas véia lá tudo. É bicho, o sistema é bruto lá fora, cê sabe comé qui é, si num fosse isso, eu num tinha nada hoje. Êta veiarada do dólar, mas era bom hem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Aham, você tomava viagra ou cheirava pó?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Hshshshshs, ô moço, fala issu não, shhshsh. Óia só moço, fala nada disso que eu ti disse tá, nada. Quer uma cobertura? Tá vendo aquela ali, eu tô vendendo, o cara faliu com lavoura e tá vendendo desesperado, só duzentos pila, tem piscina e tudo mais. E aquela ali? Ô bicho, tô cheio de cobertura pra vendê, me fala só o tipo de prédio que te passo. E naquela ali é só filé qui mora hem, cheio de gatinha na piscina, tudo filhinha de papai que não faiz nada o dia intêro, só fodi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cara, eu não tenho grana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, mas um dia vai tê, bunito dessi jeito. Olha só bicho, eu vô te empresta meu carro e você vai andá com a minha filha usando óculos italianos e aí tudo essas filhinhas di papai vão te querer, mas você vai ter que fica só com a minha filha, tá entendendo ô bicho, e nada de putaria na rua hem, beleza?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Beleza cara, agora vai aí, chegamos de volta ao Adelina Rigotti, vai aí cara, falou, abraço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nessa viagem alucinada fomos a periferia zero da cidade ver uma casinha basicamente construída que o tal corretor estava vendendo. O cara não parou de falar e falar em um único segundo. Eu e meu tio concordamos em unanimidade sobre a condição ‘pozística’ do cara. Foi surreal, absolutamente surreal.Quando digo que sou um centro convergente de acasos desfacetados de vaidade, não é por acaso”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116171398006681361?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116171398006681361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116171398006681361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116171398006681361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116171398006681361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/volta-do-t-no-perfil.html' title='A Volta do &quot;Tá no perfil&quot;.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116147074859493000</id><published>2006-10-21T15:33:00.000-07:00</published><updated>2006-10-21T16:00:25.353-07:00</updated><title type='text'>La Notte, di Muzzoloioni.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O telefone toca, trim, trimmmm, trim! Corro a atendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tiago?&lt;br /&gt;- Sim, &lt;em&gt;Plú&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;- Aham, e aí, quê você tá fazendo?&lt;br /&gt;- Nada de mais.&lt;br /&gt;- E o que vai fazer?&lt;br /&gt;- Não sei, talvez estudar o teatro vicentino.&lt;br /&gt;- Mas isso não cai no vestibular, cai?&lt;br /&gt;- Um pouco, mas nem é por isso, eu gosto de às vezes estudar coisas chatas, me torturar, sabe, sujeitos precisam se molestar pra atingir alguma coisa.&lt;br /&gt;- Profundo.&lt;br /&gt;- É nada, é uma &lt;em&gt;bosta&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;- Vamos sair?&lt;br /&gt;- Eu ia &lt;em&gt;te&lt;/em&gt; dizer isso agora.&lt;br /&gt;- Então vamos, eu terminei com o meu namorado, ai, não agüentava mais, mandei um email destruidor.&lt;br /&gt;- Bom, finalmente uma atitude. Mas e agora, vai continuar usando a desculpa do namoradinho que mora longe, mas é namoradinho, para não trepar?&lt;br /&gt;- Ai, não sei, eu gosto dele, mas é que não dá mais, vivo estressada, ai, não agüento mais isso.&lt;br /&gt;- Entendo perfeitamente. Sabe que aqui a minha casa está sempre às ordens. Vamos sair hoje então pra você &lt;em&gt;desbaratinar&lt;/em&gt; essa &lt;em&gt;chatura&lt;/em&gt; toda. Quando &lt;em&gt;te&lt;/em&gt; pego?&lt;br /&gt;- Vinte minutos? Eu estou pronta, você está?&lt;br /&gt;- Beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa seriíssima na vida de um sujeito é urinar. Na verdade, são três as coisas. Há o primeiro momento do dia, quando o sujeito enfrenta a privada branca e seu &lt;em&gt;pinto&lt;/em&gt; está com a ponta colada. Há uma explosão seguida de um espirro que molha e urina todo o banheiro. Vovó e as mulheres em geral costumam reclamar demais disso. Mas eu não ligo, faz parte da natureza. Uma outra coisa séria é quando você já está acordado e não espera que o pinto esteja com a ponta colada, mas ele está, e a mesma merda acontece. Um terceiro momento é quando você erra. Esse último é mais natural, creio eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomar banho ou não? Havia tomado de manhã, pensei que bastava. Lavar as axilas ou não? &lt;em&gt;Pra quê&lt;/em&gt;?!, deixe o termômetro da necessidade de banho funcionar naturalmente. Troquei de roupa, penteei o cabelo, passei algum perfume no couro e saí loucamente na &lt;em&gt;caranga&lt;/em&gt; vinho com uma garrafa de Heineken que já estava no freezer gelando para eu tomar quando acabasse de ler sobre o teatro vicentino. A &lt;em&gt;Plú&lt;/em&gt; despediu-se docemente de seus pais que assistiam a Mazzaroppi quando me viu estacionar na frente da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, tá melhor de quando me ligou?&lt;br /&gt;- Sim, tô animada hoje. Ele é um filho-da-puta, eu fico aqui me acabando e ele nem se importa, até a irmã dele me apoiou.&lt;br /&gt;Aiai..., pensei lançando um sobrolho a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos até a casa de uma amiga conseguir convites para o lançamento do cantor pop da cidade. E foi surreal! Havia duas mulheres fabulosas, uma só tratava de homens por seus sobrenomes. A outra era maior ainda que a primeira, mas parece que se sentiu envergonhada e sentou-se no sofá. Seus dedões do pé eram jurássicos, e eu tive medo. Elas falavam de sobrenomes, depois falaram da matança animal, uma relatou sua experiência vendo o avô carnear uma vaca na fazenda, e a outra contou que certa vez matou um porquinho-da-índia à pauladas no quintal da casa onde morava com a família. Diz ela que ainda sofre pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz da sala estava apagada e pouco pude ver da beleza delas, mas eram deusas. Um doidão forte que usava boné enterrado logo chegou trazendo convites e uma cerveja. A minha Heineken já havia acabado e tomei um gole da dele. Estava choca. Enfim partimos do ambiente escuro e cheio de deusas cavalares, que na verdade me causavam certa ojeriza por serem demasiado … demasiado… tolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos à festa e o lugar estava ótimo, muito bem decorado, cheio de pessoas bonitas e fitas nenhuma para acontecer. A &lt;em&gt;Plú&lt;/em&gt; encontrou algumas amigas divertidas e simpáticas e ficamos em volta, de bobeira. Mais tarde o homem subiu ao palco e tocou músicas suas com famosas do Jorge Ben. Dançamos. A noite não estava para nós e, após bebermos algumas boas latas de cerveja, resolvemos ir embora. A noite seria dos &lt;em&gt;elektro&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chácara era distante da cidade e tínhamos que passar por estrada. Eu não havia checado a quantidade de gasolina no marcador e… ficamos no caminho. Num lugar ermo, havia apenas eu, a &lt;em&gt;Plú&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;caranga&lt;/em&gt; da Vovó.&lt;br /&gt;Vou ligar pro kibe, pensei, e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Plú&lt;/em&gt;, há três opções, ligar pro Kibe, ligar pro Kibe, e ficar aqui. Qual delas você prefere?&lt;br /&gt;- ah, estamos diboa aqui, já bebemos algumas, liga pra ele e quando ele puder, ele vem, mas nem esquenta.&lt;br /&gt;- Beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não disse mais nada e pulei em cima dela como o meu cão-carneiro faria em seus tempos de boemia. A caranga fedia à gasolina, embora estivesse seca, e a &lt;em&gt;Plú&lt;/em&gt; me lambia recendendo - dela - um perfume dulcíssimo, delicioso, que me deixava louco de vontade de sugar toda aquela carne vulvar. Adoro mulheres cheirosas, e esse foi o único momento da noite em que pensei: “Puxa, como valeu a pena passar por tudo para estar aqui”. Quando digo &lt;em&gt;passar por tudo&lt;/em&gt; me refiro à chatice de agüentar um músico chinfrim tocar bagaceiras, à chatice de suportar a dor latejante do membro durante quase todo o tempo ao lado de uma mulher tão fragrantemente exuberante, e sem falar na chatice de ter de ouvir todos os &lt;em&gt;blablablás&lt;/em&gt; que uma mulher que tem várias bolsas e sapatos tem para dizer após romper com o namorado de anos que estuda fora e só a vê quatro vezes por ano, e que nem nessas raras ocasiões a satisfaz &lt;em&gt;satisfatoriamente&lt;/em&gt;. Doce virgem que era, assim se dizia. Podia até ser, em se tratando de namorar um &lt;em&gt;vèado&lt;/em&gt;, mas que sabia das coisas sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra das seriíssimas incongruências que não entendo é esta: por que as mulheres interioranas insistem em se dizer virgens? Por que, meus gloriosos deuses tutelares das intempestividades? Por quê? Mulheres já feitas, que fazem coisas na vida, pulam n'agua fazendo &lt;em&gt;tchbum&lt;/em&gt; há muito tempo, têm &lt;em&gt;cara-peito-rosto-e-alma&lt;/em&gt;, e ainda acham bonito dizer tais coisas, por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incógnitas que jamais entenderei(emos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Kibe levou gasolina para nós e fui deixar a &lt;em&gt;Plú&lt;/em&gt; em casa. Eu teria que trabalhar no outro dia um pouco cedo e preferi não dizer-lhe que estava sozinho. Ela foi toda a viagem falando, ininterruptamente. Descarrilou todas as suas fofocas, angústias, &lt;em&gt;trique-triques&lt;/em&gt; femininos e demais coisas sobre o recém-ex-namorado-vèado. A &lt;em&gt;Plú&lt;/em&gt; é absolutamente uma mulher convencional, daquelas que usam salto e saia, pintam as longas unhas de vermelho, ora de branco, ora de preto, e falam, principalmente depois de um coito que há muito almejavam ardentemente. Mulheres que namoram à distância têm uma forte inclinação à histeria, pois falta-lhes o essencial. Apesar de tudo, quando me lembro do cheiro dela, do odor que sua vulva espargia, dos toques lépidos e surpreendentes, tudo se recompõe e se justifica nos mínimos pormenores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui levar o Bonifácio para vacinar. O Kibe foi no porta-malas com eles, o Bonifácio e a Nanica. Ele foi rebolando e bocejou quando o homem deu-lhe a agulhada, de descaso. A Nanica chorou, mas depois a alisamos afetuosamente e passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovó vazou e deixou-nos a casa, além de um vazio enorme. Vovó é muito sistemática (nome bonito para designar chatos), mas faz uma falta doída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Scenic Railway, mon raison est definitive!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116147074859493000?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116147074859493000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116147074859493000' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116147074859493000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116147074859493000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/la-notte-di-muzzoloioni.html' title='La Notte, di Muzzoloioni.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116111037470734014</id><published>2006-10-17T11:38:00.000-07:00</published><updated>2006-10-18T10:19:05.366-07:00</updated><title type='text'>Blás, záz, cás.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há memórias que se impregnam em nossas mentes. Memórias de coisas assim. Coisas assadas. Eu tenho comigo que muito dessas coisas só ocorrem a mim. Mas não pode ser verdade. Tem de acontecer com outros. O homem na estação rodoviária veio e me disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E então, rapazeada, deu certo né, finalmente voltamos.&lt;br /&gt;- Pois é, rapaz, que bom vê-lo por aqui.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos nos encontrado na viagem de ida no mesmo local, e voltávamos do mesmo jeito, no mesmo dia, e mesmo horário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E como é que foi o seu feriado?&lt;br /&gt;- O meu foi tranqüilo, de boa, e o seu?&lt;br /&gt;- O meu foi uma loucura. Eu fui à cidade das Serras escondido da minha mulher para resolver alguns problemas de banco com a minha ex-mulher. Rapaz do céu, mas a bicha é ciumenta hem! Não podia nem sonhar que eu tava indo.&lt;br /&gt;- Ave, mas e aí…&lt;br /&gt;- Aí que eu despachei ela pra casa da mãe e disse: “Ólha, fica aí bem quietinha na sua mãe que eu vou ter que trabalhar no feriado”. Mas não é que a mulhé, boba que não é, desconfiou. E desgramou a ligar, e liga daqui e liga de lá. E pediu pra que eu ligasse pro celular dela do número de casa, mas eu não tava em casa e ligava do meu celular, daí eu dizia que era porque o telefone de casa tinha dado defeito, e ela não acreditava. Rapaz, foi terrível.&lt;br /&gt;- E como que você foi fazendo pra enrolar ela?&lt;br /&gt;- Ah, eu liguei pra um amigo em Dourados e pedi a ele para ligar pra ela, do número dele, mas só dar umas chamadas e desligar. Feito isso algumas vezes, eu retornei a ligar pra ela do meu celular e dizia que não tava dando para ligar do orelhão. Depois peguei um outro chip que tenho e liguei de novo, agora dizendo que ligava do celular de um amigo meu, que estava junto, e que ela podia ver que o número era de Dourados. Mas aí foi um rolo danado.&lt;br /&gt;- E ela acreditou?&lt;br /&gt;- Tá indo, mas tá bem desconfiada. Acabou de ligar e tá puta da cara, disse que se descobrir qualquer coisa, me mata.&lt;br /&gt;- Eita, e o ônibus tá atrasando, será que você consegue chegar lá antes dela?&lt;br /&gt;- É o que eu espero. Se ela descobrir eu tô fodido.&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quem não sucumbe a certos desejos nunca sabe o que é ser derrotado, levado, corrompido. A ira fugaz que existe em nós é sempre mais pujante. Tolo é aquele que ainda insiste em dominar algo tão tenaz. Sim, dei-me por vencido e prefiro a humilhação da sucumbência à dor de uma vitória solitária e sem resultados. Vencer nem sempre é bom, embora o seja na maioria das vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E você, Thiago, o que fez?&lt;br /&gt;- Cara, altas coisas. Fui de bar em bar, de casa em casa, e de feira de música em feira de música.&lt;br /&gt;- Bebeu bastante?&lt;br /&gt;- Bastante!&lt;br /&gt;- Bom, isso é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Solidamente lhes apresento a versão mais &lt;em&gt;escrachada&lt;/em&gt; de todas. A nudez dos fatos. Eu sou um fato. Um manto de hostilidade; minto, um travesseiro de depravação; minto de novo, um mimo de doçura; mais uma vez, minto: sou mesmo o que você quer que eu seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar, quero ver o seu rosto dançar sem parar. Quero vê-la sorrir, quero vê-la dançar, quero ver o seu rosto… cantar sem parar!&lt;br /&gt;- Eu tô doido, pfffff, é assim, queima o cérebro né? Mas eu tô falando isso só porque vocês são pessoas inteligentes, esclarecidas, mas é assim mesmo, meu, se for falar praqueles pregos, eles me batem. Eu falo porque vocês entendem. Eu só falo pra quem entende. Pifou, queimou, blefou, fritou! Sim, eu fritei muito, por isso que sou doido, tá vendo, tá me vendo? Eu queimei todo o meu cérebro, sou e fui doidão internado já em clínica psiquiátrica, hehe, offf, pff, haauhhaeh. Hauuu. Mas eu ando loucamente por aí... Mesmo sem ninguém me entender, mesmo sem ninguém me ouvir, mesmo sem ninguém saber da disgraça que acontece aqui dentro da minha cabeça, com toda essa fraqueza, essa volúpia apagada, jogada fora, desperdiçada. Eu fui inteligente um dia, meu, mas agora eu tô fodido. Êêêee, eu tô fudido!! Ninguém me entende, eu tenho dó do desamparo a que me atribuem, desamparados e desesperados são eles, que não entendem de nada. Eu não penso, eu sou doente, eu não tenho dente, eu sou vidente, cadente, negligente comigo mesmo e agora, só mais um bosta dum decadente. Eu ando por aí. Ninguém me vê. Mas eu falo e quero falar…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E, depois de ter lutado o Clube da Luta consigo mesmo, o nosso homem incorporou a alma de Maria Chiquinha e Genaro, &lt;em&gt;meu bem&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Ondcê&lt;/em&gt; foi, Maria Chiquinha, meu bem?&lt;br /&gt;- Eu tava embaixo do pé de cedro.&lt;br /&gt;- E fazendo o quê embaixo do pé de cedro?&lt;br /&gt;- Ai, não posso contar, mas tinha algo desse &lt;em&gt;tamanhão&lt;/em&gt; assim lá, ó.&lt;br /&gt;- E por isso você não vai me contar o que fazia em-bai-xo do pé de cedro?&lt;br /&gt;- É que eu tinha muito medo, muito medo embaixo do pé de cedro.&lt;br /&gt;- E agora você quer voltar para casa, é?&lt;br /&gt;- Quero.&lt;br /&gt;- Mas você não vai voltar para casa, hã.&lt;br /&gt;- Ai, por favor, me deixa voltar, paizinho, me deixa.&lt;br /&gt;- Eu &lt;em&gt;te&lt;/em&gt; deixo voltar pra debaixo do pé de cedro, se você quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo isso, o nosso homem ainda tinha sacado um garrafão de vinho de cinco litros de dentro de uma moita que escaldava sob um sol intransigente de quarenta e três graus, talvez o mais quente do ano na Cidade das Serras, e bebera numa só solapada da alma pelo menos trezentos e noventa e sete mililitros do inferno fermentado. Após o nobríssimo e &lt;em&gt;invejabilíssimo&lt;/em&gt; ato de fibra, o homem atiraria o garrafão de volta à lareira fumegante do arbusto; consternado, desalmado, vencido pelos deuses do &lt;em&gt;cocô&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após esse ápice de euforia, o mundo novamente se turvou. As nuvens se fecharam e então o que víamos eram as ruas esvaziadas de um domingo no qual eu me ia, esvaía, desapegaria, fluía aflito sabedor do que me esperava em poucas horas, ou uma noite mal-dormida ao lado do meu amigo Dilly doidão. O Dilly trazia consigo uma garrafa chamada &lt;em&gt;poder&lt;/em&gt;, mas nem dela eu &lt;em&gt;bebericaria&lt;/em&gt; tamanho era meu desconsolo. Ainda assim, havia as ruas centrais de uma cidade serrana que abriga monstros, duendes, anacrônicos, antológicos, faraós, lacônicos amados porém incompreendidos. Neste ligeiro entremeio, entro na fila da escatologia social com meu punhal de brilhante trazido das jazidas de Tesouro. Penetro os &lt;em&gt;pescocinhos&lt;/em&gt; pretensamente açucarados de todos eles (as). E o que sinto? Que sabor me sobe à boca? Que teor me ferve o paladar? Sangue, &lt;em&gt;pseudo-fracasso&lt;/em&gt; que se disfarça em dor. As pessoas temem doer e se esquecem que também causam a dor. São elas as causas da própria dor, e a causa da minha. Eu as engulo todas porque o espinho me alimenta. Vivo de colecionar tripas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga disse-me há pouco: “Meus pedaços estão esparramados por todos os lugares, se você encontrar algum por aí, me mande pelo correio, por favor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, claro que eu mando, mas sem os espinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado em casa, Bonifácio nem mesmo me recepcionou. Estava tosado, envergonhado, despido. Parecia uma &lt;em&gt;merda&lt;/em&gt; macambúzia ambulante. Cheio de feridas de carrapatos. Diz Vovó que é a época. Pulverizamos veneno nas gramas da casa. Alguns carrapatinhos ainda secam grudados em seu couro, é desgastante. Tento tirá-los, mas não saem. Diz Vovó que morrerão sozinhos, em breve, devido ao remédio. Tenho medo é que venham a mim, tenho medo de ter mais parasitas do que já tenho; tenho medo de acabar seco esturricado na sarjeta da alameda da cachaça, sem ao menos ter restos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me desguarnecido ao vê-lo, o cão. Um monte sem guarda-chuva sofrendo constantes desabamentos de terra. Foi o que aconteceu comigo, de certa forma. O mais curioso é notar que tudo se deu ao mesmo tempo. Enquanto Bonifácio agonizava durante longuíssimas horas: oito, nove, dez…, não sei, no consultório da veterinária com pedaços seus sendo arrancados e muito de seu sangue sendo expurgado, o mesmo ocorria comigo, após infatigáveis sessões de tudo aquilo que todos nós sabemos muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pena de nós todos: estrelas decadentes abençoadas pelos deuses do opróbrio; mares que secam revelando peixes agonizantes; sóis que apagam entregando o segredo da luz. Vovó ainda disse ao ver meu abatimento: “A sua pressa de chegar em casa é isso aqui para mim, a minha pressa de comprar copinhos para pães-de-queijo é MUITO mais importante do que a &lt;em&gt;bosta&lt;/em&gt; da sua”, e deu um safanão de descaso e pequenez no vento. Apenas quando já estávamos a três quadras de casa é que Vovó esboçou perguntar como havia sido a jornada. Preferi não responder. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já me desmatriculei do cursinho e penso em comprar sacos de pó-de-guaraná para tocar a minha vida de pré-vestibulando pelas manhãs claras da fronteira. Vou ter mais tempo, mais paz, e ainda assim acho que é possível. Eles passam a me desacreditar, mas eu não me importo: Estou velho demais para atividades improdutivas e desinteressantes. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116111037470734014?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116111037470734014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116111037470734014' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116111037470734014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116111037470734014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/bls-zz-cs.html' title='Blás, záz, cás.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116090260896146488</id><published>2006-10-15T01:56:00.000-07:00</published><updated>2006-10-17T11:56:44.363-07:00</updated><title type='text'>Alas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cheguei numa tarde bizarra. Lampejos de sol gritavam para raios escuros de chuva. Eu sapecava em um ônibus de ar-condicionado estragado. O dia parecia estar vencido, mas era só impressão. Rubí e o Flores foram me (nos) recepcionar. Eu ia com o meu amigo doidão, Dilly, para a cidade das Serras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Mulher Gato das Unhas Escarlates havia vindo para o feriado. Oba, pensei, serão dias de casa cheia, leia-se orgia. Sushi lambeu meu pé. Cheirou os pêlos deixados pelo Bonifácio na última sessão anti-carrapatos. Cão maldito, embora castrado e gordo, continua perambulando pelo baixo meretrício, dia desses volta morto. “&lt;em&gt;Ah, gurizaum&lt;/em&gt;!” Meu amigo Dilly foi embora para qualquer lugar, achou inconveniente onde estávamos, ou se achou, não sei, realmente não sei. A Mulher Gato das Unhas Escarlates ainda não havia chegado. O Flores foi para casa tratar das suas virtudes. E eu fiquei com a Rubí sem ter o que fazer. Dei-lhe uma surra que havia muito ela precisava ter, joguei-a na cama e a fiz pular. Pulamos durante algum tempo. Mas isso não importa. Logo a Mulher Gato chegou e começou a nos contar gracejos. Divertimo-nos, mas lá fora fazia calor e tínhamos que ir. Fomos ao boteco mais quente da região e bebemos altas doses de álcool. A loucura escalou a serenidade. O vento soprou contra os imbecis que tiveram casacos perdidos e decências ultrajadas. Meu &lt;em&gt;cú&lt;/em&gt; foi quem falou o que era certo e o que era errado. Mas isso também não importa. &lt;em&gt;Cú&lt;/em&gt; de trouxa é &lt;em&gt;rola&lt;/em&gt;!, como diria meu grande pequeno anãozinho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Você é uma delícia, eu poderia fodê-la até o dia amanhecer”, foi o que eu disse à cavalinha parceira da &lt;em&gt;gordita&lt;/em&gt;. Ela achou tudo muito estranho e se afastou, preferiu pegar um daqueles tipos que freqüentam manicures e são sujos. &lt;em&gt;Cosa posso fare con queste troie di merda&lt;/em&gt;? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordei embolado em cobertas catarrentas. Adoro pêlos. Mas eu estava lá, atirado sobre pelotas e colônias incríveis de ácaros. Minha grande tormenta, ácaros! Ainda vou exterminá-los todos. A Rubí tinha ido dormir na casa de algum parceiro sexual mais quente. “Como cheguei? O que houve? Que se passa?” foram algumas das primeiras perguntas do dia. O feriado de fato começara e eu já sofria da terrível revolta. Logo mais Rubí chegou e desabou. Foi tão deprimente vê-la mais miserável do que eu que resolvi ser complacente e adormeci novamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No outro dia o tempo passou remoto. Não rendeu. Espaçamos languidamente todos os segundos - e eu que justificara minha retirada indevida a mamãe como um passeio cultural. Um grupo de turistas, amigos da Mulher Gato, apareceu na casa da Sushi e fez besteiras conosco. Saímos para o segundo&lt;em&gt; round&lt;/em&gt; da &lt;em&gt;porra-louquisse&lt;/em&gt; vestindo paletó Ford Mustang, loucamente; uma noite de &lt;em&gt;menos valia&lt;/em&gt;. Conheci a Groselha, mulher decente, muito da boa, querida. Disse eu a ela: “Eu vou lamber as suas pregas!” E ela deu risada. Fomos transferidos a uma outra realidade. Pessoas usavam cabelos e roupas antigas. Tudo era muito &lt;em&gt;há muito tempo&lt;/em&gt;, e isso me causava as mais fantasiosas dispepsias. O Geléia quis brigar e, apesar de ele ser mil e trinta e três vezes maior, eu surrá-lo-ia até o fim. Fritamos algum óleo nos passeios e toaletes públicos. O negão da segurança deu risada de camarada, e eu tive a alucinação de que ele havia dito: “&lt;em&gt;Aiaiai, bem de querido, ma me dê&lt;/em&gt;…” E já ia dizendo: "Galera, vocês por aqui! Que ótimo vê-los" Quando o Flores negou tudo - tinha sido só mais uma cuspida louca do cerebelo alterado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim lembrei que a Groselha era quem me tinha levado para casa na noite anterior. Eu estava imprestável, tanto que recusei a oferta de dois bilhões de coroas tchecas para ir a uma boate de &lt;em&gt;vèados&lt;/em&gt;. Charles, meu grande amigo Charles, eu também tinha encontrado o Charles. Mas nada disso importa porque eu já devia estar na segunda noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sushi miou e ronronou por muito tempo. Acabamos na casa da Groselha trepando na cobertura. Nessa mesma fatídica noite, minha amiga Ká ressurgira do passado e me trouxera boas novas de um mundo que já se faz tão desconhecido quanto indolor. Eu não mais sou o &lt;em&gt;fura-couro-de-gente-puladora&lt;/em&gt;! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltando, o céu era frio e nublado na cobertura da Groselha. Nossas consciências também. Havia muito de &lt;em&gt;l’alcool&lt;/em&gt;. Na verdade, nem sei como acordei no outro dia, mas isso não importa. O que importa é que numa brincadeira sem-graça, o Flores começou algo que só terminaria na cama da mãe da anfitriã. Na manhã seguinte, fomos ao verdejante comer comida de gente verde (de fome, &lt;em&gt;brincadeirinha&lt;/em&gt;). Tudo parecia muito ruim, e tudo era muito ruim, mas nem tanto (&lt;em&gt;brincadeirinha)&lt;/em&gt;. Comi e me satisfiz. Andamos pelas ruas e praças centrais da cidade das Serras e comprei livros de sexo em um sebo que cataloga os volumes. Arrependi-me, como disse eu dia desses a Rubí: “&lt;em&gt;Puxa&lt;/em&gt;, preciso cortar o supérfluo”. Embora andássemos como zumbis boêmios em uma cidade infestada de gente que corre às ruas num pós-feriado pré-fim-de-semana, a noite prometia. Lambemos duas tigelas de óleo junto com a Groselha e fomos ao Tinki Winki, um boteco charmoso da região. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Caraleo, que fita!&lt;/em&gt; Mulheres seguravam &lt;em&gt;paus&lt;/em&gt; de homens no toalete e depois saíam correndo. Outras levavam passadas de mão na &lt;em&gt;bunda&lt;/em&gt; e reagiam violentamente. Garçons e atendentes serviam doses duplas de Tequila deliberadamente. &lt;em&gt;Quem não gostava de samba, bom sujeito não era&lt;/em&gt;. As amarras do Sargento Modorra pipocavam unhas invasivas de defuntos furtados. Eu juro que tive medo, muito medo, mas após a terceira dose dupla da Ouro, eu me sentia em casa e reinante. Se o diabão me aparecesse afirmando a regência, eu o destituiria despoticamente. Nada disso me atingiu. O problema foi que, no auge da loucura, meu coração quis parar, trincadas agudas foram sentidas e eu acabei por me retirar. Voltei para o aconchego da Sushi, que me pôs para dormir de qualquer jeito. Devo ter levado mais de trinta porradas de mãos suaves de fêmeas deliciosas. Apanhei como um cachorro. Mas, nada disso importa, o que importa é que o óleo estilhaçou meu coração e agora ele tem agulhas dentro de si. Mas eu gosto de uma dorzinha de vez em quando; pontadas no coração fazem o sujeito se sentir vivo, &lt;em&gt;diz&lt;/em&gt; aí se não é?. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No outro dia Rubí estava jogada ao meu lado como uma indigente. Na sala se amontoavam o Flores e a Mulher Gato das Unhas Escarlates, glamurosos. Fomos ao cinema ver &lt;em&gt;pirilimpimpim&lt;/em&gt;, o garoto mais sagaz da paróquia, depois ao &lt;em&gt;caffè&lt;/em&gt; beber espresso e ler o Sartre dizer que se fosse um intelectual do Borundi, se preocuparia somente em construir pontes e salvar pessoas doentes inocentes. &lt;em&gt;Aiai&lt;/em&gt;, o duro é estar nessa idade e ainda ter de agüentar certas coisas que... Nem vale a pena contar. Desta vez o dia atuou em nosso favor e saímos cedo para ir ao Velvet. A Modesta Amiga do Jotalhão veio me apertar e eu deixei. Fui assim, dado. Admiro a atitude virtuosa de certas pessoas, no duro. Disse eu a ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos passear?&lt;br /&gt;- Não, obrigada.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque tenho que levar meus amigos &lt;em&gt;vèados&lt;/em&gt; embora.&lt;br /&gt;- Então foda-se, eu vou embora.&lt;br /&gt;- Tá cedo.&lt;br /&gt;- Não tá não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa última noite foi boa. Eu brinquei de dançarino a palhaço, de homem-aleluia a viajante. De comedor de ópio a fanfarrão. Eu sou uma &lt;em&gt;peada &lt;/em&gt;mesmo, &lt;em&gt;hahae&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ei tio, com quantos pauzinhos se faz um barco?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o suficiente para despertar nele o mais profundo desejo de nos divertir. Encenou peças, fabricou jóias, e se jogou a piração. Entendi nada. Na verdade, já estava demais de perturbado para poder pensar, e resolvi desistir de pensar. Caeiro me invadiu e pintou as paredes de &lt;em&gt;sensitivismo&lt;/em&gt; alastrado. Eu vi o Ribatejo passar, e a paz que isso me causou foi tão certa que me fez parar e pensar em não pensar. Fui, apenas isso e qualquer coisa a mais. Um 'de certo' bem do acaso, do avesso. Alheio e vencido a certas tentações. O pecado. O dia que se ofusca em vulgaridade. Eu não mais acredito em mim e em minhas próprias bagaceiras. Que fiquem pelos cantos, jogadas, amassadas, descartadas. Bagaceiras são todas substituíveis. Exceções, revezes. Causam pânico, ou não. Eu preciso é de cortesia, amabilidade, gentileza, e indecência. Tive de um pouco de quase tudo. Tive o que procurava e merecia ter. Um mundo de desilusão para com o pensamento é a conseqüência mais óbvia e natural a qual consigo chegar, por causa de recentes influências e descobertas. Incoeso e ainda não firme, afirmo: vivamos dos sentidos. Abandonemos o coração pulsante-pensante-diletante, isso só traz o mal, a angústia. Sou mais o nada, ou o qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu devia era me tornar o tutor das analogias, para que elas fossem transformadas em anacronismos. Toda analogia é uma &lt;em&gt;cagada&lt;/em&gt; para trás. Julgo o medíocre, o imbecil, e o patife; o resto, passo para meus colegas de trabalho. Quem sou eu para dizer e medir 'a qualquer coisa do mundo'.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116090260896146488?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116090260896146488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116090260896146488' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116090260896146488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116090260896146488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/alas.html' title='Alas.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116085325515716856</id><published>2006-10-14T11:57:00.000-07:00</published><updated>2006-10-17T11:59:50.953-07:00</updated><title type='text'>Por que que a vida inteira tem alguma coisa no meu olho?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Relances de sombra. O céu é turvo e meus dedos se alongam. Enfileiro-me para o banheiro. &lt;em&gt;O &lt;/em&gt;plástica me acessa. Acesa, invade e me pega. Segura com convicção algo que desconhece. Vai e passa. &lt;em&gt;Hei, aonde vai? &lt;/em&gt;Não importa.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Quem diz o que diria? Eu digo e afirmo, sereno, ou não, nunca soubemos. O que importa são os outros. Eu mesmo passo..., a fila, o pulador, o chão, o &lt;em&gt;hall &lt;/em&gt;de botequins sujos enquadrados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A voz do desejo é fremir, zumbir, aspirar a ar, visar ao longe, pairar, parar, se jogar. Onde você vai &lt;em&gt;jogar o cabelão&lt;/em&gt; esta noite? Por aí. Quem é você, por aí? Eu sou o vento com gotinhas de doença. Escarro catarro escuro de cerveja amarga. Venha cá, meu doce, segure algo que você não entende. Faça o favor de se cuidar. Lembre-se da agonia e evite-a, por favor. Os dias que têm que passar não passam, e os que não têm, passam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu vou dizer a você aquelas coisas que só nós sabemos. Junte a mulher gato, o nosso amigo Flores, eu mesmo, e vamos dar um &lt;em&gt;rolê &lt;/em&gt;pelo mundo. Eu lhe darei cacacas, bolotas, &lt;em&gt;cigarettas &lt;/em&gt;e paz. O vencimento se estenderá. Os prazos, os pratos de pó dourado, os dedos e as texturas também. Eu quero arrancar todo o maligno, e ficar com tudo só para mim. Vou vender verdades, pedaços de luxúria, e necessidades criadas. Num mundo em que vícios e virtudes se misturam, não há espaço para falsas efervescências. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levantar acampamento! Avante, convivas de algodão, sigamos porque a loucura nossa de cada dia continua...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116085325515716856?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116085325515716856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116085325515716856' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116085325515716856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116085325515716856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/por-que-que-vida-inteira-tem-alguma.html' title='Por que que a vida inteira tem alguma coisa no meu olho?'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-116046215685524804</id><published>2006-10-09T23:30:00.000-07:00</published><updated>2006-10-09T23:37:04.760-07:00</updated><title type='text'>Só mais uma love (shit) song.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As pálpebras estão agachadas. Percorro o mundo com os dedos mais uma vez. Quero sapiência, congruência, inocência e inconseqüência. O que levar embora não mais importa, o que pôr na mala, o que carregar sem avisar, o que ser e não sentir. Valem mais as fotografias que desaparecem. Eu desapareço em fotografias. Os fragmentos vão se tornando nulos, fracos, indefinidos até que se somem. Eu sou o fragmento da perturbação. Eu quero é ouvir.&lt;br /&gt;Pegou de ponta cabeça o gato que se espatifava do décimo nono andar.&lt;br /&gt;- Se não for &lt;em&gt;cuidá&lt;/em&gt; direito eu não &lt;em&gt;dô, porra&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;- Ai, &lt;em&gt;mais&lt;/em&gt; eu cuido &lt;em&gt;direitin&lt;/em&gt; sim.&lt;br /&gt;- Vai &lt;em&gt;dexá&lt;/em&gt; amarrado o bicho? Vai?&lt;br /&gt;- Eu ia, mas se &lt;em&gt;ocê num&lt;/em&gt; gosta, eu &lt;em&gt;dexo ele&lt;/em&gt; solto.&lt;br /&gt;- Não! Não quero mais também, vou levar &lt;em&gt;ele&lt;/em&gt; embora, vou dar &lt;em&gt;ele&lt;/em&gt; pra outra pessoa. Vai se foder!&lt;br /&gt;- Ai, credo, Liliana, como seu namorado é &lt;em&gt;brabo&lt;/em&gt;. Brutalidade &lt;em&gt;num&lt;/em&gt; leva a nada, meu &lt;em&gt;fí&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Vambora&lt;/em&gt;, ô porra, essa filha da puta &lt;em&gt;tá&lt;/em&gt; me deixando puto.&lt;br /&gt;- Calma, &lt;em&gt;more&lt;/em&gt;, pega leve &lt;em&gt;ca&lt;/em&gt; Camilinha, ela é amiga minha das antiga, poxa, e você esculhamba ela assim.&lt;br /&gt;- Eu não dou cachorro meu, da Nana, pra gente que &lt;em&gt;num&lt;/em&gt; vai &lt;em&gt;cuidá&lt;/em&gt; direito, caralho! Bosta! Mas que bosta essa mulher, escrota, filha da puta. Vamo logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento que bate na cara divide o cabelo em meio, sem meio, e fim. Cabelo partido ao meio. Ele é um Serafim, missionário do caos, exaltado. Come cru e gosta de bife puro. Fígado puro. Bisteca gorda, mal-passada acebolada. E não dá os cachorrinhos para mãos negligentes. Porcão assado ao forno. Pernilzão nervoso. Carne &lt;em&gt;trash&lt;/em&gt; de panela. Ele só gosta é de bizarrice.&lt;br /&gt;A caranga vinho se cansa dos trajetos infundados. Das esquecidas. As garrafas de vinho amanhecem espatifadas no banco traseiro e a Nadir vem me acordar cedo num sábado de dor de cabeça. Eu tenho que trabalhar, ela me diz. É um pesadelo. Meus pêsames a mim mesmo, desejo. Parto com a trouxa. Nem mesmo sei o que se sucedera na noite passada. Uns dizem que é lorota. Outros aproveitam a deixa e me comem. Alguns se dizem enfermeiros. A verdade é que todo mundo estava louco e ninguém sabe de nada do que foi dito, feito, visto, ou ocorrido. O mundo deu só mais uma volta natural, e nós ficamos enjoados, vendo tudo torto, com isso.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Ondcê vai?&lt;br /&gt;- Nu brejo!&lt;br /&gt;- Fazê?&lt;br /&gt;- Cagá!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- Aiai.&lt;br /&gt;- Eiei.&lt;br /&gt;Passo o avental pelo pescoço e novamente tenho de me preocupar com o almoço, as roupas na máquina, quem as passará? Visto que não mais vivo sem tê-las engomadas. As engomáveis, claro. Quero tudo de uma só vez. A exaustão, a combustão, a sucessão repentina dos fatos, intermináveis e explosivos, simultâneos e momentâneos. Eu juro que sou o único ser capaz de entender a aproveitar esse momento. Mas não acreditam em mim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rabiscar no diário não é preciso. Não muda. Escrevo ao meu amigo Dário, o otário. O bom é que, mesmo não concordando com nada do que eu digo, ele me respeita com nem os que entendem fazem. &lt;em&gt;Pholve! Pholve!&lt;br /&gt;Frô!&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-116046215685524804?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/116046215685524804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=116046215685524804' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116046215685524804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/116046215685524804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/10/s-mais-uma-love-shit-song.html' title='Só mais uma love (shit) song.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115932708698249621</id><published>2006-09-26T20:13:00.000-07:00</published><updated>2006-09-26T20:19:55.186-07:00</updated><title type='text'>Quanto custa para cruzar o universo?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Quanto custa para cruzar o universo?&lt;br /&gt;- Um beijo. Um sorriso riscado. E mais alguns trocados.&lt;br /&gt;- Quanto?&lt;br /&gt;- Não importa quanto for, nós teremos.&lt;br /&gt;- Eu não sei como nem por que, mas eu acredito em você.&lt;br /&gt;- É porque eu sei do que falo.&lt;br /&gt;- Eu estou com tanta saudade.&lt;br /&gt;- De quê?&lt;br /&gt;- De você.&lt;br /&gt;- Mas eu estou bem aqui do seu lado.&lt;br /&gt;- Não o suficiente. Eu queria que você estivesse dentro de mim, queria que me fosse.&lt;br /&gt;- Posso ser.&lt;br /&gt;- Não pode, a matéria não permite.&lt;br /&gt;- Tenho muito que fazer também, se conseguisse minimizar tudo, todos os pesos.&lt;br /&gt;- Eu não suavizo o mundo para você?&lt;br /&gt;- Não o suficiente.&lt;br /&gt;- Quanto lhe pesa o mundo?&lt;br /&gt;- Um bolso cheio de moedas de duas Libras.&lt;br /&gt;- Só moedas de duas Libras?&lt;br /&gt;- Aham.&lt;br /&gt;- Que mais, que mais faz com que o mundo lhe seja pesado?&lt;br /&gt;- As placas amarelas dos meus dentes. As minhas unhas mal-cortadas. Os meus cílios que se desgrudam sozinhos. Os olhos com os quais você me olha. O dedo que me aponta. A língua que me lambe. O corpo que se funde ao meu. Os ocasos que, em acordo com as alvoradas, parecem não se cansar na diligente sucessão. Há dias que levanto desejando apenas que essa regra natural se quebre por algum tempo.&lt;br /&gt;- Tudo isso pesa?&lt;br /&gt;- Faz a vida pesar.&lt;br /&gt;- Para o bem ou para o mal?&lt;br /&gt;- Para o zero.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Seria muito mais fácil viver se o peso pendesse para cima, ou para baixo, de uma vez só. Canso de ponderar e nunca atingir conclusão alguma. O peso da vida não é nem pesado nem leve, vai sendo, assim, se arrastando tolerável. Eu tolero o tolerável.&lt;br /&gt;- Eu sou um peso ou uma leveza?&lt;br /&gt;- Os dois, até você consegue ser os dois.&lt;br /&gt;- E é isso que dói? A vida não ser nem peso nem leveza? Nem fardo nem pluma?&lt;br /&gt;- Muito possivelmente.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque se fosse peso, seria simples, bastava me livrar dela.&lt;br /&gt;- Dela quem?&lt;br /&gt;- Da vida, oras, não é dela que estamos falando?&lt;br /&gt;- Tá. Mas e se fosse leveza.&lt;br /&gt;- Também seria fácil vivê-la com gosto. Eu a chuparia, a beberia até o pingo mais seco.&lt;br /&gt;- Entendo. Vamos ao bar?&lt;br /&gt;- Por que não?! Pergunta como se tivéssemos coisa mais interessante para fazer nesses nossos dias de Nós dois além de sermos Nós, como único e somente temos sido.&lt;br /&gt;- Vamos ficar?&lt;br /&gt;- Sim, vamos ficar, embora Nós já nos tenhamos sido por muito tempo, continuemos sendo Nós em Nós mesmos.&lt;br /&gt;- A primeira pessoa do plural.&lt;br /&gt;- Um dedo no seu umbigo.&lt;br /&gt;- Duas primeiras pessoas do singular.&lt;br /&gt;- Uma &lt;em&gt;metafodagem&lt;/em&gt; incrível.&lt;br /&gt;- Eu o fodo.&lt;br /&gt;- Não, eu a fodo.&lt;br /&gt;- Não, Nós nos fodemos.&lt;br /&gt;- Também. Mas antes disso, eu a fodo.&lt;br /&gt;- Assim a &lt;em&gt;metafodagem&lt;/em&gt; não se aplica.&lt;br /&gt;- Claro que sim.&lt;br /&gt;- Venha me buscar então.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Correndo.&lt;br /&gt;- Devo pegá-la no colo?&lt;br /&gt;- Claro!&lt;br /&gt;- E devo jogá-la aonde?&lt;br /&gt;- Ao sofá?&lt;br /&gt;- À cama?&lt;br /&gt;- À mesa!&lt;br /&gt;- Quer que eu fique embaixo da mesa?&lt;br /&gt;- Ao lustre!&lt;br /&gt;- Meu bem, é um &lt;em&gt;muquifo&lt;/em&gt; de ponta-de-rua.&lt;br /&gt;- Ah é, não há lustres.&lt;br /&gt;- Nem muitos objetos. Nem coisas. Nem glórias além das nossas.&lt;br /&gt;- Nem ninguém além de Nós.&lt;br /&gt;- Há ninguém senão nós.&lt;br /&gt;- Há sapos coaxando?&lt;br /&gt;- Há vultos se anuviando?&lt;br /&gt;- Há sussurros suspirando?&lt;br /&gt;- Há &lt;em&gt;diabetas&lt;/em&gt; assobiando?&lt;br /&gt;- Há uma dor aqui dentro latejando, gritando, pulando, esperneando, berrando para ser extraída.&lt;br /&gt;- Posso arrancá-la com meu aguilhão?&lt;br /&gt;- Arrancar quem?&lt;br /&gt;- Não sei, quer que eu a arranque, arranque a dor, ou a arranque da dor?&lt;br /&gt;- Todos. Mas depressa, por favor, tá foda de agüentar.&lt;br /&gt;- Quer uma semente?&lt;br /&gt;- Para em mim plantar?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Quero.&lt;br /&gt;- Quantas você tem?&lt;br /&gt;- Eu tenho várias, mas não adianta, meu bem, só uma serve.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Não sei, queria saber, mas não sei. Pergunte ao peso da vida.&lt;br /&gt;- Perguntarei.&lt;br /&gt;- Você pode coçar a palma da minha mão?&lt;br /&gt;- Posso.&lt;br /&gt;- Pronto?&lt;br /&gt;- Pronto.&lt;br /&gt;- A semente foi plantada?&lt;br /&gt;- A semente foi plantada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115932708698249621?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115932708698249621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115932708698249621' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115932708698249621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115932708698249621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/09/quanto-custa-para-cruzar-o-universo.html' title='Quanto custa para cruzar o universo?'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115899011680248640</id><published>2006-09-22T22:39:00.000-07:00</published><updated>2006-09-23T10:06:18.176-07:00</updated><title type='text'>Dra. Suzana.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enquanto eu caminhava pela rua cheia de pedrinhas para serem chutadas, os cães me olhavam encabulados. Eu parecia ser uma espécie de demônio para eles. Estacionei a caranga vinho em um bar e disse ao homem do balcão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teobaldo, uma dose da Minha Deusa e a conta, por favor.&lt;br /&gt;- É pra já gurizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teobaldo sempre foi um dos meus amigos, um homem eficiente e compreensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é a boa da noite?&lt;br /&gt;- A busca, Teobaldo, a eterna busca da boa da noite.&lt;br /&gt;- E aquela piranha que veio com aqui com você nas últimas três vezes?&lt;br /&gt;- Como você mesmo disse, &lt;em&gt;piranhou&lt;/em&gt;. Era uma piranha.&lt;br /&gt;- De fato, você sempre pagava a conta e ela pedia as doses mais caras.&lt;br /&gt;- Pois é, além de tudo me deixou falido. Vaca.&lt;br /&gt;- Vacas mesmo. Vai guri, toma essa outra aqui que é de carvalho, recomendação minha, pela casa.&lt;br /&gt;- Brigado Teobaldo, poxa, você é um bom sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí com o coração nos punhos e o estômago palpitando na garganta. Sentia todas as mínimas nervuras das entranhas e aquilo me era enormemente lindo. Funcionei a caranga vinho, abri o vidro e senti a fingidamente acolhedora brisa do campo, senti-me forte, vivo, inspirado, como me sinto todas as noite em vão. É primavera, mas não faz tanta diferença. As flores estão vibrantes e me sinto na obrigação de também estar, sou ou quero ser uma delas. Mas o caule &lt;em&gt;apodresce&lt;/em&gt;, o suco azeda, a seiva &lt;em&gt;embrutesce&lt;/em&gt; e a essência&lt;em&gt; peresce&lt;/em&gt;. Tive dois invernos, duas primaveras e dois verões nesse ano. Um ano atípico, com apenas um outono. Talvez este tenha sido o grande erro, viver apenas um outono em um ano tão opulento, quando todas as formas se duplicaram, a vida se coloriu em trinta e duas vezes. Já não é mais a minha cidade que se transforma quatro vezes ao ano. É um lugar onde as voltas do mundo simplesmente não fazem a menor importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em frente à casa de Suzana e quis telefoná-la para dizer que estava lá. O desejo do joguete me dominou. Disse que estava longe. Suzana saiu de pijamas e viu a caranga vinho. Entrou só para conversar comigo; tentar me convencer de que eu era louco, como fez por muito tempo após as sessões de sexo que empreendíamos em seu consultório. Seus pais viam televisão e tomavam vinho. Ela não mais sairia. Funcionei a fiel caranga bordô e a levei embora. Suzana tinha medo. Eu não. A velhice antecipada me dava aquela sensação dos aventureiros, ou presidiários, coisa de quem não tem nada a perder. Suzana implorava para que eu voltasse. Implorei-lhe um último beijo. Parei no posto central e peguei duas cervejas. Suzana não quis. Prometi-lhe que a levaria embora se tomasse. Fomos à rua do cemitério, e prometi-lhe que a levaria para casa se trepássemos sobre um túmulo. Suzana então chorava, tinha medo de mim. Eu era um monstro. Pedia a ela calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não Suzana, não é assim. Eu só quero amá-la, fazer carinho em você.&lt;br /&gt;- Me leve para casa, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lábios pequenos, gordinhos e cheios de Suzana me convenceram, sem mais veneno, sem mais perfídia. Pedi a ela para que nunca mais me enganasse, ela jurou. Deixei-a de volta aos pais que nada perceberam entretidos com Mazzaroppi no DVD da família, e vinho. Acabei me arrependendo de não tê-la levado ao motel, a qualquer lugar. Ela tinha que ser minha sobre um túmulo, e depois beberíamos vinho e ela adoraria. Eu deveria ter insistido, somente, para o próprio bem dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde eu revolveria na cama como se tivesse ingerido todos os meus desafetos. E os desgraçados planejavam as mais ousadas revoluções dentro do pobre estômago. &lt;em&gt;L’alcool&lt;/em&gt;, eu já não posso consigo. Imagens do dia que conheci Suzana me assaltavam. Estávamos no sinaleiro. Ela virou o rosto exatamente na hora que o vermelho tinha se fechado e eu freava o carro com raiva. Quando o carro parou totalmente, olhei de novo. E ela me sorria de dentro dos óculos escuros. O vidro sem insulfilme se abriu vagarosamente e um cartão me foi oferecido. Estudei os caracteres e eles simplesmente não me faziam sentido, eram como um amontoado de letras (in)dispostas anarquicamente sobre um papel retangular e rígido. Em milésimos, o carro dela sumia no horizonte das ruas e buzinas mais palavrões ultrajavam meus ouvidos. Perdi mais um lance do sinal. Motoristas enlouqueciam, e eu vivia a plenitude do momento. No terceiro lance do sinal, avancei, parei em uma choperia, pedi uma com o copo sujo e resgatei o cartão para tentar decifrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disquei o número.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, consultório da Dra. Suzana.&lt;br /&gt;- Éh, hum, consultório de quê aí?&lt;br /&gt;- A Dra. Suzana é psicanalista, em que posso ajudar?&lt;br /&gt;- Quero marcar uma consulta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115899011680248640?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115899011680248640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115899011680248640' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115899011680248640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115899011680248640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/09/dra-suzana.html' title='Dra. Suzana.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115791955548323898</id><published>2006-09-10T13:17:00.000-07:00</published><updated>2006-09-10T13:21:01.853-07:00</updated><title type='text'>Dias de Raquel.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foram dias fartos. Plenos de pelo, cócoras e apelo. Eu a via deslizar pelos segundos. Ela corria para segurar minha mão. Queria alcançar o elevador, e eu não deixava. Ela me mandava beijos para serem trazidos pelo vento. Eles ricocheteavam em minha pele dura e eram devolvidos a ela como sopros de flor. O homenzinho verde vinha e os apanhava, os beijos, assim, de supetão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velha canção do &lt;em&gt;cadilac&lt;/em&gt; vinho soa da vitrola empenada. Eles me fazem cócegas. A música, o homenzinho verde e a moça das cócoras. Eu os queria todos os dias para mim. Para parar o tempo. Para salvar os momentos. Para rir mesmo estando triste e sem saber o que fazer. O que fazer, homenzinho verde? Ele costuma dizer que tudo é muito simples. O que fazer? Ela costuma dizer que não sabe. O que fazer? Eu costumo inventar coisas para encher lingüiça. Que diferença fazem, as coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui buscá-la para tomarmos uma dose de pinga acompanhada da conta no balcão da cachaçaria. Demos &lt;em&gt;estralos&lt;/em&gt;. Eu disse para ela me estralar que eu então a estralaria. Ela aceitou. Eu quero vencer o ódio, não, prefiro vencer o tédio. Vamos rodar, rodar, rodar. Nós três, eu, você e ele(a).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que resta é nada mais do que buracos. Um vazio que parece encolher. Sou eu que encolho ou é o vazio? Ela costuma saber de vazios. Preciso de mais alguns dias com ela para aprender o que ela diz deixar de saber. Quem deixa de saber é quem mais sabe de &lt;em&gt;quelque chose&lt;/em&gt;. Ela sabe. Ele também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou dançar a agonia e sussurrar blasfêmias no ouvidinho das minhas personagens. Vou derramar vinho em mim mesmo e beber babando para fingir que os trago de volta. Todas as garrafas serão abertas com lágrimas e suor enfumaçado. Quero mais deles vadiando pelos corredores da galeria. Mais deles no banco ao lado. As ruas todas vazias. As mesmas de sempre. Não quero mais vê-las tão cedo, as ruas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115791955548323898?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115791955548323898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115791955548323898' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115791955548323898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115791955548323898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/09/dias-de-raquel.html' title='Dias de Raquel.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115722546783354363</id><published>2006-09-02T12:29:00.000-07:00</published><updated>2006-10-22T09:12:49.726-07:00</updated><title type='text'>Lírios diáfanos vindos do ventre dela.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De volta ao mundo, ouso me pôr. Sonho audacioso com os dias dourados de outrora. A vida pacífica já me cansa. Quero novamente o pandemônio com todos os seus sangues lubrificando a minha boca. Com a saliva a escorrer pelo corpo dela com as minhas lambidas indecentes às sete da manhã de um sábado logrado pela noite anterior. Ébrios de vinho e vomitados dos esgotos boêmios. Vivos em auto e constante degradação. A celebração incansável do melhor mestre: Baco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrirei as suas pernas e direi máximas indizíveis. Atravessaremos dias, noites, garrafas e cigaretas vencidas. Cruzaremos as fronteiras políticas e virtuais que separam os homens dos deuses. Eis aqui o convite, a carta de entrada. Juntemo-nos a eles no panteão sagrado das orgias inevitavelmente fabulosas. Aprenderemos com eles o que eventualmente teremos de ensinar aos nossos pupilos para que eles salvem este nosso mundo degenerado. Façamos a perversão soçobrar os casulos (i)morais. Destruamos aqueles arquétipos anacrônicos e construamos ogivas de &lt;em&gt;putaria&lt;/em&gt; sobre as antigas estruturas. Ensinemos o grande ato de celebração à vida chamado &lt;em&gt;fodelança&lt;/em&gt; em todas as escolas obrigatoriamente. Façamos nossas crianças sábias e intrépidas. Subvertamos as intempestividades simplesmente por ignorá-las; sejamos os regentes por mérito da indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou sussurrar delírios do mel em seu ouvido. E você vai gozar somente por ouvi-los. Nós vamos jantar nossos dedos, rostos, restos, peles, cicatrizes e bílis junto à nossas essências, e isso se fundirá dizendo coisas que jamais imagináramos sobre Nós mesmos. O velho, antigo, doce ultrapassará o presente e se projetará ao futuro com a velocidade da luz. E tudo, tudo começará com os meus murmúrios indevidos ao seu ouvido altamente salivável. Eu quero lamber todos os poros, germes, bactérias e bostas deterioradas do seu corpo. Envolvê-la em echarpes invisíveis de afetação. Colocá-la-ei na mesma banheira que um dia me amorteceu complacentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo, meu bem, o mundo tem cura. Basta &lt;em&gt;fodermos&lt;/em&gt; até o fim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115722546783354363?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115722546783354363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115722546783354363' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115722546783354363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115722546783354363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/09/lrios-difanos-vindos-do-ventre-dela.html' title='Lírios diáfanos vindos do ventre dela.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115696468958208250</id><published>2006-08-30T12:02:00.000-07:00</published><updated>2006-08-30T12:05:21.663-07:00</updated><title type='text'>Farelos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Pare de destruir minhas correspondências.&lt;br /&gt;- Elas só vêm com tristeza.&lt;br /&gt;- Mas são minhas. Há quanto tempo você as tem destruído?&lt;br /&gt;- Muito.&lt;br /&gt;- Quanto?&lt;br /&gt;- Não importa.&lt;br /&gt;- Claro que importa.&lt;br /&gt;- Sim, o tempo suficiente para que você ficasse feliz.&lt;br /&gt;- Não pode ser.&lt;br /&gt;- Não notou o quanto as coisas melhoraram desde que as cartas não mais chegaram?&lt;br /&gt;- É crueldade sua.&lt;br /&gt;- Não, não é; sejamos práticos: as cartas a maltratavam, o que por sua vez me afligia, e eu para sanar tudo acabei com a entrega das cartas. Elas só lhe traziam o vão da dor, o inferno, por que não desmerecê-las? Por que não vivermos em paz?&lt;br /&gt;- “Se me amas, por que não me poupas dessa tua visão cruel e amarga do mundo. Tens ciúmes das cartas. Não vês que me feres com este teu ciúme doente?”.&lt;br /&gt;- “E tu não vês que tudo o que faço é para proteger-te? São a tua doçura e o teu desamparo que me ferem de morte. Quisera eu que ficasses de tal modo por mim, mas não, ficas por causa de um outro que se mostra por cartas dissaborosas”.&lt;br /&gt;- Corte-me. Arremesse-me aos lixeiros que passam todas as segundas, terças e sextas de madrugada.&lt;br /&gt;- Deixe de ser demasiado inocente. Veja o mundo, enxergue-me ao seu lado como um parceiro e aliado. Mas também me ame, por favor. Estou cansado de viver com você em distância. Estou cansado de dormir ao seu lado e saber que se sou tocado é por complacência.&lt;br /&gt;- Melhor seria acabarmos com o mundo então.&lt;br /&gt;- Sim, as suas cartas estão todas guardadas em uma pasta colocada atrás das enciclopédias na biblioteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho tanto sono.&lt;br /&gt;- Eu sei, já tive a sua idade.&lt;br /&gt;- As manhãs, principalmente as frias, trazem a letargia mais profunda por mim já sentida.&lt;br /&gt;- Tome banho, xícara grande de café, talvez pó de guaraná.&lt;br /&gt;- Tomo o café, e não adianta. Banho não, seria crueldade demais para comigo mesmo. Manhãs frias não são para banhos.&lt;br /&gt;- Quentes e mornos.&lt;br /&gt;- Mas aí o corpo se conforta mais ainda e o sono, que já era implacável, se torna indissolúvel. Banhos matutinos para serem eficientes precisam ser frios, como no quartel, mas não durante o inverno. Durante o inverno, banhos quentes devem ser tomados à noite, para dormir confortável.&lt;br /&gt;- E as viagens de bicicleta, não despertam?&lt;br /&gt;- Sim, mas logo que chego, a aula se torna chata e o sono me derruba. Babo sobre os livros e cadernos. E não sou o único, há muitos assim. Mas em suas aulas isso não acontece.&lt;br /&gt;- Sério, por quê?&lt;br /&gt;- Ah, suas aulas são boas, divertidas. Muitas vezes eu até penso em matar a última quando vejo que é física, detesto física, mas se vejo que será a sua aula de física, eu fico. Fico e acho bom. A parte de física que você ensina eu sei e gosto.&lt;br /&gt;- Puxa, ganhei o dia. Que bom. É ótimo você ter me falado isso.&lt;br /&gt;- Acho que é importante. Há professores ruins demais e muitos. Devo dizer aos bons que são bons para que se mantenham. Se todos os professores fossem ruins, eu dormiria em todas as aulas.&lt;br /&gt;- É mesmo. Eu sei o que você fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que besteira qualquer.&lt;br /&gt;- Você tem saudade?&lt;br /&gt;- De que?&lt;br /&gt;- De besteira qualquer, daquelas que valham a pena, tem?&lt;br /&gt;- Não exatamente.&lt;br /&gt;- E aquelas coisas que poderiam parecer ter sido sonho.&lt;br /&gt;- Não tenho esses trunfos.&lt;br /&gt;- Isso não é trunfo.&lt;br /&gt;- É o que então? Veleidade?&lt;br /&gt;- Mais veleidade do que trunfo.&lt;br /&gt;- Ter saudade de besteira qualquer é veleidade, tudo bem.&lt;br /&gt;- Não é assim. Só digo que muitas pessoas simplesmente não têm tempo, nem possibilidade, de ter sonhos fantasiosos sobre seus passados, nem besteiras quaisquer. Para alguns, é luxo ter um passado memorável, um ideal conquistado um dia e que, por já ter sido perdido, se torna ambição. Há pessoas que querem resgatar o passado. Há outras que querem enterrá-lo por ter sido demais de amargo. E há outras que lutam constantemente na construção do futuro, sem pensar nem em passado nem em presente.&lt;br /&gt;- Ter passado é um trunfo. Quem tem passado, mais facilmente construirá um futuro.&lt;br /&gt;- Ou não, por ficar ocupado demais com lembranças.&lt;br /&gt;- Depende do tipo de lembranças.&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- O seu copo já está vazio. Vamos dormir ou quer mais um pouco?&lt;br /&gt;- Ah, vamos beber só mais um pouco.&lt;br /&gt;- Muito bem. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115696468958208250?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115696468958208250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115696468958208250' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115696468958208250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115696468958208250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/08/farelos.html' title='Farelos.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115682293131186495</id><published>2006-08-28T20:40:00.000-07:00</published><updated>2006-08-28T20:44:29.570-07:00</updated><title type='text'>Simples caquético enfadado.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Do que você mais gosta na carne?&lt;br /&gt;- Nada exatamente.&lt;br /&gt;- E em minha carne?&lt;br /&gt;- Gosto da sombra do delineador.&lt;br /&gt;- Mas eu quis saber do que gosta em minha carne. Algo natural.&lt;br /&gt;- Prefiro conceber a sua carne com delineador como algo natural.&lt;br /&gt;- Mas isso não vale, você sabe.&lt;br /&gt;- Vamos nos deitar?&lt;br /&gt;- Sim. O que faremos deitados?&lt;br /&gt;- Qualquer coisa, como o que fazemos agora.&lt;br /&gt;- Mas não fazemos nada.&lt;br /&gt;- Façamos nada na cama.&lt;br /&gt;- Passarei meu dedo indicador sobre seu lábio inferior até feri-lo.&lt;br /&gt;- Por que quer me ferir?&lt;br /&gt;- Para criar algum evento.&lt;br /&gt;- Cansa-se da pasmaceira?&lt;br /&gt;- Absolutamente.&lt;br /&gt;- Deseja me ferir para que eu reclame e a gente brigue?&lt;br /&gt;- Não tinha pensado exatamente assim, mas quase.&lt;br /&gt;- Você tem razão, precisamos inventar coisas para fazer, os dias sozinhos já não se preenchem. Quando é que a travessia terminará? Passo a me entediar dela.&lt;br /&gt;- Eu também.&lt;br /&gt;- E se tivéssemos um filho.&lt;br /&gt;- Não mudaria, seria mais um para se entediar.&lt;br /&gt;- Mas o tédio é muito relativo. Parece pertencer a mentes doentias. Somos doentios, sabe disso...&lt;br /&gt;- Sei, admito, mas, ainda assim o tédio consome, me, nos consome.&lt;br /&gt;- Que tal se a gente se envolvesse com instituições do terceiro setor?&lt;br /&gt;- Essa é a maior bosta de todas. Prefiro dedicar o meu tédio a coisas mais improdutivas, prefiro praticar o tédio autonomamente.&lt;br /&gt;- Assim só há como sucumbir.&lt;br /&gt;- Não diga que eu a atraio. Você é enfastiada porque quer.&lt;br /&gt;- Não, não sou. Fui contagiada. De qualquer modo, não era disso que eu estava falando.&lt;br /&gt;- Vá embora então. Deixe-me saborear meu tédio até cair no sono.&lt;br /&gt;- Não se renda.&lt;br /&gt;- Não se renda é o caralho!&lt;br /&gt;- A sua violência não me afeta.&lt;br /&gt;- É porque ainda não tive forças para exaltar a voz ou correr atrás de você.&lt;br /&gt;- Você é patético com esse seu modo de ser virulento. Xinga como se declamasse poemas marginais. Não sei se rio ou ignoro.&lt;br /&gt;- Se não sabe o que fazer, chupe-me.&lt;br /&gt;- Eu vou embora.&lt;br /&gt;- Vai tarde.&lt;br /&gt;- Que os vermes o consumam.&lt;br /&gt;- Amém, e quando eles terminarem, eu estarei liberto, feliz, pleno. Dissolverei as fibras de minha carne ao vento e serei o nada. Já não tenho mais meios para encher isso. Fiz tudo o que queria ter feito.&lt;br /&gt;- Será?&lt;br /&gt;- Vai embora.&lt;br /&gt;- Vou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;He carried on licking wishes and flattering young lady’s diaries. She was still on the fifteenth of November writing anything she didn’t remember. It was quite on him, most certainly. His ways of caressing her, finding her in the middle of nowhere as eventually as catching the sight of a bee pollinating the stigma of a flower, were rather simple and tender. She was touched, but not convinced that she could fully believe. He was keen on bringing her flowers to show her that she was blossoming. Polite boy got to shag the young lady taking her virginity. Ashamed, she didn’t mean to convey to anyone, however, her sister was the first to know at a party given in her own garden. Her parents had invited the entire neighbourhood for a celebration of wealth. She was a dog, the sister, and barked it off to anyone who wanted to hear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Would you dance with me?”&lt;br /&gt;“Don’t get me embarrassed”&lt;br /&gt;“I’m so sorry, I didn’t mean to”&lt;br /&gt;“But you did!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;She ran off to the lake intending to weep every grief and sorrow she’d got to let go. The pathway was rather unused and she tumbled by striking something unknown. He came just after to aid her. Her clothes were shaken and they embraced each other helplessly.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;By the lake he flung a couple of pebbles, she said nothing; all they wanted was to listen to their song. They went back to the party and danced alone. Everyone saw what they would still condemn. Thereafter, they could no longer split. They had become like dogs that once stuck to each other, they can’t split any soon. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115682293131186495?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115682293131186495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115682293131186495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115682293131186495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115682293131186495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/08/simples-caqutico-enfadado.html' title='Simples caquético enfadado.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115621272952711256</id><published>2006-08-21T19:10:00.000-07:00</published><updated>2006-08-21T19:12:09.536-07:00</updated><title type='text'>Claro.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Assim que os dias se tornam claros e se recuperam das insalubridades turvas de outrora, a chave de ouro passa a sustentar as cinzas dos cigarros mal-apagados dela. Eu tinha dado o maldito molho de chaves a ela. Tinha a chave da porta da frente, de trás, do meu quarto, do meu escritório, da minha adega e do meu banheiro. Ela podia fazer tudo o que quisesse comigo com aquelas chaves, jamais deveria ter lhe confiado aquele molho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei com o rosto estático dela sentada a minha poltrona me assistindo dormir. Segundo ela, estivera ali desde às oito da manhã, e eram onze. Ela sorvia uma de minhas muitas deliciosas garrafas de vinho cuidadosamente guardadas na adega. Perguntei a ela o que fazia. Disse-me que tinha algo muito importante para dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou a roupa e entrou em minha cama como se entrasse em mim. Senti algo estranhíssimo, pela primeira vez era como se eu fosse penetrado, e por uma dama. Dei-lhe bofetadas para que parasse com aquilo, e então percebi que era pura alucinação. Ela cuspiu em meu rosto e eu mordi o seu queixo. Reclamou e começou a me bater. Eu fiz carinho a ela. Que não gostou, levantou-se da cama, pegou o sacador de rolhas e enfiou em meu peito, depois começou a torcer e destorcê-lo, abrindo buracos em mim. Eu sentia apenas um prurido leve. E quando vi o vermelho, eu disse a ela: Meu bem, você me derramou vinho, vai, lamba-me agora! E ela me lambeu com prestígio o sangue que então escorria copiosamente dos meus ‘pruridos’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti minhas forças se esgotarem vagarosamente, e ela me lambia. Eu gostava daquilo, imaginava que estava atingindo um altíssimo grau de elevação espiritual, pois meu corpo era lambido, afagado, massageado, e, além disso, eu mergulhava num desfalecimento jamais sentido. Rosas plúmbeas anuviavam o quarto. As cortinas se fechavam para esconder o sol forte do meio-dia. Tudo como se fosse natural, o cheiro e gosto de sangue na boca como se fossem óbvias sensações. O mundo nunca me parecera tão certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeci suavemente com ela me lambendo e entre os cílios eu a vi parar, se levantar da cama, se vestir e ir embora trancando a porta com o meu molho de chaves. Fiquei miseravelmente prostrado na imensa cama sorvendo meu sangue junto à sozinhez. Tentei inúmeras vezes gritar o seu nome, em vão, pois as forças se me faltavam. Desejei apenas sorver uma última taça de vinho, e ela não tinha nem mesmo me providenciado isso. Imergi em uma realidade de sensações lúgubres. Abelhas me picavam o corpo com alfinetes encantados. Minhas lágrimas escorriam por ralos que remetiam ao paraíso. Tentei me enfiar por um deles. Mas não pude. A língua travou, as sensações cessaram, o olho empedrou, a verdade se revelou, e o desejo ardente secou.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115621272952711256?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115621272952711256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115621272952711256' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115621272952711256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115621272952711256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/08/claro.html' title='Claro.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115595675838025010</id><published>2006-08-18T20:05:00.000-07:00</published><updated>2006-08-18T20:05:58.403-07:00</updated><title type='text'>O condicionador do tempo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os momentos são como fios de cabelo que se despedaçam ao banho. Amontoam-se no ralo que vai para o mundo. O condicionador fortalece e condiciona o cabelo, como faz com o tempo. Precisamos de condicionadores de tempo, para reforçar lacres vencidos e quase arrombados à força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso urgentemente de condicionadores. Anelos. Falsetas. Pernetas endinheirados que me paguem desjejuns magros. Quero apenas o essencial, ou aprender a apenas tê-lo. Cascos de vidro. Bocas de garrafa. Rolhas de latas e lentes de cristal. Eu amasso e embrulho tudo com papel feito das tripas da minha mendicância afetiva. Desafetos botaram ovos em mim que agora se debatem para sair. Fuga, lágrima e declínio. Cansei de pregar a decadência. O triunfo pede para ser alçado. Digo, tenha forças a ele, moça do rabo quente! Ela balança a cabeça afirmativamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmações, dichavações, inclinações suspeitas em minha cama. Abro a boca e como esfomeado. Pulo esfomeado. Defeco esfomeado. Banho-me esfomeado. Ando desnorteado e esfomeado por vida e luz e sussurros redentores. Poucas palavras bastam. Viro a esquina e tenho preguiça de chegar. Porque não me contento, quero ir muito mais além, com ela, claro, ir ao mar que seja, mas além.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Espero a menina da parede que fica perto e me diz incongruências tão belas quanto escassas. Raras, poucas. Quero mais dela. Quero beber álcool com ela. Ex-menor de idade arrependida. Sou responsável por ela e por ensinamentos que não cabem na unidade chamada Nós. Ela sabe tudo o que precisa saber e ainda assim sou pago para ensiná-la. Quem tem o mar se entristece. Quem tem tudo é descontente. Quem não a tem sou eu, embora a queira plenamente. Nada de aderências nem ardências. Eu a quero na plenitude do querer, haver e poder. Ela me pode e eu a posso. É assim que vivemos e morremos todos os tempos. Ela precisa ver o centro para salvar a mim e salvar a ela mesma. Doce.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115595675838025010?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115595675838025010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115595675838025010' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115595675838025010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115595675838025010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/08/o-condicionador-do-tempo.html' title='O condicionador do tempo.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115533425816448282</id><published>2006-08-11T15:09:00.000-07:00</published><updated>2006-08-12T08:46:55.893-07:00</updated><title type='text'>De H. Miller à Compassividade.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Chegou a me dar dinheiro algumas vezes para que eu dormisse com ela, até perceber que eu era um libertino sem esperança”. H.M.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentar em uma cadeira e assistir a alguém declamar blasfêmias incomoda terrivelmente. Quero desistir, mas tenho que me resignar. Penso que tudo deveria ser mudado. Coisas naturais e consecutivas deveriam ser exigidas. Os estudantes têm que aprender tantas coisas desinteressantes que acabam desestimulados. Entendo agora por que tantos se matam pelo caminho. Por que não exigir dos candidatos através áreas do conhecimento, em vez de exigir tudo? Quando o correto seria encaixar todo mundo... É tão chato e frustrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu último suspiro será uma instrução para melhorarem as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada tão produtivo quanto aulas incompreensíveis de exatas no cursinho junto a uma mente frutífera afogada em cafeína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compaixão é uma desgraça; uma catástrofe na alma coletiva da humanidade. Os mesmos idiotas compassivos são os que criam as condições propícias à proliferação da miséria alheia. A compassividade é um efeito da causa demanda. Se não houvesse miseráveis demandando compassividade, ela deixaria de existir. A compaixão deve ser abolida, racionalizada, pois em um mundo (utopicamente) racional não haveria miséria (não falo da pobreza financeira, mas sim da pobreza de modos, espírito e atitude) e conseqüentemente não haveria a compaixão, que é o elemento acentuante, ou agravante da miséria. Compaixão gera miséria e miseráveis. Os miseráveis entopem o mundo de equívocos, escrotisse e feiúra. São desalmados, estúpidos, gananciosos, interesseiros, anacrônicos, acomodados, pobres de decência e de delicadeza. Malditos miseráveis regentes do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os germens implantados em mim por Henry Miller fritavam os meus tímpanos com gritos inflamáveis. Resolvi abrir uma de suas páginas para que se acalmassem, e vim de encontro à isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando olho para dentro dessa buceta fodida de puta, sinto o mundo inteiro embaixo de mim, um mundo vacilante e desnorteante, um mundo gasto e polido como um crânio de leproso. Se houvesse um homem que ousasse dizer tudo quanto pensa deste mundo, não lhe restaria um palmo quadrado de terra onde ficar. Quando um homem aparece, o mundo cai sobre ele e quebra-lhe a espinha. Restam sempre em pé pilares apodrecidos demais; humanidade supurada demais para que o homem possa florescer. A superestrutura é uma mentira e o alicerce é um medo enorme e trêmulo. Se com intervalos seculares aparece um homem de olhar desesperado e faminto, um homem que vira o mundo de cabeça para baixo a fim de criar uma nova raça, o amor que ele traz ao mundo é transformado em fel e ele se torna um flagelo. Se de vez em quando encontramos páginas que explodem, páginas que ferem e queimam, que arrancam gemidos, lágrimas e pragas, sabemos que elas provêm de um homem com as costas na parede, um homem cuja única defesa restante são suas palavras, e suas palavras são sempre mais fortes que o peso mentiroso e esmagador do mundo, mais fortes que todos os ecúleos e rodas que os covardes inventam para esmagar o milagre da personalidade. Se algum homem ousasse traduzir tudo quanto há em seu coração, expressar realmente o que é sua experiência, o que é realmente sua verdade, penso que o mundo se despedaçaria, se reduziria a pedacinhos e nenhum deus, nenhum acidente, nenhuma vontade poderia jamais reunir novamente os pedaços, os átomos, os elementos indestrutíveis que entraram na formação do mundo... O mundo está esgotado: não resta um peido seco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Sr. Henry Miller continua na página 226 de uma das publicações em português de Trópico de Câncer o que ainda não conseguiu terminar de dizer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115533425816448282?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115533425816448282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115533425816448282' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115533425816448282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115533425816448282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/08/de-h-miller-compassividade.html' title='De H. Miller à Compassividade.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115475298351048231</id><published>2006-08-04T21:41:00.000-07:00</published><updated>2006-08-05T20:27:38.470-07:00</updated><title type='text'>A Incomunicabilidade ou a Indiscutibilidade.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A serenidade é algo inviolável. Quero acender velas e dissecar as fibras que cobrem aquilo tudo. Um monumento. Uma ogiva de afetação e desentendimento. Ela me mente, e eu cedo a ela. Concedo as verdades vazias, os olhares sem culpa, os porquês indizíveis e secos. Ela me foge ao longe e eu tento abocanhá-la com toda a devassidão que minha fofura permite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos um único e singular poço de luxo. Embebemo-nos mutuamente e nos tornamos recipientes envidraçados. Fragmentos intangíveis apesar de estarmos um dentro do outro. A parte líquida escorre por fora e se infiltra em nossos poros. Mas eu grito a ela: Não há jeito; não há poro; a redoma é completa e hermética. Ela me retruca fragilizada, basicamente um vaso de vidro irascível. Ignoro. Viro as costas mesmo para comportamentos doentios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solto espumas de afetação e ela não entende. As coisas assim se complicam, aconselho a ela. Que continua sem entender o que eu jamais vou explicar com a clareza que ela precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incomunicabilidade. Antonioni. Michelangelo Antonioni. Monica Vitti. Meu membro intumescido. Especulação acerca de razões plausíveis. Indiscutibilidade de certas questões. É tudo um jogo. Todos fingem. Eu finjo. Nós fingimos. Vocês fingirão eternamente. Eu talvez não. Brincar de ser legal também cansa. Pelo menos já alertei minha conviva e tutora de que em casa eu lançarei mão das máscaras. Fotografias, fugas no parque, um assassinato, muita indiferença e descaso. Ninguém se importa senão com a diversão. Eu também não. Quero mais é enfiar meus dedos no mel que desce cintilante e viscoso daquele ralo chamado ‘entranhas’ dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a porta, desci do carro e vi a sombra de minha perna esquerda sobre um gramado curto e miseravelmente pavimentado. Foi a gota d’água, disse a mim mesmo. O teatro do absurdo me cansa. As mentiras do ‘amanhã cedo’ estão perdendo o foco. Preciso reinventar meu palco. Reescrever meus discursos e roteiro. Repensar minhas encenações. Retocar a maquiagem. Os diálogos já desusados e conseqüentemente desalmados. E foi ela quem causou tudo isso. Aquela que me ensinou a verdade dos bichos. Agora sei cuspir baforadas de ilusão com gotículas de compaixão, graças à ela. A sinceridade &lt;em&gt;entreguista&lt;/em&gt; se aproxima, inadiavelmente. Eu quero que ela se foda. Que se vá e passe sem deixar &lt;em&gt;laiá&lt;/em&gt;. É mentira. É falso. No entanto, quanto mais inverossímil isto for, mais eu a desejarei. Embora não possa, pois há uma conduta a ser zelada. Um ritmo de vida a ser sustentado. Axiomas &lt;em&gt;pseudo-dândicas&lt;/em&gt; a serem ostentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que merdas são essas?, digo a mim mesmo, um bando de farelos assoados no pavimento quebrado do &lt;em&gt;boulevard&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;- É a decadência uma decorrência direta da insensatez?&lt;br /&gt;- Possivelmente.&lt;br /&gt;- É ela uma incoerência?&lt;br /&gt;- Certamente.&lt;br /&gt;- Querer a ela e somente a ela é um equívoco?&lt;br /&gt;- Dos mais lamentáveis.&lt;br /&gt;- Há algo a ser feito?&lt;br /&gt;- Temo poder dizer que não.&lt;br /&gt;- E agora então?&lt;br /&gt;- Mate-se ou mate a ela.&lt;br /&gt;- Mas ela está longe.&lt;br /&gt;- Então não mate ninguém ou mate qualquer pessoa.&lt;br /&gt;- Não quero, tenho preguiça, prefiro ficar deitado em minha cama lamentando não sei exatamente o quê.&lt;br /&gt;- Sabe que agora não pode mais fazer isso, não sabe?&lt;br /&gt;- Sei. Mas por que não posso mais?&lt;br /&gt;- Porque você já convenceu gente demais de que é um bom homem, grande e responsável e maduro.&lt;br /&gt;- Mas eu sou um idiota que nem ao menos se admite ter verdades supremas e sobrepujantes. Sou um cínico de araque. Uma falsidade desfacetada e indecorosa.&lt;br /&gt;- O que tem mesmo é medo de ser um rastejante.&lt;br /&gt;- Também.&lt;br /&gt;- Adoeça então e faça sem delicadeza, esqueça a gentileza. Seja desnecessariamente arrogante, ou então simplesmente desnecessário.&lt;br /&gt;- Você sabe tanto quanto eu que o meu maior medo é a mediocridade. Se eu for desnecessário, aí sim terei inspiração suficiente para escrever o meu mais belo livro: &lt;em&gt;La Mort&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bergman é tão profundo no tratamento para com seus temas quanto ela é quando penetrada por mim. Máxima verdadeira. Caldas. Caldas que se despejam corpo dela abaixo. Lambo tudo o que é meu. Morro assim que os ventos cessarem sob aquele cobertor na ventania do alto do morro. Ser indiscutível é o que mais dói. Vejo assim que ela surgir. Mordo assim que a carne dela luzir o branco. Enterneço, juro que ainda posso, enterneço assim que seus olhos me buscarem desprevenidos daquela maldita afetação. Coloco minhas tripas de fora assim que ela me pedir com doçura. Catalogo todos os oásis do mundo em um papel sem linhas de folhas riscadas em x para a ela agradar. Mostro a dor que ela causa em meu membro e lhe explico pacientemente tudo. Vingo a miséria trazida assim que ela partir. Durmo quando a luz se apagar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115475298351048231?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115475298351048231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115475298351048231' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115475298351048231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115475298351048231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/08/incomunicabilidade-ou.html' title='A Incomunicabilidade ou a Indiscutibilidade.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115437726092991197</id><published>2006-07-31T13:19:00.000-07:00</published><updated>2006-07-31T13:21:00.936-07:00</updated><title type='text'>Viver sob as ondas de seus passos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bailar não dói, meu doce, eu disse a ela enquanto o vento balançava seus cabelos à beira-mar. O vento era frio, mas mesmo assim eu achava belo ver o mar. Sempre gostei de ver o mar com ela. E quando estava sozinho, eu o via para me lembrar dela. Juro de pés juntos que via até o brilho do seu cabelo que variava com o dia, com a luminosidade do sol e com a quantidade de horas acumuladas desde a última vez que fora lavado, enquanto assistia as ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar gelado paira na atmosfera. Os dizeres que deveriam apresentar soluções me confundem. Os pensamentos são devassos irrequietos que me assaltam e me roubam a serenidade há tanto almejada. Morro de desejos e germino ramificações sem galhos. Um cotovelo sem lisura, um fio de novelo desemaranhado com brutalidade. Eu não compreendo nem metade dos porquês. Quero satisfazer apenas a carne e por que tantas coisas mais? Luto para apreender a compreensão de comprimir objetos voláteis incompreensíveis. Eles voam tão alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi à moça dos lábios doces e verdes para que me explicasse a metade daquela parafernália. Mas somente a metade, pois não quero me corromper. E ela, toda bondosa em um jeito jeitoso de ser ajeitada, disse-me que sim.&lt;br /&gt; Passo mais tarde na casa dela e ela me oferece sua presença para eu beber. Eu bebo tudo e peço mais. Umedeço um pouco de dedos delgados na saborosa bebida e como também. Concedo um pouco ao santo. Deito em sua cama e choro porque tenho sono e cansaço e não quero saber de nada. Ela tenta me aprender, me ensinar, me fazer entender, mas eu não quero e não consigo e não posso. Eu só posso tê-la e nada mais. Fazemos brigadeiro quente e lembramos que existem bacalhaus na Noruega. Ela me adoça, o brigadeiro também, o frio, suas pernas, o carpete, os cães pequenos, seus dedos, sua calça de moleton. Saio silencioso e ela me pede para encostar a porta. Devo voltar em outro dia. Faz frio e nos buscamos para nos aquecer. Ainda tenho de ir e sofro com minhas mãos geladas. Não houve vento no rosto neste dia.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115437726092991197?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115437726092991197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115437726092991197' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115437726092991197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115437726092991197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/07/viver-sob-as-ondas-de-seus-passos.html' title='Viver sob as ondas de seus passos.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115405841932668363</id><published>2006-07-27T20:44:00.000-07:00</published><updated>2006-08-04T19:55:45.716-07:00</updated><title type='text'>O corretor de imóveis e a periferia distante.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fomos buscar um corretor de imóveis para ver a casa que meu tio quer comprar. No caminho, ele já me avisava: “cuidado que o cara é meio kibe”. Dei risada e seguimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns minutos haveria um sujeito absolutamente cheirado no banco de passageiro do meu carro cuspindo mais insanidades por minuto do que eu faço em um mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá no perfil, bora lá, bora lá moço, é por aqui.&lt;br /&gt;- Onde fica a casa?&lt;br /&gt;- É longe moço, mas vai indo, segue reto e tora o pau.&lt;br /&gt;- Cacete, tem terra?&lt;br /&gt;- Tem. Mas vai moço. Hum, você tá no perfil, quem é esse menino, ele tá no perfil?&lt;br /&gt;- Ele é meu sobrinho.&lt;br /&gt;- Hum, eu tenho uma filha de dezesseis anos, e gostosa. Mas você sabe comé qui é né, vai ter que me pagar, e custa caro. Donde cê veio?&lt;br /&gt;- Eu vim do mundo.&lt;br /&gt;- Hum, num fica falando isso pras pessoas não que isso vai vira merda, eu conheço todo mundo aqui, já levei quatorze tiros e estou vivo, olha só, tenho marcas aqui e aqui e ali.&lt;br /&gt;- Que fita.&lt;br /&gt;- Cara, logo meu sobrinho vai se cansar de você.&lt;br /&gt;- Que nada, ele é do perfil, mas vem cá, o jóia, donde você vem?&lt;br /&gt;- Daqui mesmo, cara!&lt;br /&gt;- Como, se eu nunca te vi por aqui?&lt;br /&gt;- Ele passou uns dias em London.&lt;br /&gt;- Ah, hum, speak english? He’s handisomi, handisomi.&lt;br /&gt;- Who’s handsome?&lt;br /&gt;- Moi.&lt;br /&gt;- Hum, tá no perfil, bicho, vô ti arranjá um emprego na cultura inglesa, eu conheço a dona, ela é minha parceirona de putaria, gente boa, milhonária, tem vários carros importados, coroa e solteira, se você quiser ainda arranha um biteco. Mas cê sabe comé qui é né, cê vai ter que me pagar e é caro. Cê tem dólar aí? Lá fora é assim, tudo é pago, todo mundo si fodi, intão cê já sabe comé qui é.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Euro?&lt;br /&gt;- Também não.&lt;br /&gt;- Pô, meu, mas tudo bem, cê me paga depois, di outro jeito.&lt;br /&gt;- Não vou te comer, cara.&lt;br /&gt;- Não, não é isso que quis dizer, ai como são bobo essis moço dojindia.&lt;br /&gt;- Diboa.&lt;br /&gt;- Mas olha só, minha filha tem dezesseis anos i é filé, queimou todo o patrimônio do namorado dela com gasolina de carro e pó e ainda fica menosprezando a mesada que eu dô pra ela. Ô bicho, ela é modelo, entra no site dela aí depois, vô anotá qui procê. Gostosa. Mas olha só hem bicho, cê vai tê que me paga.&lt;br /&gt;- Diboa.&lt;br /&gt;- Cê tem carro?&lt;br /&gt;- Ué, olha aí, não tá vendo?&lt;br /&gt;- Ai, mas isso, essa caranga aqui é velha dimais pra carrega meu tisoro, mas tudo bem, eu te empresto o meu carro, mas olha só em bicho, não quero você pegando ela por aí não hem, vai lá pra casa, eu moro num apartamento grande e vocês podem fica tranquilo lá.&lt;br /&gt;- Ah é, mas e o emprego.&lt;br /&gt;- Arranjo procê também, porque cê sabe né, eu só ajudo assim minininho no perfil, bunitinho, e cara, cê é no perfil, cê fala o ingleis britânico, é no perfil, e si brincá ainda come a muié.&lt;br /&gt;- Aiai, tá bom cara.&lt;br /&gt;- Olha só bicho, eu vou fazê um frango xadrez domingo lá em casa procê conhecê a minha filha. Cê gosta de frango xadrez, o bicho? Gosta?&lt;br /&gt;- Gosto, ôpa.&lt;br /&gt;- Intão tá combinado, eu vô ti busca lá na sua casa.&lt;br /&gt;- Mas você nem sabe onde eu moro.&lt;br /&gt;- Mas me fala aí já, oras.&lt;br /&gt;- Não, depois você liga.&lt;br /&gt;- Beleza. Mas vou hem.&lt;br /&gt;- Cara, eu sei comé qui é, eu também já morei lá fora. Ráhhhh, aqui são quatro anos di manhattan meu jovem, também já fui no perfil. Vivi lá só comendo cú de velha rica, e eu fodia e elas me pagavam e dólar caía. Vivi lá bicho, quatro anos. E era só no viagra também né, o coração pulando qui nem doido e eu metendo, arrebentando aquelas véia lá tudo. É bicho, o sistema é bruto lá fora, cê sabe comé qui é, si num fosse isso, eu num tinha nada hoje. Êta veiarada do dólar, mas era bom hem.&lt;br /&gt;- Aham, você tomava viagra ou cheirava pó?&lt;br /&gt;- Hshshshshs, ô moço, fala issu não, shhshsh. Óia só moço, fala nada disso que eu ti disse tá, nada. Quer uma cobertura? Tá vendo aquela ali, eu tô vendendo, o cara faliu com lavoura e tá vendendo desesperado, só duzentos pila, tem piscina e tudo mais. E aquela ali? Ô bicho, tô cheio de cobertura pra vendê, me fala só o tipo de prédio que te passo. E naquela ali é só filé qui mora hem, cheio de gatinha na piscina, tudo filhinha de papai que não faiz nada o dia intêro, só fodi.&lt;br /&gt;- Cara, eu não tenho grana.&lt;br /&gt;- Ah, mas um dia vai tê, bunito dessi jeito. Olha só bicho, eu vô te empresta meu carro e você vai andá com a minha filha usando óculos italianos e aí tudo essas filhinhas di papai vão te querer, mas você vai ter que fica só com a minha filha, tá entendendo ô bicho, e nada de putaria na rua hem, beleza?&lt;br /&gt;- Beleza cara, agora vai aí, chegamos de volta ao Adelina Rigotti, vai aí cara, falou, abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nessa viagem alucinada fomos a periferia zero da cidade ver uma casinha basicamente construída que o tal corretor estava vendendo. O cara não parou de falar e falar em um único segundo. Eu e meu tio concordamos em unanimidade sobre a condição ‘pozística’ do cara. Foi surreal, absolutamente surreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando digo que sou um centro convergente de acasos desfacetados de vaidade, não é por acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho aqui também para anunciar a criação de um novo espaço em parceria com a doentia do meu irmão: &lt;u&gt;&lt;span style="color:#800080;"&gt;&lt;a href="http://devaneiosalobres.blogspot.com"&gt;Desajustado&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;, e a consolidação de dois espaços de um grande amigo, o Jorge ferreira, pareceirão de blogue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um é o &lt;a href="http://rasgamortalha.blogspot.com"&gt;Rasgamortalha&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jorge é um grande amigo que está pirando na Nova Zelândia e sempre nos traz fotos e poemas belíssimos. Além de tudo, teve a cortesia de publicar algumas de minhas verdades em seu blogue. Obrigado pela atenção Jorge, e se cuida por estas veredas loucas aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115405841932668363?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115405841932668363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115405841932668363' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115405841932668363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115405841932668363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/07/o-corretor-de-imveis-e-periferia.html' title='O corretor de imóveis e a periferia distante.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115396087571779170</id><published>2006-07-26T17:38:00.000-07:00</published><updated>2006-07-28T12:29:53.486-07:00</updated><title type='text'>Os dias todos iguais.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vou à escola de bicicleta ouvindo uma bela canção. Uma somente porque quando a canção acaba, eu já estou no pátio do colégio cadeando minha bicicleta. As manhãs são gostosas e macias. Há nem o frio nem o calor. Há o frescor. Passeio pelas ruas cheias de árvores e tenho delírios idílicos. São ruas largas e belas e floridas, embora de certa forma secas por causa da estação. Pedalo e não me canso. As ruas são planas e lisas, tenho medo apenas dos carros nas poucas ruas de trânsito que atravesso. Mas venço-as todas ouvindo I Want You But I Don’t Need You.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala de aula há ninfetas deliciosas, com quem flerto olhares que me tiram a concentração. Droga, preciso me dedicar e aprender o que o professor fala. Os pés, as unhas bem-feitas, os peitos durinhos sob a camiseta branca do uniforme de uma escola de freiras já conheço muito bem. Divido a apostila com a minha colega ao lado, ela é fantástica e eu quero comê-la, embora não tenha jeito para com ela do mesmo modo que ela não tem jeito para comigo. Somos dois tímidos chafurdados na condição de dividir a apostila, e isso é tudo o que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó viajou e tenho que trocar a água dos cachorros duas vezes por dia e dar-lhes comida. Além de molhar as plantas e observar as pequenas trancas e obsessões chatas que ela inventou. Meus tios vêm me visitar e me ligam para saber se está tudo bem. Sim, está. O Bonifácio vira a sua barriga para cima e fica pedindo carinho. Passo meu pé direito nele e depois acabo rolando e abraçando aquele cão abjeto. Ele é sujo, mas eu não me importo. A Nanica corre desesperada enciumada e mordisca meu tornozelo. Há ninguém na casa senão Nós, eu e os cachorros. Eles latem para estranhos e me protegem porque me amam tanto quanto Eu os amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde saio pela rua para entregar um presente de minha avó, procurar emprego, visitar coisas. As mesmas ruas vazias das noites de sábado e domingo se enchem de motoristas estressados e enfurecidos. Brigam comigo e me buzinam devido à minha barbeirice. Não ligo, estou tranqüilamente em comunhão com o mundo. Ainda são ruas vazias, embora cheias de carros e barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo parar de pensar nas unhas bem-feitas dos pés descobertos de Ana Paula, que é minha vizinha de cadeira na sala do cursinho, e também minha vizinha de casa. Mora coincidentemente ali ao lado. Sua mãe é amiga da minha avó. E quero comê-la. Ela toca na banda da igreja e estuda em uma escola de freiras, como eu e muitos outros infiéis, mas ela não parece ser uma infiel. E eu quero comê-la, em frente aos santos que sua mãe tem para rezar terços do rosário junto com minha avó e as demais velhas rezadeiras. Eu as amo todas. Foram todas bocetas fantásticas um dia, tanto quanto Ana Paula é. E então eu beijaria os santos após tê-la fodido em sinal de gratidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou à escola em ruas espaçadas pedalando o vento e vendo meninas bonitas. Sinto a plenitude, a grandiosidade. Não tenho saudade de me espremer nos vagões do metrô. Não tenho saudade de ter que correr para pegar o trem das oito e vinte e três. Posso sair às seis e cinqüenta que chego a tempo para a aula das sete. E isso é lindo. Mas sei que não vai durar para sempre e que logo, mais uma vez, vou me cansar de tudo e vou querer mudar, como um eterno insatisfeito enriquecido de tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bonifácio late, deve ser alguém chegando. Estou sozinho e nem conheço pessoas para convidar para uma orgia. E também tenho que ir a aula amanhã e a mais um daqueles testes chatos para emprego em escolas de línguas. A vida se abranda, ou se anula, como irei dizer em pouco tempo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115396087571779170?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115396087571779170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115396087571779170' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115396087571779170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115396087571779170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/07/os-dias-todos-iguais.html' title='Os dias todos iguais.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115361043484483541</id><published>2006-07-22T16:19:00.000-07:00</published><updated>2006-07-26T17:58:30.406-07:00</updated><title type='text'>O vazio do abandono.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há uma atribuição de valor demasiado a certas coisas, o que acaba subjugando sujeitos de isopor. Tudo o que torna alguém dependente não é merecedor de ser superestimado. O sujeito precisa viver sozinho, ser auto-suficiente, depender de ninguém senão das próprias vontades e desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que há uma necessidade óbvia de socialização. Mas isso deve ser feito dentro de limites que não permitam a violação de sua individualidade, e com cinismo, se em ambientes estranhos e possivelmente inóspitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo exige pessoas cínicas. Portanto, seja cínico e faça o próximo feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vazio deixado por partidas é imenso e dolorido. Nós deixamos um enorme vácuo em minha bisavó quando partimos. Antes disso, meus amigos me largaram em uma vala etílica. E agora, os meus meninos me deixam em parecida situação. Só e esfaqueado na rodoviária de rondonópolis. Eles foram ao norte, e eu ao sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos dias plenos imersos na celebração e sublimação da entidade chamada Nós mesmos. Somos deuses decaídos do panteão, e nunca estive tão certo disso. Somos celerados virulentos cuspidores de fantasias de vidro retocadas de areia. Elevamos o mundo de seus patamares básicos e o fazemos sublime. Sugamo-nos repondo o vácuo deixado constantemente. Estou por isso então desolado; menor que o mundo, abocanhado pela miséria e agasalhado de prostração. Sou um universo engolido pelo vazio que entrevejo com dificuldade através de uma luneta desfocada. Eles partem me deixando esparramado pelo chão. É a volta absoluta do Eu sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A páscoa chegou como uma lebre gelada”, disse-me Henry Miller enquanto eu me embriagava esperando o ônibus. Tive ânsia de vômito, vontade de xingá-lo. Que bosta, que grande e fedorenta bosta, Sr. Miller.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enchemos a cara na rodoviária. A moça da conveniência perguntou aos meus irmãos: “Aonde vão?”, “A Rondônia”. “Putz, então têm de beber mesmo!”. Depois que eles se foram e deixaram de ser meus garçons e credores, tive de ir buscar sozinho as inúmeras latas. Após a terceira, a moça repetiu sua ousadia: “Êita, vai viajar bêm hein!”; “Pois é”, respondi encabulado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois quis saber seu nome e ela em reposta me quis saber tudo. Passamos o tempo com tagarelices e eu gastei todo o dinheiro que tinha bebendo com ela atrás do balcão da lojinha de conveniência. Quando o ônibus chegou, eu já estava bem. Há muitas delícias em trânsito pela rodoviária de rondonópolis. Na manhã seguinte eu chegaria a cidade-azul-pé-no-saco de ressaca e sem um puto furado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei com a Andrea no ônibus ouvindo Mamus. Sonhei que a encontrava a meia-idade e dizia: “It’s incredible how hard and strong we grow along the years. There have been so many delusions in one’s life that everything is bound to be doubted. I’m sorry, but I can’t believe anything any longer but sex, perversion, plain delusion to real or pseudo-love and self-destruction. Each day we grow fatter, bigger, harder like a shell, dryer. We end up becoming shit, and that’s the only prominent truth, my apologies for the rudeness and cruelty on exposing facts and opinion, but that’s all I’ve got to say afterwards.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;One of the things is: I still remember that very evening when I left Gare du Nord after three memorable days alone, enclosed within you. We were as plain as never. One of the most beautiful things I’ve ever seen. And then you wept tears on my silly and pretentiously indifferent shoulder. Do you remember that? Well, I expect so, for many things have become vague to me except that. You wept, I cracked, the damned eurostar departed and I was left alone in a train full of nothingness to fucking Waterloo. I remember I rang my mother after the canal and reported every single detail, while I shattered myself against myself. Plainness is to be thrown away, torn apart, executed. Nothing is as plain as we were in that very afternoon when we shagged madly five hours or so till my mobile clanged violently through the enduring silence. It warned me that I should finally leave. And then again so I did broken-hearted, and I seated on a bench cross-legged opposite to you, for a short while, and said, before the final curtain, Have we still got much silence to talk? You didn’t answer, and I opened my volume full of crap by Fante. Now that you know my version of it, that’s your turn”. E então eu fui despertado por uma parada de dez minutos e não ouvi o que ela tinha a me dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria comer a menina de unhas escarlates que subiu ao ônibus comigo. Eu queria muito, mas uma velha gorda e feia se sentava ao lado. Tive de ir ao fundo. É incrível como às vezes as coisas funcionam, e mais incrível ainda como na maioria esmagadora das vezes elas não funcionam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente eu vou ficar sozinho. Mergulhado em minha própria bosta. Um inferno chamado cidade-azul-pé-no-saco que terá de ser reinventado por medidas de sobrevivência da espécie. Eu preciso me propagar, me perpetuar, extender minha sombra diáfana pelos campos elísios inexistentes. Eu preciso de alguém com um encaixe perfeito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Exegese, exegese, exegese, exagero, exegese, &lt;em&gt;exegero&lt;/em&gt;. Frio como uma lebre na cama, putz, Gare du Nord, exegese, lavação de mim mesmo. Álcool e amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115361043484483541?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115361043484483541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115361043484483541' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115361043484483541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115361043484483541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/07/o-vazio-do-abandono.html' title='O vazio do abandono.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115345793432828720</id><published>2006-07-20T21:56:00.000-07:00</published><updated>2006-07-26T17:59:01.486-07:00</updated><title type='text'>Férias no Tizoro.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era só erguer a mão esquerda pela rua que as janelas do largo meretrício se abririam como flores. Queríamos foder, eu e meus irmãos. Todos os cabarés estavam fechados e acenávamos visivelmente em vão. Logo um barbudo parecido com o diabo que fumava um cigarro estranho e fedia à pinga nos chamou. Atravessamos a rua e ele nos abriu uma porta. Entramos, Matilde foi logo dizendo que a cama era de cimento e não tinha perigo de quebrar. Serviu-nos uma dose de PARATUDO e apresentou-nos a Lucinéia e a Geralda. Custava deilão a foda e cinco o boquete. Oferecemos vinte por uma suruba entre nós três mais duas mulheres, Matilde e Lucinéia. A Geralda era trash demais, fora de contexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levamos um litro da pinga para o quarto e nos despimos. A boceta de Matilde fedia à fossa e Lucinéia não tinha dentes. Meu irmão apertava as banhas saltadas do canto da barriga de Matilde e eu apertava as tetas. Logo meu irmão mais novo penetrou Lucinéia e ela quis me beijar enquanto trepava com ele. Lambi sua cara e a língua e meus irmãos me olharam com nojo. Aí eu disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, se estamos com o pé na merda, é melhor afundarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E virei outro gole da pinga. Enchi os copos de todos e continuamos felizes de conformismo e pinga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordamos no outro dia todos vomitados. Matilde babava em meu umbigo e o dedão do pé do meu irmão do meio estava em minha orelha. Lucinéia roncava como um dragão e o irmão mais novo encostava a cabeça em sua teta esquerda. Enquanto ainda nos recompúnhamos, minha bisavó surgiu na porta com uma vassoura e começou a gritar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que narquia fea é essa, simbora cambada que vão tudo apanhá di vara verde quando chegá em casa. Que poca vergonha é essa, durmindo fora de casa pra ficá em cabaré com puta. Ô disgrama bunita. Bóra, anda, caminha ligêro minino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim ela nos enxotava com o cabo da vassoura sob uma cusparada de palavrões cabeludos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormimos até o almoço e à tarde resolvemos ir à cachoeira refrescar nossas idéias. Alguns amigos meus de fora do contexto Tizorense foram conosco levando umas flores de Ónion para ser estraladas no caminho. A cachoeira estava cheia de palhaços e preferimos descer o rio para ficarmos em paz. Degustamo-nos em sessões de regozijo mútuo, todos nós incluindo meus irmãos. Na volta, a estrada estava coberta de arbustos e arvoredos cruzados, postos de modo que atrapalhavam o caminho. Era uma trilha no meio do mato e tivemos medo. Muito. Parecia uma obra &lt;em&gt;alienógena&lt;/em&gt; para nos desviar do caminho correto e tivemos medo de nos perder. A insensatez dominava a mente das pessoas e o pavor era crescente. Eu, como o único cabra-home da excursão, tomei a dianteira e garanti a segurança do grupo até a saída da mata. Por fim, chegamos em paz e saciamos nossa larica na casa do meu avô. Havia um pão em uma forma que mais parecia um bolo de fubá, e eu comi como louco, crente de que era bolo de fubá. Mas era um pão enformado como bolo de fubá, apenas. E só me contaram depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma mesa de sinuca em um bar com um pôster da Vera Físcher de quatro com o escoador de dejetos posicionado para cima. Um rêgo arreganhado. É onde partilho de momentos mágicos com meus dois irmãos. Sábios assoviam insanidades em meus ouvidos cansados de blasfêmias desnecessárias. Somos poços de pudores escatológicos. Somos lixos antológicos. Eles e Eu em comunhão plena sobre uma mesa de sinuca de um boteco-cabaré com camas de cimento nos fundos em Tizoro, embalados por muitas garrafas de cerveja pagas por minha bisavó e por vèados que nos amam. É onde nos vemos, nos amamos, nos reencontramos, nos perfazemos. Somos completos em nós mesmos, auto-suficientes que subsistem de papoulas brancas e lírios melecados de insalubridade. Somos homens, ou fingimos ser. Temos que convencer nossa mãe disso. Persuadimos o acaso de que vencemos todos os dias as batalhas com os céus e trepamos com demônios divinificando-os, resgatando-os do inferno. Dissuadimos a desgraça e a amenizamos de modo que fique tenra como a tragédia. Lambemos algodão e nos completamos cuspindo beleza à porta de boteco. Eu e meus irmãos. Somos poetas da bosta. Somos a reafirmação da beleza, o retorno incrédulo e tardio do glamour.Somos os deuses que tutelam as intempestividades de mundos obtusos e falidos dentro de aquários de simplicidade, onde tudo não passa de mera superação e transfiguração de valores.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;À noite, saímos e bebemos com os vèados locais. Eles nos pagaram muitas cervejas e a turma perdeu a compostura. Preferi ir embora mais cedo porque já me desfazia em farelos. Rubí me acompanhou deixando Esmeralda e o Flores com a guarda de meus irmãos mais novos. Depois eu seria informado de que eles acabaram indo a um velório às cinco da manhã completamente embriagados. Deram um show de escrotisse e a cidade inteira comentou. Os fatos chegaram aos ouvidos de minha bisavó, que não mais se importou demonstrando sua determinada indiferença para conosco e para com a porquisse da mente das pessoas. Ela costuma dizer que o certo é a diversão, seja como for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte fiquei de resguardo até às onze da noite. Não resisti e fui ver o que se passava na rua. Meus amigos já tinham ido, pela manhã, e chamei meus irmãos. Kárem, uma safada que tinha pegado há dois anos em férias de verão, sorria para mim. Logo veio falar comigo e me perguntou por que não lhe havia dado atenção na noite anterior. Disse-lhe que era porque estava com a Rubí e que, naquela noite, queria foder mais ninguém senão ela. Disse-me que sentia saudades. Chamei-lhe para ir ao meu quarto. Disse que não, que era muito atrevimento meu. Levei-a então ao muro do cemitério. Em apenas vinte minutos ela já me mostrava as tetas. Fazia frio e eu reclamava de estar em meu país, meu estado, uma bosta dita tropical, e com frio. Além de tudo, tinha um quarto com banheiro sozinho para fazer o que quisesse, e tinha que ver as tetas da Karem no muro do cemitério. Detesto essas garotas pseudomoralistas. Elas querem foder a todo e qualquer custa embora insistam em paspalhices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante os fatos, meu pau intumescia e o arranquei para fora ali mesmo fazendo caretas sugestivas para que Karem cuidasse dele. O que fez sem hesitar. Não me importava com os mortos que certamente nos assistiam, nem com os vizinhos, nem com nada. O que importava era somente o movimento que Karem sabia fazer incrivelmente bem. Logo a virei de costas arremessando-a contra a parede branca pintada de calcário, o que fez as suas mãos ficarem brancas e empoeiradas, e rebolamos ao som silencioso dos mortos e ao sussurro do vento dito lúgubre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após todo o ato, voltamos ao bar e bebemos algumas várias cervejas. O boteco-cabaré na praça da cidade se encheu de vèados e eu quis ir embora porque eles me assediavam. Karem ria para mim e fazia cara feia aos vèados. Senti-me um pateta e fui embora. Só para constar em meu depoimento, devo contar que na noite seguinte eu conseguiria arrastar Karem ao meu quarto, tiraria a sua roupa, lamberia os seus mamilos e ela recusaria a cópula. O sujeito ficaria tão irritado que a mandaria embora sem chance de volta e se masturbaria loucamente lembrando das noites gloriosas com Rubí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mulher, que rebolado, que manejo, que trejeito emaranhado de lascívia saltitante, que mente pululante de idéias para movimentações ultrajantes, que quentura que descia por seu ralo de fábulas encantadas. Rubí era a salvação, o delírio amarrado ao tesão genuíno. Uma flor autêntica do cerrado. Um lampejo de lucidez que escapou em brasas do inferno. Uma papoula branca que escorre polens de delícias inauditas e febris. Sou um espeto e ela uma bainha. Por alguns dias eu quis ser ela. Quis me derreter e fundir minha carniça à dela. Soprar os mais profundos e diáfanos vácuos carregados de indecências e além-verdades. Os orgasmos que tive com ela se perfazem imensos, multifacetados indecorosos embebidos em transcendência. A libido gerada em suas vísceras brotava de todos os poros e escorria por todo o corpo criando uma envoltura de calor plástico, uma nuvem, uma redoma que me fazia pensar em copular incessantemente como um cão. Um cheiro, sabor. Sim, Rubí era uma cadela no cio e eu era o Bonifácio, o cachorro-herói que nunca deixou de foder uma cadela por causa de cercas ou imposições dos donos. Bonifácio vazava cercas, escalava muros com cacos de vidro, pregos, telas eletrificadas, portões automáticos assassinos, escavava túneis e sempre atingia o seu ideal que era foder cadelas no cio, fossem puddles, chiuauas, cadelas carnicentas, sebosas e sarnentas, de meretrizes reais como as cockers de sua própria raça a cavalonas são bernardas, pastoras alemãs, filas e bulldogas. Bonifácio era foda, até ser castrado e virar um gordo que mais parece uma ovelha. Até hoje não resiste quando a Nanica entra no cio, uma bacê, e fica tentando fodê-la até minha avó separá-los dizendo: “que obscenidade absurda!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa da Rubí, eu finalmente consegui compreender a real natureza dos bichos. Como bichos, nos arranhávamos, nos retesávamos, nos comíamos e nos regurgitávamos; nos respirávamos, nos assoprávamos, nos penetrávamos. Ela me comia e eu comia ela, a coisa toda se subvertia dentro de nós. Eu virava o seu couro do avesso e ela chupava as minhas tripas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim gozei de minha masturbação com ódio mortal da Karem e dormi soltando baforadas de fofura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte ela veio me acordar. Tocou a campainha, entrou até a sala, conversou com minha bisavó e a convenceu de me acordar. A velhinha veio e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acorda meu fí que tem uma kenga véa disavergonhada aqui querendo ti vê. Trem véio, num tem nem vergonha di aparecê na casa dos homi di manhã pracordá eles. Cambada, vale nada, num fica andando kesses trem aí não meu fí que isso num vale nada que eu sei. Essa Karem aí é a fia daquele homi que foi candidato e perdeu. Bem-feito, ninguém mandô sê bexsta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí ainda variado e com remelo nos olhos quando ela me deu aquele sorriso. Pedi a ela peloamordedeus para que saísse. Insistiu em ficar. Minha bisavó notou a situação e a enxotou com xingamentos escabrosos. Minha bisavó é foda, meu orgulho por ela só cresce dia após dia. Não vou ficar sustentando uma vaca imoral que se julga decente e se nega de trepar comigo em meu próprio quarto com as tetas penduradas para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso nunca mais a vi. Continuei saindo com meus irmãos, mais Tanaka e Nelinho todas as noites para beber cerveja e jogar sinuca. Nelinho é um sujeito que fode a minha tia adotiva, inclusive foi ele quem me acordou uma noite dessas fazendo-a gemer como uma égua no quarto-ao-lado-sem-cama-por-causa-da-elasticidade da Rubí. Meu irmão do meio, em uma noite dessas, conheceu Ludmila. Ela me disse que queria beijá-lo. No meio tempo, meu irmão mais novo chegou e ela veio me dizer que queria conhecê-lo também. Então lhe disse que era uma safada, mas que iria apresentar o Neném. Acabaram ficando. Então eu disse ao Guilherme, o irmão do meio, para ir à Ludmila e levá-la ao meu quarto, que estava vago. Para que fossem eles dois. O Neném era virgem e seria muito bom se ele se iniciasse tendo o irmão como companhia. Depois ele me voltou desolado dizendo que Ludmila se emputecera. Neném também acabou ficando bravo porque Ludmila sendo tratada como vagabunda havia abandonado os dois e tinha ido para casa dormir. Com isso pensei: que safada, quis beijar os dois e na hora do ato fugiu com falsos constrangimentos. Puta sem-vergonha, imodesta. Mais tarde minha tia adotiva viria me contar que Ludmila era uma vagabunda de pedigree, pois tinha um amante casado e rico que a mantinha em um apartamento de cobertura na capital do estado. Ela era velhinha para os guris, tinha por volta dos vinte e cinco anos, enquanto o Neném tinha treze. Estava no Tizoro para visitar os pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desistimos da sinuca e formamos uma mesa com Tanaka, Nelinho, minha Tia Adotiva e meus dois irmãos. Uma menina chamada Larissa se aproximou e eu a ofereci um copo cheio e uma cadeira para se sentar. Toda cheia de falsos escrúpulos, Larissa recusou a cerveja dizendo que não bebia, então minha tia disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bebê cê num bebe, mas pegá em rôla cê pega né.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre admirei o senso de humor fantástico de meus familiares. Rimos muito da piada e Larissa corou. Coloquei minha mão em sua perna e disse-lhe para não se envergonhar, pois todos ali eram cocô do mesmo ânus. Depois dei um beijo em sua nuca e ela arrepiou. Larissa era apenas uma ninfetinha de quase quinze anos. Deliciosa. Fantástica. Fabulosa. Esplêndida. Com cabelos loirinhos cacheados e pele morena de sol do cerrado mato-grossense. Visualizei-a peladinha em meu quarto como que em um filme do Rocco, mas preferi ir devagar. Pedi licença aos convivas e convidei-a para uma volta. Saímos. Ela me olhava e sorria timidamente. Fomos ao banco da segunda pracinha da cidade, onde ninguém freqüentava. Estava escuro e logo eu forçava o zíper de sua calça. Ela não deixava e me beijava o rosto com ternura, toda cândida, fiquei tão comovido com sua pureza que desisti. Desistência que durou por pouco tempo, pois logo ela mesma punha a minha mão em seu seio de bicos empedrados. Pedi-lhe licença e disse para confiar em mim. Com o dedo indicador a fiz gozar. Ficou feliz e a levei para casa, não tinha mais ânimo para comer uma virgem àquela hora da noite e estando ligeiramente embriagado. Pelo menos estou certo de que conquistei a eterna gratidão e simpatia da moça, em outra ocasião certamente o farei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei para casa e abri a porta da rua, escutei barulhos afogados e muxoxos descontínuos. Vinham da porta ao lado do meu quarto, onde não havia mais cama porque Rubí a tinha quebrado em uma de suas noites de demência incandescente. Apenas um colchão jazia no espaço deixado. Abri a porta com um chute e as pessoas se assustaram. Corri ao fio que cortava o espaço sobre o colchão portando o interruptor da luz e alguém tentou escapar. Bloqueei com meu corpo a passagem da porta de modo que a pessoa ficasse encurralada e gerenciei acender a luz. Neném, Guilherme e Neirinha acossada faziam uma suruba louca. Todos estavam nus e os meninos tinham camisinhas frouxas dependuras em seus paus. Disse, aham, tchazam, e tirei a minha roupa. Neirinha esboçou um sorriso desfacetado e desligou o interruptor. Na manhã seguinte pegaríamos o ônibus de volta ao mundo real e seria o fim de nossas férias de inverno. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115345793432828720?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115345793432828720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115345793432828720' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115345793432828720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115345793432828720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/07/frias-no-tizoro.html' title='Férias no Tizoro.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115337615839936524</id><published>2006-07-19T23:11:00.000-07:00</published><updated>2006-07-19T23:15:58.406-07:00</updated><title type='text'>Sem mais para o momento.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há uma frase pendente. Uma gata parida. Um livro não-terminado. Um rio gelado. Um sol quente. Um pau latejante. Um mundo rastejante. Uma verdade deprimente. Um saco para agüentar. Um tempo para gastar. Um mundo para entender. Um inferno para recriar. Um doce para sucumbir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela sempre vem, acaba com tudo, e vai embora. Como se fosse simples assim. Os paus derrubados na beira da estrada são um símbolo da devastação sobrenatural.  E aí é assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"O sujeito precisa depender de ninguém a não ser de suas próprias vontades".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Sempre soube que não deveria confiar em mulheres que usam santo-alto e pintam as unhas de vermelho".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Escovar os dentes, lavar o sovaco e comer são só mais preocupações supérfluas, como todas as outras".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Adorar digressões é um dom tão louvável quanto saber dizer 'toalete' entre maconheiros".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"O mundo exige pessoas cínicas, seja cínico e faça o próximo feliz".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"E assim aprendo que mulheres são pacientes terminais, como doenças degenerativas incuráveis".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Eu só queria partí-la ao meio depois daquela declaração".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"A arte está querendo me imitar, digam a ela que isso é uma droga".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Excluo, exumo e expio, e quando penso que o texto está enxuto, ele se suja novamente".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"O glamour é um meio de fugir da mediocridade e preencher um espaço de tempo chamado vida".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"O importante é fazer gastar o tempo e chegar logo à morte".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Não importa o que se faça, mas faça e se ocupe e chegue até o fim e acabe logo com isso tudo".&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115337615839936524?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115337615839936524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115337615839936524' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115337615839936524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115337615839936524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/07/sem-mais-para-o-momento.html' title='Sem mais para o momento.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115164161539344112</id><published>2006-06-29T21:22:00.000-07:00</published><updated>2006-10-22T09:10:47.756-07:00</updated><title type='text'>O velho sujo da rua emporcalhada.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Precisa aprender a se virar sozinho, compreender os sinais obtusos e sem iluminação que vêm de sinais fechados. Encruzilhadas escuras sem opção. É tudo uma questão de tempo. Os aviadores tendem a se sentirem cansados, mas é porque lhes falta oxigênio, não em um todo, mas algum, até porque em outro caso desfaleceriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminha pelas ruas como pedinte sem buraco para se esconder na noite que se aproxima. Vê parques e passarelas e não compreende seus significados. Talvez para ele a vida já tenha morrido, talvez tenha sido apenas uma super dosagem de endorfina equivocadamente aplicada, para sanar uma dor que não existia, e que se tornara efeito de demência. Disse-lhe, certa vez, que devia parar com este tipo de uso. Substâncias são ilícitas ou não por alguma razão; não importa a razão, apenas são. E devemos obedecer?! Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo pedinte sem buraco para se esconder na noite que se aproxima(va), é apenas um menino, um garoto pagão; sem querelas nem mentiras para medir, sem passado para em sua mente comprimir. Sim, pois, se é que me entendem, quero dizer, o passado se comprime em algum vácuo dentro de si. Mas não é falho, não é infalível, muitas vezes o passado é desperdiçado, serve para nada, se é que entendem novamente. Prefiro conversar com vocês muitas vezes assim, fica mais fácil ilustrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é apenas um pedinte, um gari de sutilezas absurdas que não têm passado; um gari que varre folhas que não fariam diferença serem varridas; um gari que varre o que não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não existe é porque nunca existiu. Se sempre existiu, tem passado. O passado serve para acumular. Acumular o que? Não sei. Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes o passado é desvanecido por água, por isso insisto: bebam água, quando o passado foge da memória, quando o passado é demais, quando o passado simplesmente é oco; não importa a situação, tudo é questão de beber água; quanto mais pura melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gari pedinte que varre folhas que não existem e procura (va) um lugar, agora aconchegante, para passar a noite fria que se aproxima (va). Vem que vem nervosa, anunciada por ventos frios calamitosos; seria uma catástrofe? Não, não seria. Apenas no caso dele se não encontrar seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está frio, ele me disse; é tudo questão de água, respondi-lhe. Ensaiamos um diálogo, que não surtiu efeito, que não faria diferença alguma na vida de pessoas vazias, como eu e ele (Nossa passagem), mas aconteceu. E não importa o efeito, importa que passou, virou passado, poeira, fumaça suja sem parte dentro, e a conversa sem resultado se comprimiu em uma lacuna de tempo, um lapso de memória, uma falha na trilha seguida pelo vento. Ofereci-lhe um casaco velho que tinha em casa, uma garrafa de água comprada na bolangerie ao lado. Enjoado, exigiu água gaseificada. O preço era o mesmo, anuí e dei-lhe. Neste momento compreendi de quem se tratava: alguém que entendia perfeitamente o sentido de se beber água, e o momento certo para fazê-lo. Corri em casa, perguntei a meu bem se tinha algum casaco velho, um acolchoado, manta, montoado de panos que fosse, pois lhe tinha prometido e esperava-me como cordeiro na entrada do prédio; e na verdade eu não tinha casaco, mas meu bem teve, deu-me um montoado de panos e lhe entreguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não consiga o lugar para passar a noite, mas pelo menos agora o frio será menor, e além de tudo, tem água gaseificada – disse-lhe. Sim, obrigado, de certa forma – respondeu-me. Virou-me as costas, resmungou algumas palavras, voltou-se novamente enquanto eu apenas o observava e me pediu um cigarro. Não tinha, mas no bolso do montoado de panos que acabara de receber havia um velho amassado, porém fumável. Meu bem fumava, e o montoado de panos vinha dela. Enfadei-me do velho e disse-lhe que de nenhum modo acender-lhe-ia o cigarro, que se virasse para encontrar o fogo. Saiu sorrindo. Deve ter cuspido alguns xingamentos gratos. Que não entendi, claro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115164161539344112?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115164161539344112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115164161539344112' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115164161539344112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115164161539344112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/06/o-velho-sujo-da-rua-emporcalhada.html' title='O velho sujo da rua emporcalhada.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115146544701945164</id><published>2006-06-27T20:29:00.000-07:00</published><updated>2006-07-05T07:54:51.950-07:00</updated><title type='text'>As árvores que gritam calor.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tinha um rosto amassado e mascado como de chiclete. Era muito velha. Estava sentada em um banco de parada de ônibus no meio do sertão do Mato Grosso. Fazia um calor delirante de quarenta e poucos graus. Eu estava zonzo. O ônibus parava para o almoço e a comida se enchia de moscas e gotículas de água dentro de uma caixa com tampas plásticas. Não conseguia pensar em comida. Meu nariz escorria por causa do ar-condicionado forte. Comprei um refrigerante gelado e me sentei ao lado dela. “Tá ruim meu fí?”; “Sim, gripado, resfriado, atacado da rinite, atacado de tudo, tá tudo ruim”; “Podi tomá essi trem não, ispera isquentá”; “Mas tá muito quente, preciso me refresca”; “É, antigamente era essi calorzão não, troço isquisito, tem ficado assim duns tempim pra cá”. O ônibus buzina e me despeço. Ela sorri com o seu rosto cheio de marcas. Movimenta todas as suas rugas fazendo um balé facial. Linda, na altura da elasticidade rugosa de seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogamos sinuca e tomamos cerveja em um bar onde pessoas surrealisticamente simples se aproximam: “Põe essa ali no cantim qui entra, diboa”; “Ah, isso é jogo dirmão, dá em nada”. As bolas fazem barulho, o calor é intenso e a cerveja refresca. Outros homens formam outro grupo na mesa ao lado e falam de coisas que não entendo. Têm mãos duras, calosas, e andam de pés descalços. A pele do rosto é dura e queimada pelo sol. Oferecem-nos cerveja. Aceitamos. Formamos duplas e jogamos juntos. Jogo contra o meu irmão, que é parceiro do Adilso; vou com o Jibóia. Ele é bom e ganhamos duas seguidas. Depois eles empatam e apostamos a garrafa de cerveja mais gelada do freezer para a melhor de cinco. Adilso é quem cuida do bar do clube onde estamos. Eu derrubo uma bola deles, o que faz cair outra. Mas Jibóia mata três em seqüência e deixa a oito na boca. Adilso mata uma das duas que ainda lhes falta e prega a oito no canto. Perde a sua segunda jogada e Eu erro a oito. Meu irmão se suicida e ganhamos a partida. Rimos, falamos de futebol, elogiamos a cerveja gelada que vem como uma dádiva em um calor amazônico de quarenta e cinco graus. Jibóia me promete mostrar a putaria da noite. Despedimo-nos e vamos embora. Em uma tarde, éramos todos grandes amigos. Jibóia deixou a escola na terceira série e já esfaqueou três caras. Vive fazendo bicos de pedreiro ou capinando matagais. Adilso era caminhoneiro e passou seis meses internado em uma clínica de alcoólatras. Deixou Santa Catarina e hoje cuida do bar do clube de uma vila amazônica. Somos todos grandes amigos, em uma tarde de inverno amazônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, o forró embala uma casa de madeira em uma rua sem asfalto da cidade no meio da floresta. Pessoas feias de todos os tipos dançam, pulam, esperneiam, se agarram e se divertem. Entro no clima. Jibóia me apresenta a Josefa, uma morena sem dois dentes dianteiros com cabelo grenho. Apresenta-me também a Geralda, Maria Cristina, Cíntia, Sebastiana, Vitória e Luizete. Sebastiana é baixinha, com seios médios. Tem os pés sujos da poeira do chão mal-asfaltado e usa sandálias. Os dentes são tortos, mas é a única de todas que tem todos eles. O cabelo está molhado e cheirando forte a condicionador. Ela me excita, do alto de sua trashisse. Jibóia puxa uma mesa no canto e pega duas garrafas de cerveja. Algumas das meninas da roda, recém-apresentadas, se dispersam. Sebastiana segue a amiga, e eu vou buscá-la. Puxo-lhe uma cadeira e a convido a se sentar. Sirvo o seu copo e pergunto o que faz na cidade no meio da floresta. Sebastiana diz que ajuda o pai na farmácia durante as férias, e cursa farmacologia a trezentos e trinta quilômetros de distância nos outros meses do ano. Ela é tímida. Faço ela beber. Após alguns copos vejo que se solta. Abre sorrisos espontâneos e mexe os cabelos, já então secos. Jibóia está atracado com uma kenga velha desdentada, dançando forró loucamente na pista de piso liso vermelhão. Meu irmão conversa com Geralda. Ponho minha mão direita na coxa de Sebastiana aproximando a minha cadeira. Ela finge não perceber. Reponho cerveja em nossos copos e desta vez vou com a mão um pouco mais acima. Ela me responde com um olhar encabulado. Chamo-a para dançar. Sou duro, mas ela tem paciência e se descontrai. Parece ter ficado contente por saber dançar e estar me ensinando. Várias mulheres, como ela, já tentaram me ensinar a dançar em outras cidadelas como essa. Sebastiana se adoça com isso. Depois de alguns pisões e trombadas, a puxo para fora. Há uma área que é como um quintal, uma parte da casa de madeira ao ar livre. Encosto-a na parede e percorro o seu corpo. Ela me excita, mas tenho certa relutância em beijá-la. Queria poder ser mais direto. Ela me permite toca-la, mas logo procura a minha boca. Beijo a sua nuca tentando desviar. Penso que deveria ter bebido mais. Sebastiana toca meu membro frouxamente, porém na medida para que eu a beije. Não mais penso nem hesito, apenas ajo. Aperto todo o seu corpo. Vamos a um canto mais escuro. Empurro sua cabeça para baixo e logo percebe o que quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já são duas e vinte e cinco quando olho no relógio. Dou uma volta pelo salão e não mais vejo Jibóia nem meu irmão. Ando duas quadras e chego em casa. Ouço barulhos no quarto do meu irmão. O ar-condicionado abafa e o deixo. Penso que deveria ter trazido Sebastiana. Volto ao salão, com pressa, para ainda a encontrar, mas ela já havia ido. Começo a ficar desesperado para levar alguém à minha cama de casal. Há tempos não tinha uma cama de casal e forçava pessoas a dormirem comigo em uma cama de solteiro. Não quero dormir. Lembro de meu amigo dispensado feiúras dizendo: “Droga, elas são cães”. Encontro Maria Cristina, pergunto de Sebastiana. Diz ter a visto indo para casa. Maria Cristina é velha e me olha com safadeza. Não necessariamente velha, mas velha para mim. Pergunto despudoradamente se ela gostaria de conhecer a minha cama. Sorri para as amigas e responde que sim. Não seguro sua mão, nem a abraço ou beijo. Andamos duas quadras de ruas mal-asfaltadas. Abro o portão com cuidado. Meu irmão assiste TV e ri de nós. Meu membro dói e precisa de cuidado. Tranco-me com Maria Cristina no quartinho do computador, ligo o ar-condicionado e me dispo sem cerimônia. Ela ri e começa a fazer o que deve. Mais tarde, vou à cozinha e trago água. Ofereço a ela. Deito e finjo dormir enquanto ela bebe. Tenta me abraçar e não me movo. Logo percebe, se veste e vai embora. Agradeço aos deuses tutelares das intempestividades por tudo ter dado certo, e ela ainda ter desaparecido como uma pizza de calabresa. E durmo tranqüilo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115146544701945164?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115146544701945164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115146544701945164' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115146544701945164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115146544701945164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/06/as-rvores-que-gritam-calor.html' title='As árvores que gritam calor.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115121468196711540</id><published>2006-06-24T22:49:00.000-07:00</published><updated>2006-06-24T23:06:36.900-07:00</updated><title type='text'>De volta ao quarto azul; Ele e ela no guarda-roupa.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sempre sonhei ter uma overdose. Me ver espatifado pelo chão, sangrando, babando, excretando. A cena escatológica da minha vida. Sempre quis sofrer catarses, e acho que a overdose é uma delas. A versão física e mental ao mesmo tempo. “ha crescuto troppo enfretta, questo nostro amore”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia também os banhos de banheira na bacia branca. A água era quentinha e me adocicava. Saía deles com pureza no coração. Às vezes, ela me massageava. Às vezes não, foram apenas três ocasiões na verdade. E eu ansiava por te-la a me massagear as costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia quando transávamos, o tesão foi tão violento que, mordiscando o seu lábio inferior, arranquei um pedaço. Gritou e gemeu de dor. Havia algo mais naquilo. Ela sangrava e me confidenciava o quanto gostava de meu irmão, quem tinha visto apenas uma vez. E trepamos ao som da história que fantasiava com ele. No começo foi broxante, mas logo me inseri no papel dele e gozei, fortemente. No ínterim do processo broxante ao triunfante, devido ao redimensionamento do órgão, o preservativo escapuliu. Gozei por ela toda. Ficamos abraçados por algum tempo, ela em cima de mim, pensando e me acariciando com falsidade. Assim que levantou, vi-a pingar; gotejava meu esperma. Foi traumatizante, pois era muito e parecia que ela que gozava, em pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediu desculpas pelas confidências inadequadas e foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingos de manhã me trazem os piores odores. Tudo fede. Costumo abrir as cortinas para enfrentar o mundo, mas ele não faz sentido. Peço desculpas a mim mesmo. E tento dormir o máximo que posso, puxando forçosamente o próximo dia até mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade se enche do vazio. É a velha e pasmacenta azul-pé-no-saco. Passo pelas ruas e pelos bares cheios de gente que não me interessa. A caranga de minha avó é a minha melhor companheira. Passei em frente do velho bar do seu Osvaldo e hesitei em parar. Decidi que era melhor não, naquele sábado. Devia a ele explicações demais, e não estava com a paciência adequada. Pararei em uma próxima ocasião. As putas e ele que me esperem. E enquanto isso rodo pelas ruas largas, vazias e arborizadas com a caranga de minha avó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O horizonte machuca de tão azulado que é. O menino enlouquece amarrado no hospital, drogado, nunca vi cena mais bizarra. O Bonifácio engorda cada dia mais, castrado, e a Nanica precisa acasalar. Eu também preciso, todos nós precisamos, mas na cidade azul-pé-no-saco não há fôlego, nem possibilidade, as pessoas são boas demais para copular, defecam merdas perfumadas de algodão. Deus a tudo vê e tudo pode. As mulheres sonham com o espírito santo, o maior garanhão da história, aquele ninja que engravidou uma virgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vou sair à rua fantasiado de espírito santo, só para comer as menininhas que se aglomeram nas portas das boates da moda da juventude. São tantas, e eu também tenho tantos paus, vários para cada uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ir aos ensaios da companhia de balé. Às saídas do colegial. Brincarei de aplicar o terror. Não, preciso me concentrar em minha vida. Preciso arrumar algum preenchimento para ela. Tudo é tão difícil e dolorido. Não, preciso parar. Vou me contorcer e arrancar até a última gota de mim mesmo. Farei um suco de subjetivismo e o beberei com gosto. Servirei como vinho, os meus vinhos de outrora dos quais sinto tanta falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida era mais doce com eles. E agora me faltam. As noites solitárias nunca foram tão felizes, por causa deles. Não importa o meio, e sim o resultado. Por que Bergman é tão profundo? E, de repente, cômico. Ele se alterna, me engana, se engana, nos engana. Bergman é trapaceiro. Não, não consigo vê-lo assim. Ele era sincero. Mas as suas obras mostram sutilmente o quanto um sujeito pode variar. E Bergman varia, sutilmente mas varia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- You hungry my dear?&lt;br /&gt;- Not at all.&lt;br /&gt;- You look like so.&lt;br /&gt;- Do I?&lt;br /&gt;- Yeah. Sure you don’t wanna bite this cheesecake?&lt;br /&gt;- What is it?&lt;br /&gt;- Strawberry.&lt;br /&gt;- You know I only like blueberry.&lt;br /&gt;- Yes, darling, I do, but I still hope to change your taste.&lt;br /&gt;- Fuck, tastes are not to be changed, are you able to understand that?&lt;br /&gt;- No, I’m not, and do not shout to me.&lt;br /&gt;- Apologies. Will you accept?&lt;br /&gt;- Just in case you bite me off.&lt;br /&gt;- Where about?&lt;br /&gt;- My left-hand side nipple?&lt;br /&gt;- Don’t say it again or I will.&lt;br /&gt;- Shall you? I can’t believe you’ve got the courage to.&lt;br /&gt;- Yes I have.&lt;br /&gt;- You were supposed to bite my nipple off and you’re making me giggle instead.&lt;br /&gt;- Is there anything wrong with that?&lt;br /&gt;- Yes, everything. Specially with your badly intended teeth.&lt;br /&gt;- Listen, I’m not gonna tell this off again. I do whatever I want, whenever I wish, in wherever I think it’s the place. So whether I make you giggle or cry, whether I kiss or split you, whether I caress or punch you is my business. If you disagree, I’ll strangle you. Is that all right?&lt;br /&gt;- Yes.&lt;br /&gt;- Have I been fully understood?&lt;br /&gt;- Yes.&lt;br /&gt;- Please don’t bend this way right in front of me. You make me crazy doing so. If you carry on doing that, I must rape you, it becomes rather a duty than an entitlement.&lt;br /&gt;- I beg you pardon, but fuck! What the hell shall I do? Everything either hurts or disturbs.&lt;br /&gt;- You’re right my young lady, definitely right, and that’s what scares me most.&lt;br /&gt;- Let me take you for dinner.&lt;br /&gt;- I don’t know whether I want to dine out.&lt;br /&gt;- What about that sushi you used to like so much, do you remember that one?&lt;br /&gt;- Of course I do, we used to spend whole days eating nothing just to get the royal hunger and bring losses to the Japanese man.&lt;br /&gt;- Let’s go there. I’m starving actually.&lt;br /&gt;- Me too.&lt;br /&gt;- Will we shag later.&lt;br /&gt;- I don’t know. It will depend on the amount of alcohol I’ll consume thereafter.&lt;br /&gt;- Fuck, for god’s sake don’t drink that much. Else, don’t have that godforsaken Stella; you know better than me how strong it is.&lt;br /&gt;- I don’t care. I’ll drink whatever I want, if I happen to desire crap, I’ll have crap and nothing including you will stop me, have I been clear?&lt;br /&gt;- You’re so rude.&lt;br /&gt;- No, in fact I’m such a patient guy, you’re the nuisance.&lt;br /&gt;- And you the boredom within impoliteness.&lt;br /&gt;- Who cares?&lt;br /&gt;- Me.&lt;br /&gt;- I’m sorry if I come from a labor family and you from the sophisticated bourgeoisie. I’m trying, I’m really doing my best to be proper, but you must be somewhat patient.&lt;br /&gt;- I’ve been darling, that’s all I’ve done.&lt;br /&gt;- I can’t see it. I can’t figure it out. I can’t realise how rude I am and also how patient you are.&lt;br /&gt;- I reckon we both should be patient.&lt;br /&gt;- Very shortly I’ll no longer be.&lt;br /&gt;- We’ll see what happens next then.&lt;br /&gt;- You wanna a beer as well?&lt;br /&gt;- No, I’ll go for sparkling water.&lt;br /&gt;- That’s fine. I think we’ll shag later on.&lt;br /&gt;- You’re incredibly as bastard as clever.&lt;br /&gt;- Cheers, that’s very kind of you. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115121468196711540?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115121468196711540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115121468196711540' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115121468196711540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115121468196711540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/06/de-volta-ao-quarto-azul-ele-e-ela-no.html' title='De volta ao quarto azul; Ele e ela no guarda-roupa.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115113195380040439</id><published>2006-06-23T23:47:00.000-07:00</published><updated>2006-06-24T00:25:09.753-07:00</updated><title type='text'>Fazer um livro.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Digressões são relevantemente necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tanto difícil me editar um livro, e separar o que presta do que não. Mais ainda porque ele é meu. E ninguém me ajuda, também pudera, ninguém poderia. O foco varia de acordo com as tensões, e os movimentos factuais ficam balançados. Eu quero fazer um livro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de me afogar em minha falta de compostura e levar junto a minha pouca disciplina. Há uma falta de direção terrível. Para com o livro, para com o futuro, para com as perspectivas, para tudo. Hesito entre o caminho factual e o visual. Quero algo plástico que faça sentido, exagero. Quero algo também visceral, autêntico, o que me distancio cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se exponho minhas úlceras honestamente, como qualquer artista sensato - sem medir a sua sensatez – faz, ou se demonstro o meu deslumbramento infantil. Não sei se intercalo as aventuras introspectivas, meladas de fatos dinâmicos, com as minhas aquisições culturais, ou se simplesmente me demoro em descrições orgiásticas despudoradas, onde o Eu agente aparece explícito e descarado. Há ainda o não-saber-o-que-fazer com os pensamentos naturalmente levianos. Ok, já sei, serão impiedosamente descartados. Tenho de ser impiedoso para com pelo menos uma coisa. O grande problema é ter de tudo um pouco. Durante um ano, me perdi e disse tudo de uma só vez. Agora fica difícil desenlaçar. Mas vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro passo talvez seja reconhecer as fraquezas, enfrenta-las e reforça-las. O segundo, decidir com mais firmeza e convicção. O terceiro, esforçar-me ao máximo para deixar o texto enxuto, garantindo o leve e o essencial. Como queria que Camus fosse meu amigo e falasse comigo. É para ser arte, não factual, tudo bem, o dois, sutilmente confessional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho aprendido a escrever em cadernos, com ela. Talvez eles sejam a resposta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115113195380040439?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115113195380040439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115113195380040439' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115113195380040439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115113195380040439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/06/fazer-um-livro.html' title='Fazer um livro.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115093242465768335</id><published>2006-06-21T16:22:00.000-07:00</published><updated>2006-06-21T16:27:04.660-07:00</updated><title type='text'>As velhas do meu coração.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há um vocabulário que confunde, que não soluciona, que enlameia e complica. Quero buscar a solução das coisas, mas não as alcanço. Quero chorar o tempo todo, mas sei que não devo. Na verdade, devo, mas não posso. Na verdade, posso, mas não quero me render às pessoas. Condenariam-me severamente caso me vissem chorando. Deveria arreganhar meus prantos despudoradamente, de modo que o mundo pudesse entender a minha dor, que não é como as dores. Por se tratar de ser a minha dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que os meus amigos perfeitos fossem fantásticos para sempre. Queria que as pessoas tivessem a desfaçatez de dosar perfeitamente o cinismo com a indiferença. O ao redor me come, e então, o que faço? Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem para mim. Fale as palavras mágicas e doces que só você sabe. Entenda o meu penar. Somos amantes. Quero lhe comer. Quero lhe amar. Quero morrer com você no vão de sua tristeza. Façamos o céu escorrer melado e a terra virar lama. Trepemos cento e oitenta e cinco horas sem parar. Chupe o meu dedo, o meu pau, o meu cú e o meu peito cabeludo que lhe chuparei os bicos das tetas, a boceta e os dedões dos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu filho fará as coisas mais certas do mundo. Comerá alimentos verdes e estudará em escolas integrais fantasticamente perfeitas. Escreverá livros, plantará árvores e terá filhos, e mais filhos e fundará uma comunidade natureba no meio do sertão, com todos eles e todos serão ou seus filhos ou seus amantes, e às vezes os dois ao mesmo tempo. A lei será a de todos foderem a todos. Devassidão será sinônimo coloquial de amor. Perversão, algo parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bato teclas de euforia enquanto ali na sala ao lado, as minhas velhas de bocetas ressecadas rezam o rosário para o nosso senhor Jesus cristo, um homem que me fode até hoje, embora tenha nascido e morrido há dois milênios atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ir até lá, completamente bêbado, para lhes esfregar meu pau babado de porra das dezenas de punhetas que acabei de bater. Mostrar-lhes a minha virilidade de jovem. O poder que tenho. A força de transformação. E penetra-las, uma por uma, embora sejam velhas ressequidas, esposas de maridos impotentes, para lhes mostrar o único e verdadeiro poder da salvação, que é a rola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, mesmo se estivesse exausto, reuniria forças sobrenaturais e as foderia o cú, com raiva e força para lhes rasgar. A dor da carne é o único poder transcendental. É a única forma de revolução. Um cú rasgado pode transformar o mundo. E quero ser esse ator, o agente da dor, o homem que salva o mundo rasgando cús de velhas ressequidas carolas, mulheres de machos sem virilidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao final, cuspiria em seus rostos e diria, amo todas vocês, meus bens!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115093242465768335?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115093242465768335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115093242465768335' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115093242465768335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115093242465768335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/06/as-velhas-do-meu-corao.html' title='As velhas do meu coração.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015966.post-115085052269968632</id><published>2006-06-20T17:40:00.000-07:00</published><updated>2006-06-24T23:25:25.170-07:00</updated><title type='text'>Como ela dizia.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como ela dizia, a decadência não é algo admirável. E então eu replicava: Quem você pensa ser para definir a decadência, a mais bela das fases da vida, a mais madura e consciente? E ela se entediava com os meus dizeres. Talvez, se cansava de mim por conta deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virava o seu rosto e não me olhava por doze horas seguidas. Meu membro se fazia ereto e dolorido. Queria trepar com ela. O tempo todo. Tinha um corpo belo demais para ser pensante. Estou certo de que os deuses tutelares das intempestividades jamais concedem dois elementos tão importantes como estes: beleza e pensamento, ao mesmo tempo a um mesmo ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela, se é que alguém se aproximava dessa quimera, era algo assim. Uma coisa cheia de vida. Um espetáculo, um embate extremo entre forma e falta de razão. A personificação de analgésicos. Ela me guiava. E em todas as manhãs eu só pensava em fodê-la, até que minhas forças fossem esgotadas. Ela tinha a vagina mais pungente que já havia comido, e isso me enternecia severamente. A idéia de que ela jazia ali, tão sóbria quanto real, ao meu lado, me excitava. Com toda a sua volúpia disfarçada de doçura. E eu a amava, ao meu modo, claro, pois ela pensava que tudo existia no mundo somente porque eu queria fodê-la, o que de certa forma era verdade. O mundo era um cubículo onde estávamos encerrados miseravelmente e tudo o que nos restava era foder, até que nossas forças se diluíssem. E eu a amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegue um copo de vinho para mim, querida. Deixe de ser preguiçoso e vá você mesmo. Estou cansado e minha cabeça dói. Porque bebeu demais ontém à noite. Quem se importa? Você devia se importar. Por que você é tão dura assim? Sou como as pessoas devem ser. Quem elaborou este conceito, de que as pessoas são como devem ser? Não sei, de fato, eu talvez. Mulher, não pense. Você não foi feita para esse fim. Você existe para bailar e embelezar o mundo. É tão bela. Não pense, não fale, não aja embasada em pseudo-conceitos. Os conceitos do mundo regular não se-lhe aplicam. Esqueça-os todos e venha foder comigo. Não há por que ser triste. Vamos trepar até o mundo acabar. Vamos beber todas as garrafas de vinho que nossos amigos nos trouxeram. E quando eles acabarem, compraremos mais. Vivamos menos em torno da vaidade aos outros, ao mundo externo, dedique-a toda para mim, a sua vaidade. Sejamos sujos e não tomemos banho. Trepemos, apenas. Chupe-me com o poder da mente. Toque o meu corpo como queria que fosse tocada. Diga-me banalidades grosseiras. Determine acepções sem as pensar. Cometa arbitrariedes. Você as pode todas com este rostinho lindo. Mas viva e pegue-me um outro copo de vinho, por favor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015966-115085052269968632?l=alcooleamor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alcooleamor.blogspot.com/feeds/115085052269968632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015966&amp;postID=115085052269968632' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115085052269968632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015966/posts/default/115085052269968632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alcooleamor.blogspot.com/2006/06/como-ela-dizia.html' title='Como ela dizia.'/><author><name>Tiago Muzulon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14354055883807572518</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
